Um país mais que perfeito

ARTIGOS - 10:25:37

Agora é 1h27 de sexta-feira. Acabo de assistir ao debate dos presidenciáveis e desligo a tv com a certeza de que,  a partir de 1º de janeiro, acordaremos todos num Brasil melhor.  Nem precisamos nos preocupar com a escolha de um candidato; todos têm a resposta certa para solução dos problemas de nosso país.

Assisti ao debate para conhecer melhor as pessoas, os partidos e suas propostas, mas como  sempre acontece, fiquei com mais dúvidas. Chego a ter pena dos candidatos, com tantos números na cabeça: índices, porcentagens, taxas...eles me lembram os vestibulandos decorando toneladas de fórmulas, conceitos, nomes, datas. Como não acompanho diariamente o que ocorre em nossa política, fico perdida diante de tantos dados.

Frases como “Não há pessoas que não sejam corruptíveis” e “A inflação está sob controle” me fazem arrepiar. O Bolsa família é disputado a tapa; dois partidos querem ser o “pai da criança”, mas a candidata de um terceiro partido garante que, com ela na presidência, haverá o 13º salário para quem estiver cadastrado nesse programa.

Os chavões de sempre: “O cidadão de bem está preso dentro de casa e o bandido está na rua” ou “O país deve voltar a crescer” ou ainda “Vamos enfrentar o consumismo capitalista” me fazem acreditar que estou vendo o debate de  alguma eleição anterior.

E há candidato para todos os perfis: uma defende a juventude, os sem-teto, os sem-terra, o movimento GLT ; o outro defende a família, a moral e os bons costumes. Um tem o programa capaz de tirar os 20 milhões de trabalhadores da informalidade.  A outra sugere que escolhamos quem tem melhores condições de defender os trabalhadores. (Aliás, essa dúvida me acompanha há tempos: quem são os trabalhadores? Nunca soube isso direito: professor entra nessa categoria?)

Não podemos desanimar, pois vai haver um aumento real do salário mínimo, o passe-livre para estudantes, mais remédios gratuitos para os velhinhos, maior segurança para todos. Além disso, menos desmatamento, mais saneamento básico e o cumprimento da lei que proíbe os lixões. As crianças comerão biscoito e danone e haverá uma merenda escolar melhor. O Brasil será um país mais inclusivo, mais competitivo e a educação será o centro de tudo.

Por falar em educação, amanhã cedo pego no batente. Vamos parar de sonhar; vou para cama. Não me iludo com essas promessas; já estou quase me aposentando e sei que minha vida - assim como minha escola, minha cidade, meu país - melhoram se eu trabalhar. Como canta Milton Nascimento “Já não sonho/ Hoje faço/ com meu braço/ o meu viver”. E eu que não trabalhe...

 

 

 

Claudemir Cabreira

Claudemir Cabreira

Jornalista. 

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