“Nossa missão é ampliar o diálogo com a comunidade escolar”

OBSERVATÓRIO - 17:44:22
“Nossa missão é ampliar o diálogo com a comunidade escolar”

Na próxima semana, as escolas estaduais abrem suas portas para receber 4,2 mil alunos iniciando um novo ano letivo. O dirigente regional de Ensino de Fernandópolis Cândido José dos Santos vai completar um ano na cidade. Ele veio transferido do Vale do Paraíba e assumiu a Diretoria de Ensino - Regional de Fernandópolis em março do ano passado com “algumas recomendações de trabalho”. Disse que não tem data para deixar a cidade e que o próprio secretário da Educação José Renato Nalini já avisou que em “time que está ganhando não se mexe”. Santos recebeu CIDADÃO esta semana para falar das perspectivas para o ano letivo, das polêmicas do ano passado, como a reorganização das escolas e a merenda escolar. Sobre a merenda escolar disse que a tentativa da prefeitura retomar o convênio esse ano fracassou e que o Estado continuará servindo a merenda aos seus alunos. Afirmou que as mudanças no Ensino Médio não vão acontecer este ano e que o tema deverá ser objeto de debate com a comunidade escolar. Veja a entrevista:

Vamos iniciar mais um novo ano letivo. Como a estão as escolas sob jurisdição da Diretoria de Ensino de Fernandópolis para a volta às aulas?
O ano letivo começa no dia 1º quando teremos a participação de um pequeno número de alunos que farão o acolhimento aos seus professores, funcionários da escola para que a gente possa começar o ano de 2017 com uma ótica melhor, no sentido de termos um ambiente escolar mais cordial, mais harmonioso. Os demais alunos virão para a escola no dia 2, quando haverá também um momento de acolhimento, mas dessa vez, da equipe da escola para com os alunos, principalmente para os novos alunos que estão chegando às escolas. É hora de mostrar como as nossas escolas se prepararam durante o mês de janeiro para receber os nossos alunos que são as pessoas mais importantes dentro desse processo da educação. As nossas escolas estão todas bem organizadas, os diretores trabalharam muito neste último mês para organizar todo o ambiente escolar. A contratação de professores através das atribuições de aulas foi encerrada nesta sexta-feira. 
O senhor chegou a Fernandópolis em março do ano passado, vindo de uma região distante, Vale do Paraíba. Como foi a adaptação? 
Na verdade, eu costumo dizer que o ser humano se adapta muito rapidamente ao novo local. Nós viemos pra cá com algumas recomendações de trabalho, encontramos uma região muito boa, com índices de aprendizagem muito bons e nossa missão aqui era de ampliar o diálogo com a rede, com a comunidade escolar e conseguir com isso uma melhoria ainda maior dos índices na região. A adaptação foi muito rápida, fui muito bem recebido por todos, pelas autoridades locais e com isso pudemos desenvolver um processo bom de diálogo e parceria com outras lideranças da cidade e região. 
O senhor falou que veio com algumas recomendações de trabalho. Isso teria a ver com o episódio da Polícia Federal aqui dentro da Diretoria de Ensino?
Então, essa é uma questão que não nos cabe. Existem os órgãos de investigação e de fiscalização, as pessoas envolvidas naquele episódio estão respondendo tanto administrativamente, quanto no âmbito judicial. Não sabemos o resultado dessas investigações, o que aconteceu. O que nos cabe, enquanto gestor, é fazer com que a rede funcione da melhor maneira possível, sempre com transparência desejada, com eficiência, enfim, nós temos os preceitos constitucionais que versam sobre o serviço público. Então temos que oferecer para a população um serviço eficiente e com transparência. É isso que temos tentado fazer desde que chegamos aqui em março de 2016. 
Logo que chegou a Fernandópolis, o senhor teve pela frente o problema da merenda escolar, com a prefeitura deixando o convênio e o Estado tendo que assumir ocorrendo muitas reclamações. Como está essa questão para este ano?
Essa questão da merenda escolar no ano passado nos trouxe alguns problemas iniciais que fomos resolvendo e chegamos ao final do ano sem problemas. Depois, tivemos após a eleição uma manifestação do atual prefeito municipal no sentido da prefeitura reassumir a merenda escolar nas escolas estaduais. Conversamos com a mandatária que encerrou o seu período de gestão em 31 de dezembro (Ana Bim), ela assinou termo de intenção e estava tudo certo para que a prefeitura reassumisse a merenda nas escolas estaduais. Infelizmente o prefeito atual André Pessuto ao tomar pé da situação, ele nos comunicou que para este ano não será possível por não ter dotação orçamentária, nem pessoal suficiente para assumir o trabalho nas escolas. Então, continuaremos esse ano com a merenda a cargo do Estado, não foi feito um convênio com a Prefeitura e da maneira como terminamos o ano passado vamos dar prosseguimento neste ano oferecendo uma merenda de qualidade nutricional, balanceada, para os nossos alunos como é o necessário.
Outra polêmica no ano passado foi o problema da reorganização das escolas. Na região de Fernandópolis, como está essa questão?
A nossa região, como de resto todo o Estado São Paulo e a gente pode também, por analogia, pode dizer em todo o País vem sofrendo uma queda de alunos. Hoje nós temos em Fernandópolis em torno de 4 mil e 200 alunos  e nos 15 municípios, incluindo a sede, que fazem parte da nossa jurisdição, temos em torno de 9 mil e 500 alunos. Mais uma vez tivemos uma queda e isso vem acontecendo a cada ano e é reflexo da nossa sociedade, as famílias têm cada vez menos filhos e por conta disso vai diminuindo também o número de alunos atendidos nas redes estadual, municipal e privada. Os dados da Fundação Seade mostram que a cada ano as famílias vêm diminuindo, os casais optam por ter um número menor de filhos e isso reflete na diminuição da demanda escolar e, logicamente, nós diminuímos o número de classes nas escolas.
Os governos fazem sucessivas mudanças na busca de modelo ideal de educação. Agora mesmo estão propondo a mudança do ensino médio. Já teremos alguma novidade para este ano?
Não, Para este ano letivo, a Secretaria de Estado da Educação definiu que nós iríamos manter a mesma situação de organização que tínhamos no ano de 2016. Qualquer mudança que, por ventura, venha ocorrer em virtude da Medida Provisória que está propondo mudança no Ensino Médio em todo o País, ela será amplamente discutida com a comunidade escolar, professores, funcionários, alunos e pais para que no ano de 2018, ou 2019, seja adotada. Eu vejo que a mudança é necessária, os dados relativos ao Ensino Médio em todo o nosso país, infelizmente, não são animadores. Há necessidade de modernização do Ensino Médio. 
As Etecs não criaram  uma espécie de elite já que não é acessível a todos os alunos da rede pública?   
Não, na verdade a Etec é acessível a todos. Existe, no entanto, um processo de seleção uma vez que não se tem uma quantidade de vagas que pudesse ser suficiente para atender de forma universal todos os alunos. Então existe um processo seletivo, mas é uma escola pública que oferece um ensino técnico de qualidade e está à disposição de todos os alunos. Aqueles que se candidataram ao Vestibulinho e que foram classificados estão lá matriculados. É uma escola de qualidade. Não está sendo criada uma elite, muito pelo contrário, é uma escola que está aberta a toda sociedade. E com a mudança do ensino médio acabaremos por ter também alguns reflexos, penso eu, nas Etecs, uma vez que as escolas terão de oferecer no mínimo duas modalidades daquelas que estão sendo propostas na medida provisória do Governo Federal, acredito que teremos também uma ampliação não só das escolas em tempo integral, mas também das escolas que passarão a oferecer o ensino técnico.
Sobre as escolas de ensino integral, nós tivemos aqui em Fernandópolis apenas uma escola aderindo a essa proposta. Qual a perspectiva futura desse projeto?
Nós temos a Escola Afonso Cáfaro que aderiu no passado ao modelo ensino integral e temos também aqui no município as escolas José Belúcio e a Maria Conceição Basso no Distrito de Brasitânia que também oferecem aulas em tempo integral, no caso dessas duas últimas, apenas para os alunos do ensino fundamental. O programa, na verdade, continua aberto. Neste ano teremos outras escolas aderindo ao modelo. Na nossa região, infelizmente não tivemos condições de atender aos parâmetros estabelecidos em medida do Governo Federal, devido ao número de alunos exigidos para que as escolas passassem ao ensino integral. Mas, como disse, isso é uma realidade, e nós teremos um avanço gradual dessas escolas de tempo integral. 
A questão dos celulares ainda é um ponto de conflito entre alunos e escola?
Ainda é, porque ainda temos uma lei estadual que proíbe o uso do celular dentro da sala de aula e precisamos respeitar as leis. Então, muitas vezes, a gente tem que acabar propondo que o aluno não traga o celular para a escola, mas nós sabemos que é muito difícil, que a maioria das pessoas carrega o seu celular e isso acaba dentro da sala de aula trazendo um certo conflito, uma vez que os alunos acabam utilizando do seu celular para acessar uma rede  social, por exemplo,  no momento que deveria estar  prestando atenção à explicação de um professor. Nós acreditamos que a melhor maneira para acabar com isso de uma vez por todas seria uma mudança na legislação estadual para que a gente possa fazer o uso dos celulares dentro da sala de aula, de tablets e assim por diante, com intuito pedagógico, onde os alunos com orientação dos professores, poderiam ganhar muito com isso. Estamos aguardando essa mudança que já foi proposta pelo governo estadual e acredito que os conflitos vão diminuir bastante. 
O senhor trabalha com a perspectiva de permanecer por aqui quanto tempo mais?
Olha, um dirigente de ensino ele sabe quando chega. Eu sei que cheguei  aqui no dia 15 de março de 2016. O dia que sairei daqui somente os chefes lá em São Paulo é que sabem. Pelas últimas falas do nosso secretário de Educação Professor José Renato Nalini, ele está muito contente com o trabalho que está sendo desenvolvido na região e tivemos a oportunidade, inclusive, dele dar um depoimento dizendo que em time que está ganhando ele não costuma mexer. Então, acredito que permanecerei muito tempo aqui em Fernandópolis.
Neste período de sua estada na cidade, qual a marca que pretende deixar?
Eu gostaria muito de conseguir ampliar o diálogo dos educadores com a comunidade escolar. Eu penso que é através do diálogo que nós conseguimos evitar os conflitos e, se ampliarmos o diálogo com as famílias, com nossos alunos, com a comunidade em geral,  conseguiremos com certeza uma escola melhor, melhores resultados e que nossos alunos tenham muito mais sucesso. Então, o diálogo tem que ser a maior marca da nossa gestão.

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