Um gênero menor

ARTIGOS - 10:46:26

 

Em Teoria da Literatura, há uma preocupação didática em rotular textos e em classificá-los quanto ao gênero. Na poética de Aristóteles, estão previstos três gêneros principais: lírico, épico e dramático. Existe uma classificação  mais abrangente que divide os gêneros em poesia – lírica e épica- e prosa – conto, novela e romance. Massaud Moises, crítico contemporâneo, mostra que há ainda os gêneros híbridos – aqueles em que o literário contracena com um algum outro: ensaio, apólogo, fábula, drama, crônica.

No caso da crônica, há um a mescla de jornalismo e  Literatura, em que pode se apresentar por meio de diálogos, um tipo de narrativa, anedotas, exposição poética ou de uma espécie de biografia lírica.

Buscando sua origem, a crônica nasceu no jornal; era um texto mais longo,   chamava-se folhetim e falava sobre as questões sociais, políticas, artísticas e literárias do dia. Com o tempo, foi perdendo espaço, e a intenção de informar foi substituída pela intenção de divertir.

Sua linguagem é simples, coloquial, com um tom de conversa afiada. Os críticos afirmam que trata-se de um gênero despretensioso   tratado como “gênero menor”  que busca oralidade na escrita,  convidando  o leitor para uma convivência íntima com as palavras. É um texto em que entra um fato do cotidiano, valendo-se, às vezes,  do toque humorístico, outras, do toque poético, no qual o autor revela seu estilo e a sua maneira de ver o mundo.

Como afirmou Antônio Cândido, por se abrigar neste veículo transitório (jornal), o seu intuito não é o dos escritores que pensam em “ficar”, isto é, permanecer na lembrança e na admiração da posterioridade; e sua perspectiva não é a dos que escrevem do alto da montanha, mas do simples rés-do-chão.

Existe na crônica uma espécie de monólogo comunicativo em que  o leitor acaba se deixando atrair ora pela abordagem dos assuntos, ora pelo tom  familiar que  apresenta. Sempre  houve nos estudos literários a idéia de que somente os textos  sérios têm valor, mas a verdade é que também aprendemos muito quando nos deparamos com um texto em que há leveza, despretensão e humor.

Claudemir Cabreira

Claudemir Cabreira

Jornalista. 

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