Ela desafia a crise com música de qualidade

OBSERVATÓRIO - 18:43:56
Ela desafia a crise com música de qualidade

Vanessa Molina é a mulher que comanda a nova fase do Chalé Acústico, que ela define hoje como um Bar/Casa de Show. Para manter a casa em tempos de crise, Vanessa decidiu investir na alternatividade. “Quem é frequentador gosta de boa música, muito rock, metal, pop rock, mpb, jazz.... Meu público não vai para engolir música, vai para ouvir, ser crítico, cantar, dançar, relaxar”, diz a empresária. Ela não entra na polêmica de que sua casa não abre as portas para o sertanejo. E diz sem preconceito: “O sertanejo simplesmente não é opção”. Na entrevista ao CIDADÃO, Vanessa fala da rotina como empresária de casa de show, diz que a crise desafia a criatividade e aposta em aura positiva para Fernandópolis sob o novo comando. Todavia, ainda mantém-se critica à crise brasileira. Veja a entrevista: 
Vamos começar falando de sua história com o Chalé Acústico. Como tudo aconteceu?
Sempre trabalhei na área artística. Primeiramente, e durante 25 anos na área da dança, teatro e eventos diversos. Conheci no ano de 2013 o empresário Marcelo (atual proprietário do Buteko Sto. Antônio) que na época estava vendendo sua parte da sociedade e me ofereceu a compra. Tinha acabado de me separar e precisava reestruturar minha vida principalmente profissional e financeira. Achei atrativo o negócio e ao mesmo tempo dentro da área artística da qual sempre trabalhei e que tinha conhecimento. Identifiquei-me, achei promissor e concluí o negócio. Fiquei sendo sócia proprietária juntamente com Alessandro Fúria, que inclusive foi o idealizador da ideia “Chalé”. No ano de 2015 acabei comprando a outra parte da empresa. Faz um ano e meio que estou em carreira solo.
Você vem oferecendo uma programação musical bastante eclética que vai do pop rock a MPB. O que leva em conta na hora de definir a grade de shows? 
Anteriormente o Chalé era um bar pequeno e que a premissa eram shows e sons alternativos em pequena escala. Houve uma mudança de endereço da empresa para a localidade atual, lugar com amplo espaço físico tornando-se o Chalé um Bar/Casa de Shows. Inicialmente era aberto só aos sábados exclusivamente e basicamente estilo musical “Rock”. A questão era manter a casa em tempos de crise, voltada para um público muito distinto, restrito e faixa etária específica. Era preciso, para sobrevivência, ampliar horizontes e determinar mudanças no quesito estilo musical e faixa etária. Mas o cuidado sempre foi em manter a alternatividade. Para definir a escolha da grade musical procuro escolher bandas e shows que atinjam o gosto musical na faixa etária de 18 anos acima e sempre voltado para um público que gosta de um bom som e um ambiente familiar.
Pode-se dizer que o Chalé é uma casa de shows para um público que quer fugir do sertanejo? 
Não acho este o objetivo do meu público: ‘Fugir do sertanejo’.  Quem é frequentador gosta de boa música, muito rock, metal, pop rock, mpb, jazz.... e é isto que o torna Chalé Acústico, sem preconceitos e sim pela qualidade sonora e musical. Meu público não vai para engolir música, vai para ouvir, ser crítico, cantar, dançar, relaxar. O sertanejo não está em pauta. Ele não é fuga. Ele simplesmente não é opção. Ascender a discussão sobre o que é, ou não música de qualidade é bem complexa. Sempre tivemos músicas boas e músicas ruins no Brasil, mas havia equilíbrio (rsrsrrs). Vai ao Chalé quem se identifica com o que ele oferece: sua alternatividade aliada ao bom gosto musical.
Você já apresentou este ano shows como o “especial Charlie Brown Jr./Rappa + Zeca Baleiro” e depois “Especial Jovem Guarda”.  São públicos bem distintos, não?
Se analisarmos pelo ponto de vista: idade, por exemplo, diria que sim. Mas quando falamos em qualidade sonora nobre ou busca por essa qualidade diria que não. A busca é a mesma, o comportamento que é distinto.
Esse público para diferentes shows vêm de onde?
Meu público vem da região toda: Fernandópolis, Santa Fé do Sul, Jales, Estrela, Votuporanga, Rio Preto, Iturama e várias cidades no entorno.
 Vamos falar dos próximos shows. Como está o calendário de eventos do Chalé?
Variado para alcançar um público em média dos 18 a 50 anos. O que define mesmo é a qualidade e estilo musical. Dos filhos aos pais, dos pais aos filhos. Teremos muitas novidades este ano, inclusive a segunda edição do Senhora Rock. 
 Como foi definida a escolha de Moacyr Franco para show no Chalé? 
Moacyr Franco foi uma escolha e decisão pela sua competência profissional, por ser um grande compositor, comediante , cantor....Seu show realmente é um espetáculo. Suas composições são lindas e gravadas por cantores renomados, tornando estas em grandes sucessos.Moacyr Franco tem enorme importância no cenário musical brasileiro. Sei que agregará ao portfólio de shows do Chalé e abrirá portas para entrada de outros grandes shows. Sempre, claro, dentro da característica Chalé. Sempre buscando alcançar um perfil de público de 50 anos para mais, comecei também a organizar jantares no Chalé. Primeiramente Bee Gees, Abba e programações para esta faixa etária e gosto musical que se encaixava.
Você mantém feedback com o público nas redes sociais? Que tipo de sugestão recebe?
Sim, sempre realizo enquetes para observar as preferências do meu público. Procuro reagir bem ao feedback, mesmo ao ruim. Em vez de rejeitar a crítica, tento processá-la a fim de poder melhorar meu desempenho e alcançar melhores resultados na minha empresa. Novas ideias são sempre bem vindas, abrem sua visão e permite identificar pontos favoráveis e produtivos. Recebo muitas indicações de bandas ou sugestões diversas. Analiso. Se diante desta análise achar que há possibilidade viável, vou a busca de realizá-la.
Qual o impacto da crise econômica que vive o Brasil em empreendimentos como Chalé Acústico?
O Brasil passa por uma situação econômica bastante delicada. Com o cenário da crise no ar, o consumidor passou a priorizar o planejamento doméstico o que refletiu nos negócios de entretenimento. É um momento que antes de agir temos que repensar nas estratégias que foram utilizadas nos tempos de tranquilidade, transformando-as em táticas mais agressivas. Criatividade a toda prova.  Em tempos de crise, destaca-se quem é diferente e se utiliza de inovações para atrair a atenção do cliente e não adianta neste momento se isolar, procuro sempre unir forças. Driblar dificuldades: Procuro atrair meu freguês e viabilizar sua vinda à casa com shows interessantes agregando promoções na noite. Me preocupo em oferecer “o bom” com as “ vantagens” e não as “vantagens” para se ter “o bom”. Não acredito nesta segunda estratégia. Procuro tomar cuidado com as “promoções”, pois se estas acarretarem mudanças no meu publico alvo, atraindo aquele freguês que só procura descontos e não se fideliza ou interferindo na qualidade do produto oferecido, creio que problemas futuros virão.
Como é a sua rotina como empresária da noite?
Muitas pessoas acreditam que para quem trabalha na noite não existe rotina. Mas há, e muita. O que difere é a forma desta rotina: horários por exemplo. Até acham que o trabalho só acontece aos finais de semana. Meu trabalho é de segunda a segunda, mas cada dia meu foco é direcionado para um segmento, pois minha empresa além de trazer shows musicais, que acarreta muitas tarefas semanais, desde pesquisa, escolha e contratação desta ou daquela banda, tenho que pensar em estratégias, organização e ação do bar, cozinha, manutenção, marketing.... e assim vai, uma rotina sem rotina. 
Como você convive com a concorrência?
Respeito todos meus concorrentes diretos e sempre acreditei na concorrência saudável, como um combustível propulsor para a empresa. Busco informações e observação do trabalho que está sendo realizado em outros bares da cidade e região. Procuro estar atenta as programações, promoções, mas faço para que o meu trabalho aconteça e alavanque minha empresa, pois é isto que se subtrai da concorrência saudável.
Quais suas expectativas para Fernandópolis e para o Brasil este ano?
Quanto a Fernandópolis, tenho boas expectativas, pois acredito no trabalho do novo prefeito e sua equipe. Tem uma aura de esperança e percebo um fôlego para ação. Creio que em 2017 começará a ser vislumbrado atitudes positivas para nossa cidade.
O Brasil, no entanto é um todo que me preocupa. Os juros estão altíssimos e creio que continuarão, devido a riscos de turbulência na política interna e o fator Donald Trump nos EUA. A renda familiar caiu muito, em contrapartida as altas dos preços impedem o mercado de crescer. As perspectivas para mim neste 2017 não são tão boas quanto gostaria que fossem.

 

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