“Roberto Carlos em Fernandópolis vai ser histórico”

OBSERVATÓRIO - 18:23:42
“Roberto Carlos em Fernandópolis vai ser histórico”

O empresário Gustavo Sisto, o Gutinho, surpreendeu Fernandópolis esta semana com o anuncio do show do “Rei” Roberto Carlos para o dia 1º de abril no recinto da Expo. O evento ocorre em meio aos preparativos para a Expo em maio, festa que chega ao seu cinquentenário. Concretizar o show de Roberto Carlos em Fernandópolis foi um alívio, depois de dois anos de “namoro”. “Mas, ao mesmo tempo uma tremedeira, porque é uma responsabilidade grande, totalmente diferente das coisas que faço”, disse Gutinho durante entrevista ao CIDADÃO em seu escritório no BartoPub. Sisto fala do que será preciso mudar na arena para o show do “Rei” e comenta também sobre a organização da Expo. Quatro anos após assumir a festa, vencendo a concorrência aberta pela prefeitura, Gutinho diz que financeiramente ainda não valeu a pena. Faz uma reflexão sobre o formato do evento e diz que chegou a negociar no início do ano com a prefeitura para reduzir o tamanho do evento.  Veja a entrevista: 

Desde quando você trabalha para viabilizar o show de Roberto Carlos em Fernandópolis? 
Esse namoro começou há dois anos no show “Cabaret”. Tem um grande amigo, o Peninha, que até trabalhou com o pessoal do sertanejo e ele é que promove mais de 50% dos shows de Roberto Carlos. Então naquele dia, ele estava no evento e falou que aqui (recinto da Expo) era um lugar para fazer o show do Roberto. E começou o namoro. Quase deu certo para dezembro essa turnê Marilia, Presidente Prudente e Fernandópolis. Você tem que encaixar o esquema para facilitar a logística do show. Não deu certo em dezembro, mas todo o pessoal dele, que vistoriou a cidade, conferiu hotel, a arena, as mudanças que terão que ser feitas deixou tudo pré-aprovado. Sabia que iria ser no começo do ano, só que não tinha uma data marcada. Na sexta-feira (10) veio o OK com a data. Foi um alivio, mas ao mesmo tempo uma tremedeira (risos), porque é uma responsabilidade totalmente diferente das coisas que faço, né.
Você postou nas redes sociais que era o grande desafio. Por quê?
É o maior desafio pelo tamanho do artista, lógico. E também pelo fato do público que vai nesse evento é bem mais exigente, e que você vai ter que caprichar no aspecto de locomoção e orientação dentro do recinto. O público jovem quando vai aos shows que a gente faz e que dá bastante gente, vai lá para dançar, é a curtição do jovem. Um show desse não. É um show com todo mundo sentado, bem diferente do que estou acostumado a fazer. 
Como você disse, a logística do show é totalmente diferente do que você faz. O que será preciso fazer na arena para o show do Roberto Carlos? 
Inicialmente, na vistoria que a equipe dele fez em dezembro, vamos ter que desmontar todo o palco, bretes, curral, tudo que está ali embaixo, porque aquele palco, o piso dele está com dois metros e meio de altura, e o piso do palco do Roberto Carlos é de 1 metro a 1 metro e meio no máximo. E não é um palco que se monta em cima de alguma coisa. Então vamos ter que desmontar tudo e, após o show, começar a montar de novo porque já vai ter a exposição. Vamos ter que colocar um piso muito nivelado na arena porque é onde vão estar as cadeiras, que é o setor mais caro, porque as pessoas ficam mais perto do Roberto. É essa doidura toda...  
A partir do anúncio, o que foi que você mais ouviu e leu nas redes sociais?
Eu acho que é o espanto, porque é um artista que não costuma fazer pequenos centros. Eu tenho certeza que eles pesquisaram aqui antes e não iam marcar um show para correr algum risco. Eles devem ter feito pesquisa de mercado e viram que aqui a nossa região é muito boa, não é só Fernandópolis que daria conta de encher um show desses, a gente precisa da região. O espanto das pessoas é ter um artista desses na cidade. Roberto Carlos em Fernandópolis vai ser um acontecimento.
É um show para um público reservado?
Quando se fala em show do Roberto Carlos logo se pensa nos shows da Expo com tudo lotado e vai ser muito longe disso. Eu vi a planilha que o escritório do Roberto mandou. Eles fizeram um corte nos camarotes e na arquibancada. É todo um cuidado que a equipe dele tem de não vender lugar onde não se tem visão do show. Pelas contas que fizemos vai ser um show para cerca de sete mil pessoas. 
Depois deste show, qual o status que você adquire? 
Comercialmente eu nem ligo muito para esse tipo de questão. Mas, prá mim, para meu ego particular, vai ser muito bom, porque encerra uma grade de artistas que no Brasil nós fizemos todos em Fernandópolis. Com o Roberto Carlos a gente completa essa cadeia de artistas top do Brasil. Não importa quem foi que trouxe. Foi a exposição que abriu espaço para esses shows. Imagina o que foi a Xuxa na época, foi um acontecimento. Importa mesmo que estamos preenchendo o calendário com o grande nome do Brasil que faltava vir em Fernandópolis. E isso é histórico. 
Para a organização desse show você dá uma parada na organização da Expo?
Podia dar esse tempo, mas também não dá. Essa questão do palco que vamos ter que desmontar já vai unir com a reforma que a gente vai fazer no camarote que vai ser a área Vip. Já que vai mexer, a gente vai refazer tudo. Quando terminar o show de Roberto Carlos vai faltar 50 dias para a Expo.
Pelo que se percebe, para o show do Roberto Carlos a arena vai se transformar em uma espécie de Teatro? 
Creio que sim. Pelo desenho que me mandaram do palco, é uma coisa muito grande, fantástica. O Roberto vem com a orquestra dele que é fantástica. Tive que reservar mais de 50% de um hotel aqui em Fernandópolis só para a turma dele. Será um espetáculo, todo mundo sentado na hora do show, não é um som alto que a gente vê na Exposição. É um som bem tranquilo, nítido. Eles são bem exigentes nisso.
Entre o show de Prudente e o de Fernandópolis tem uma folga um dia. O RC vem para Fernandópolis?
Ele vai folgar um dia. Podia fazer um churrasco com a gente aqui (brinca). Eu não sei, isso não é passado pra gente. Não sabemos como vai ser esta logística. Com certeza a parte técnica dele deve vir toda, mas ele (Roberto Carlos) tem seu próprio avião para fazer os shows.
Para a Exposição, que chega aos 50 anos, como está a organização?
A gente conseguiu ter uma facilidade na organização da festa agora. Apanhamos bastante no começo. Quando ganhamos a licitação para fazer a festa por 10 anos, a gente apanhou no primeiro ano, tinha muita obra para fazer, muita coisa para corrigir e as coisas foram se encaixando. Hoje cada um sabe o que faz no seu setor. Não existe mais aquela coisa de correr atrás de barraqueiro. A maioria já tem contrato para todos os anos. A gente tem as pessoas, cada uma no seu setor, e todos sabem o que tem que fazer. Fica mais fácil do que antigamente que se trocava  muito a direção, era natural. Era tudo na maior correria do mundo. A gente já se achou, e é uma coisa muito mais tranquila que no começo.
Esse é o quarto ano da Expo neste novo formato. Valeu a pena?
Até hoje não. Mas, não falo isso só financeiramente. Nós tivemos   azar de pegar a festa no começo de uma crise nacional. Quando assinamos o contrato veio essa crise maior do mundo, acompanhando a gente. E não conseguimos sair dela ainda. Nós estamos no meio do furacão. É difícil só sair cortando custos pra fechar a conta. As pessoas não querem saber. As pessoas querem tudo do bom e do melhor e elas têm razão, porque estão pagando. Não é de graça. É uma dificuldade, as coisas ficaram muito caras. Existem shows que são absurdos de caro. Os valores são de cair de costas. Todos querem ver os melhores shows, os mais caros, parece que ficam sabendo as cifras e fica aquela coisa de que o que é caro é bom e o barato não é bom. Não é por ai, mas esse é mundo capitalista. 
Nesse período  que você está à frente da Expo, que virou uma empresa, um negócio, já tem uma avaliação se esse modelo de festa que está ai há 50 anos ainda se sustenta?  
Eu acho difícil. Pouca gente sabe, mas no início deste  ano a gente tentou na Prefeitura diminuir os dias da festa. O prefeito também tentou, mas o jurídico vetou porque foi feito uma lei na época e você não pode alterar a lei que exige que eu faça 10 dias de festa. Se fosse ver, não tinha cabimento num ano difícil que a gente tá vivendo, com desemprego, comemorar 10, 11 dias, de festa. Teria que cancelar essa licitação que foi feita com a gente e fazer uma nova, ai correríamos todo o risco, tem multa de contrato. Infelizmente tem coisa que se assina que não tem jeito de voltar atrás. As grandes festas do Brasil estão se adequando. Americana, por exemplo, são dois finais de semana. Ela fecha de segunda a quinta, ninguém entra lá. E eles estão numa região das mais ricas do Estado. E a gente não conseguiu fazer isso aqui. Tentamos negociar, não pedimos para mexer um centavo no valor que pagamos. Era só para diminuir os dias mesmo. Eu acompanho as redes sociais, sou muito antenado no que estão falando. As pessoas falam que a exposição não é igual antes, não tem mais estandes. Não tem porque nenhuma empresa tem dinheiro hoje para investir e mostrar produto. Os pavilhões de gado, antigamente o pessoal pagava para expor. Hoje a gente paga para trazer. Não tem gado na região, só tem cana. Essas são as dificuldades que a gente encara hoje e que é muito difícil as pessoas entenderem. Ai você entra na questão do rodeio. Antigamente eram só os melhores peões  que vinham. Não tinha trezentos campeonatos que tem hoje. Hoje você traz o campeonato tal, o peão do outro não vem. Só no Estado de São Paulo são nove ou dez campeonatos de rodeio diferentes e cada peão tá em um. Olha como é difícil. Antigamente você dava uma premiação top, a vida inteira Fernandópolis deu caminhonete, carro, e você trazia a nata. Hoje não se consegue. Nem com dinheiro. 
Como você olha para futuro?
Eu não sei te falar. O parque nosso é bom, tem instalações melhor que qualquer outro aqui da região, só que ele já está dentro da cidade também. Hoje temos problema de estacionamento, daqui uns dias aquilo está cheio de casas em volta. Eu não sei como vai ser no futuro. O que sei é que cada vez mais a gente vai ter que se readequar. Hoje você tem estudantes de fora, é um mundo diferente. Não fui eu que mudei esse mundo. Esse mundo vem mudando em todo lugar. Antigamente o Chitãozinho e Xororó desciam no aeroporto e tinha cinco mil pessoas esperando. Hoje é uma coisa normal. As épocas mudam, não sei se pra pior, ou melhor, não me cabe avaliar isso, mas existem mudanças e as dificuldades aumentando. Hoje uma grade de shows da Expo, se as pessoas souberem quanto custa e fizer conta, fica doido. Uma grade de shows dessa gira em torno de R$ 1,5 milhão. É muito dinheiro. Se parar para pensar que uma permanente custa R$ 90, quanto vou ter que vender? Não gosto de falar coisas de valores, mas a Exposição começa e a taxa que a gente paga para a prefeitura  é de R$ 213 mil, ela tem correção, era R$ 200 mil. Você tem a taxa da Polícia Militar em torno de R$ 30 mil, Ecad, R$ 80 mil, energia tem que ligar alta tensão, mais R$ 80 mil. Só aí foi meio milhão de reais. Aonde que arruma esse dinheiro. O mundo mudou, mas o custo da festa não mudou.
Com a vinda de Roberto Carlos a pressão vai aumentar em relação a shows?
Não tem como, esse é o ápice. Eu vejo pessoal falando em show internacional. Eu nunca falei na minha vida que ia trazer um show internacional. Primeiro, eu nem sei falar inglês. Isso nunca passou pela minha cabeça. Veja, tem gente falando mal do show do Roberto Carlos em redes sociais, as pessoas não respeitam o gosto dos outros. Ela acha que porque não gosta pode ir para a rede social e escrever, ofender, não tá nem ai para as consequências. Quando você monta uma grade de show da Expo, você acha que eu vejo o que para decidir? Tenho um grupo de WattsApp com todos os contratantes do Brasil. A gente sabe o que está dando público ou não. Lógico que levamos em conta a parte comercial, mas realizamos o evento para trazer gente. A gente vive disso...
Com o show do Roberto Carlos e a Expo chegando, você se sente realizado?
Realizado e cansado. Doido para ver se consigo tirar férias para curtir a família e os filhos. Mas, acima de tudo, sempre fui fernandopolense. Eu torço e quero que nome da cidade brilhe mais. Esse show do Roberto Carlos não tem embaixo escrito Gutinho Sisto. Está escrito Fernandópolis.

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