“A gente abre o comércio, mas não sabe se vai fechar”, desabafa comerciante

POLÍCIA - 17:58:15
“A gente abre o comércio, mas não sabe se vai fechar”, desabafa comerciante

“Está difícil trabalhar. Você abre o comércio, mas não sabe se vai fechar. Um pai de família abriu seu estabelecimento, trabalhou o dia todo para chegar um vagabundo e acabar com a história da pessoa, do trabalhador. E aconteceu comigo também. Trabalhei o dia todo num domingo, foram lá, colocaram um revolver em mim e levaram todo o meu dinheiro. Meu vizinho de comércio também ficou na mira de um revolver. Isso muda a vida da gente, quase entrei em depressão. A gente tem família, tem filhos. Fiquei apenas com o boletim de ocorrência na mão. Nada mais”. 
O desabafo é do comerciante Cleiton Renato de Andrade, que tem um bar e mercearia no Jardim Progresso em Fernandópolis, após o assassinato do comerciante Célio Busato dos Santos Junior, 52 anos, ocorrido na noite de segunda-feira, 30 de janeiro, durante assalto, quando já se preparava para fechar a Padaria Popular, no centro da cidade. 
A disparada de crimes violentos em Fernandópolis em 2016 foi objeto de reportagem na edição do CIDADÃO de sábado, 28. Os assaltos em Fernandópolis aumentaram 107%. 
Fernandópolis não registrava crimes violentos há anos. Desde 2001, quando a Secretaria Estadual da Segurança Pública começou a divulgar índices estatísticos da violência no Estado de São Paulo, Fernandópolis havia registrado apenas dois crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), em agosto de 2005 e em dezembro de 2008. O terceiro caso de latrocínio foi registrado esta semana.
A segunda-feira, 30, seria mais um dia normal na vida do comerciante Célio Busato dos Santos Junior, 52 anos, casado, pai de dois filhos. Ele cumpria sua rotina. Levantou-se de madrugada, trabalhou o dia todo e quando a noite chegava já se preparava para fechar  sua padaria, na Avenida Amadeu Bizelli, esquina com a Rua Minas Gerais, no centro da cidade, quando foi atender o último cliente. Nesse momento, dois rapazes, de capacete, entram no estabelecimento e anunciam o assalto. Enquanto um mantinha o comerciante sob a mira de revolver, outro foi ao caixa. Um movimento mais brusco do Célio, o tiro fatal. Os ladrões fugiram do estabelecimento. 
Toda a cena do crime foi filmada pelas câmeras que Célio mandou instalar no estabelecimento, cansado da violência. Ele já havia sido assaltado outras vezes. 
COMOÇÃO 
O assassinato do comerciante causou comoção na cidade. Nas redes sociais a indignação tomou conta da população. O prefeito André Pessuto decretou luto oficial por três dias por causa da morte do comerciante e cancelou entrevista coletiva agendada para a terça-feira. Na nota a prefeitura manifestou sua solidariedade a família e aos comerciantes de nossa cidade.
A Acif - Associação Comercial e Industrial de Fernandópolis divulgou nota oficial de pesar pela morte do comerciante:  “A notícia da morte do empresário Célio Busato Junior nos entristeceu de tal forma que silenciou Fernandópolis. A Associação Comercial e Industrial presta suas condolências. Estamos em oração para que Deus o receba na sua infinita misericórdia e dê o conforto espiritual que a família necessita nesse momento de grande dor”. O comerciante era também integrante do Lions Clube Cidade Progresso que divulgou homenagem póstuma (ver na página 6).
O comandante da Polícia Militar KenjiTakebe, em entrevista a Rádio Difusora, falou da onda de assaltos e disse que após a ação de bandidos no Shopping na explosão de caixa eletrônico e que resultou na morte de um policial militar, a Polícia Militar não recebeu reforço. “Nós remanejamos, estamos trabalhando e priorizando com aquilo que a gente já tinha. De acordo com as estatísticas da cidade e de população é o que é recomendado. Talvez a gente gostaria de mais, a população gostaria de ver mais policiais na rua, mas infelizmente está dentro dos padrões estabelecidos pelo Estado na distribuição de efetivo. Eu gostaria de dispor de mais efetivo”, disse. 
Segundo o capitão da Policia Militar, quando se fala em segurança pública não se pode olhar apenas para a Polícia. “Tem que analisar segurança pública de uma forma mais ampla. A gente vive uma situação em que todos os problemas desaguam na Polícia, desde a crise financeira, o desemprego, a inversão de valores, as saidinhas, tudo desagua na Polícia. A gente não dá conta sozinho. A Polícia Militar e a Polícia Civil, sozinhas, não dão conta de todos os problemas sociais que o pais vive”, avaliou o comandante da 1ª Cia da Polícia Militar. 
DOIS PRESOS
As Polícias Militar e Civil chegaram a montar uma força tarefa para caçar os assassinos do comerciante Célio Busato dos Santos Junior. Já no início da noite de terça-feira, policiais apreenderam menor que teria participado do assalto e apreenderam também um veículo Voyage branco. 
Na quarta-feira, 1º, a Força Tática da Polícia Militar prendeu um segundo elemento suspeito de envolvimento no latrocínio. L.H.B.A, vulgo Gordin, teria assumido ter sido o autor do disparo que matou o comerciante. Ele foi preso pela Força Tática da Polícia Militar, na Rodovia Euclides da Cunha, em um Gol de cor bege. O suspeito foi apresentado na Delegacia Seccional de Polícia de Fernandópolis, onde foi ouvido. A prisão desse segundo suspeito do latrocínio, gerou principio de desentendimento entre as Polícias Civil e Militar. Há suspeita de que ele também teria participado de outros crimes de assalto na região. 
Ainda na quarta-feira, um terceiro suspeito chegou a ser detido, mas após ser ouvido acabou sendo liberado por falta de provas. As investigações do caso, tratado como latrocínio pela Polícia, estão sob o comando do delegado Ailton Canato. Ontem, na DIG a informação era de que o caso continua com prioridade de investigação, mas não foi totalmente esclarecido. Os detidos pela Polícia têm envolvimento com drogas e tráfico.

 

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