Amor maior

ARTIGOS - 14:45:41

 

         Toda vez que pensamos em declaração de amor, logo nos vem à mente serenata, a imagem de um homem de joelhos diante de sua amada, carros de som com telemensagens ou aquelas cenas piegas de filmes românticos.

            Às vezes há criatividade e, então, para os que podem, é chuva de pétalas de rosas caindo de helicópteros, surpresas em restaurantes, cachorros com joias penduradas no pescoço e por aí vai. A maioria das situações, entretanto, acontece com casais mais jovens - recém-casados ou namorados. Com o tempo, o romantismo vai cedendo  espaço a necessidades mais urgentes: preocupação com filhos, contas para pagar, emprego, salário, enfim, a realidade nos faz acordar de nossas idealizações.

            No filme “Melhor impossível”, uma declaração de amor me encanta. O personagem de Jack Nicolson – com TOC no último grau -  faz uma grosseria com a sua candidata a namorada – Helen Hunt - e ela fala que se ele não se disser algo muito bom, ela vai embora. Então, com muita dificuldade ele confessa que tem uma doença com a qual não se importava mais, mas que ao conhecê-la, ele voltou a tomar os remédios. Lindo! Despertar no outro o desejo de viver é demais!

            Esta semana na vida real – não em um filme - uma declaração me emocionou bastante. Minha amiga está doente, precisa de cuidados e tem recebido o melhor de todos os remédios: carinho em abundância. Por ser uma pessoa boa, seus gestos de amizade, de solidariedade e de entrega agora retornam em forma de afeto. Seus alunos, até os mais indisciplinados, mandaram cartinhas, que ela colou na parede de seu quarto em um grande mural. As vizinhas mandam-lhe comidinhas gostosas e é preciso avisar que não está podendo receber visitas porque senão é casa cheia todos os dias.

O marido tem um problema sério nos olhos já há algum tempo; faz um tratamento dolorido e caro. Isso fez, até agora, com que minha amiga se desdobrasse em suas tarefas como professora, administradora do lar – não tem empregada –  e mãe. Mas agora, é ela quem está precisando de cuidados.

            Esta semana, quando liguei para ter notícias, ela – como sempre, muito otimista – me contou que o marido resolveu dar uma pausa em seu tratamento dos olhos. Disse que,  no momento, está preocupado com ela e mandou a melhor declaração que já ouvi:  “Eu tenho dois olhos; você só tem uma vida”.

Não tenho dúvida: depois dessa, minha amiga sara.

 

Claudemir Cabreira

Claudemir Cabreira

Jornalista. 

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