A Terapia Online

OBSERVATÓRIO - 18:15:00
A Terapia Online

Dio Rocha, 45 anos, é graduado em Psicologia (FEF),  em Teologia (Semib no Paraná) e pós graduado  em Docência do Ensino Médio e Superior (FEF). É também autor do livro: “Pare De Sofrer, Seja Você Mesmo - O Resgate Da Alma” (lançado pela Livraria Curitiba e à venda no site do Walmart) que é apresentado como “inquieto e pensante, assim como o autor. É um livro pra estar sempre aberto, ser lido por inteiro ou aos poucos. Faz pensar nas minúcias do cotidiano. Ideal para lapidar a alma”. Recentemente Dio anunciou pelas redes sociais que aguarda autorização do CFP – Conselho Federal de Psicologia para iniciar a “terapia online” que também é chamada de “divã virtual”. Segundo ele, esse atendimento já existe, mas há regras rigorosas de controle. Nesta entrevista ao CIDADÃO, Dio Rocha reconhece em Jesus Cristo o maior dos psicólogos, na Bíblia o livro onde encontra em suas páginas, “tão antigas e tão atuais, refrigério para alma cansada e abatida”. A entrevista é uma reflexão sobre a alma humana e um alerta para uma “geração imediatista, sedentária, que se cobra demais, que está sempre querendo produzir 100%”. Veja a entrevista: 

Você anunciou que está em fase de autorização do Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online.  Por que decidiu aderir ao “divã virtual”?
Há um número grande de pacientes que, durante o processo de psicoterapia, precisam ausentar-se por mudança de endereço, também por acompanhar alguém da família por motivos de enfermidades, férias, viagens a negócios ou mesmo porque não tem um tempo disponível para estar presente nas sessões. Obviamente, poderiam continuar a psicoterapia nas respectivas cidades para onde irão, mas devido a vários fatores, entre eles, a confiança no profissional que o atendia, optam pela continuidade do mesmo. 
Você aguarda autorização do Conselho Federal de Psicologia. Existem regras para esse trabalho?
Sim, estou aguardando a aprovação do site. Existem regras bem claras e específicas. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a nossa categoria possui regras rígidas e um código de ética severo. Isto para limitar os “espertos com diplomas”, para não transformarem esta tão nobre profissão, que visa cuidar da alma que sofre, em mais um meio de sobrevivência. Vou disponibilizar o link para os leitores do jornal se informar completamente sobre o assunto: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Resoluxo_CFP_nx_011-12.pdf
Em que condições você pretende trabalhar com a terapia online para conciliar com a Clínica? 
Já há vários colegas que efetuam este tipo de atendimento online. Não saberia dizer se aqui na cidade já o fazem, mas acredito que sim. Aqui na cidade atendo em horário das 14h00 às 21h. Disponibilizarei alguns horários pela manhã para este fim. 
Qual o limite desse trabalho, principalmente em relação ao princípio ético da profissão?
Os serviços reconhecidos pelo CFP por meio de comunicação à distância devem ser pontuais, informativos e focados no tema proposto, por isso as Orientações Psicológicas não podem ultrapassar 20 encontros virtuais, sejam eles síncronos (por vídeo) ou assíncronos (por exemplo, e-mail). Os limites estão contidos na resolução nº 011/2012 do CFP, que qualquer paciente poderá ter acesso livremente, também fica, obrigatoriamente, disponível o link no site do profissional que oferece este devido serviço. 
Você sempre esteve ligado ao trabalho evangélico e a psicologia é mais recente. Em que momento essas estradas se cruzaram na sua vida?
Sou teólogo desde 1993 e pastoreio igrejas desde então. Cuidar das pessoas que sofrem, antes mesmo de ser uma profissão, para mim, foi uma vocação. Jesus, a meu ver, foi o maior psicólogo que já existiu. Era encantador como as pessoas empatizavam-se com Jesus e com a sua psicologia. Não tinha uma sala, não se vestia com as melhores roupas, não possuía divã, nem poltrona de relaxamento, nem uma clínica climatizada, nem um gabinete ou sala de confissão, não bajulava, mas as pessoas fluíam até ele em massa. Milhares de aflitos de todas as classes sociais: Nobres de estirpe, centuriões romanos, governadores, comerciantes ricos, deficientes visuais, físicos, epilépticos, portadores de deficiência auditiva, esquizofrênicos, psicóticos, bipolares, ansiosos, portadores dos mais diversos tipos de fobias, prostitutas, mendigos, leprosos. Todos queriam ouvir sua mensagem. Todos perceberam que sua psicologia era diferente, importava-se, restaurava laços rompidos, trazia as pessoas ao equilíbrio, melhorava a cognição, trazia cura, libertava a mente dos demônios do passado, afugentava os fantasmas do medo, juntava os diferentes, dava oportunidades para quem errava, e não excluía quem não acertava.
O ponto principal da psicologia messiânica era: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”. Parece estranho alguém fazer uma propaganda desta, mas era isto que ele oferecia mesmo. Era um encontro, uma sessão transformadora. Era capaz de apontar para qualquer pessoa que o procurasse o que, realmente, valia à pena nesta vida. Quando saiam da terapia sentiam-se mais libertos, desejosos por continuar em suas lutas. Reforçava o caráter, dava sentido à sua existência, anulava as vaidades e futilidades, fazia com que voltassem para suas casas e tentassem de novo. Eu, como discípulo Dele, ao entrar na FEF no curso de psicologia, só queria dar continuidade a tudo isto que Jesus promovia. 
A mente humana ainda é um mistério. O que te desafia nesse trabalho de auxiliar o próximo na busca da estabilidade emocional?
Um grande psicólogo chamado C. G. Jung escreveu: “Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com a escuridão dos outros”. Para mim, tenho por certo, que ser psicólogo é ensinar a arte do voo. Não somos mágicos e nem Deus. Somos apenas psicólogos. Somos pessoas comuns, com problemas comuns, com crises, medos, ansiedades e mazelas como todo ser humano normal. Fazemos parte de um pequeno grupo de pessoas escolhidos por Deus para ajudar o outro com seus temores e dificuldades. Há dores que não se curam só, e há pesares que precisam ser divididos e reelaborados através do outro olhar. Olhar que não cobra, que não pesa, que não julga, que não pune; olhar que aconchega, desperta, levanta, aponta opções e abriga. Não damos asas, não criamos asas, apenas mostramos que elas sempre estiveram ali, mas nunca foram usadas. Somos aqueles que, à beira do abismo, olhamos para nossos pacientes e dizemos: Vocês são capazes de voar. É prazeroso devolver as asas para quem as perdeu. Este é o meu maior desafio.
O que você mais ouve em sua Clínica? Quais são os maiores conflitos humanos em tempos de relações cada vez mais virtuais?
Esta é uma lista gigante, mas poderia listar algumas principais causas: Incapacidade de dizer NÃO e, ao dizer, pagar o preço da rejeição; Depressão com as mais diferentes causas; Ansiedade; Falta de iniciativa, de atitude e capacidade para se impor; TOC; Timidez que impossibilita certos níveis de contatos sociais; Traumas e complexos de infância; Perda da autoestima; Divórcio; Síndrome do pânico; Comportamento agressivo; Déficit de atenção; Problemas relacionados a sexualidade; Controle da raiva... É um número sem fim de motivos que nós psicólogos lidamos todos os dias. 
Em artigo, você diz que “somos uma geração dependente de ansiolítico e antidepressivo”.  O que leva a estas dependências?
Esta é uma discussão que não se limitaria a esta matéria aqui. É vasta, técnica, envolve tantas outras reflexões. Em síntese, isto eu digo, que é fruto de uma geração imediatista, sedentária, que se cobra demais, que está sempre querendo produzir 100%. Pessoas que esquecem que não somos máquinas, somos humanos. Que não tem tempo para si mesmo, nem para o lazer, sua família, para suas atividades físicas ou espirituais.  24 horas pensando em trabalho, trabalho, trabalho. Chega uma hora que o cérebro não suporta e, abruptamente, adoece. Ansiedade e depressão não são causas, mas consequências do esforço, resultado final do desequilíbrio que criamos dentro de nós. Aí aparece a indústria dos remédios, criando uma solução rápida e prática para tudo isso. Ninguém para pensar que remédio, sem psicoterapia, não resolve a causa daquela doença psicológica que se instalou naquela mente. No máximo, com exceção dos casos genéticos, onde aquele indivíduo já nasce com desequilíbrio em seus neurotransmissores, o remédio provoca a homeostase ou equilíbrio químico, mas a causa daquele sofrimento continua ali com ele, inalterada. Cabe ao psicólogo ajudá-lo na solução da sua origem, motivo ou causa. Como eu disse, este assunto exige maior profundidade no debate. 
Qual o sinal de alerta para procurar ajuda?
Rubem Alves escreveu: “Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata. Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói. Há certas coisas que não podem ser ajudadas. Tem que acontecer de dentro pra fora”. Só quem sofre, sabe a dor de carregar aquilo por mais tempo. O problema é que, infelizmente, a alma não sangra. Ela não tem fratura exposta, não cheira mal. A alma é silenciosa e uma esplêndida atriz, digna de Oscar. Ela finge, disfarça, mente... Quando o outro percebe sua dor, já é tarde demais, infelizmente. Para piorar, ainda encontramos pessoas dizendo para quem sofre da alma: “Vai trabalhar que passa! Arruma um Hobby. Minha terapia é a pesca e meus amigos. Você sofre sem motivos!”.  No outro dia, lamentavelmente, encontramos esta pessoa em cima de uma cama ou com seu nome divulgado numa página ou rádio da cidade, com os dizeres: NOTA DE FALECIMENTO. Devo buscar ajuda quando eu sei que estou vivendo abaixo do que sou capaz de viver, simples assim. Somente aquele que sofre, sabe o peso daquela dor.
Você postou que a Bíblia é sua companheira inseparável.  É o seu livro de cabeceira, onde encontra todas as respostas?
Immanuel Kant afirmou: “A existência da Bíblia, como livro para o povo, é o maior benefício que a raça humana já experimentou. Todo esforço por depreciá-la é um crime contra a humanidade”. A Bíblia fala de gente como a gente. Até mesmo Jesus Cristo, em seus últimos momentos de vida, experimentou a angústia, ansiedade, medo, pedindo para Deus, se possível, afastar Dele aqueles momentos de cruz. Eu encontro em suas páginas, tão antigas e tão atuais, refrigério para esta alma cansada e abatida. Já as li dezenas e dezenas de vezes, cada vez, por mais incrível que pareça, como se fosse a primeira. Sou um ser com os cincos sentidos. Para eles, tenho água, pão, deleites, MPB e tudo mais que os enquadram. Sou um ser com uma alma inquieta.  Para ela, tenho quase mil livros lidos, tenho os meus prazeres e volição. Sou, mais do que tudo isso, um ser com um espírito. Para ele, tenho a Bíblia. Nela, encontro as respostas para a principal de todas as questões: O que vai ser depois daqui, depois que tudo aqui se acabar? Compartilho da angústia de C. S. Lewis, escritor das Crônicas de Nárnia:  “Há várias coisas com as quais eu não me preocuparia se fosse viver apenas setenta anos, mas que me preocupam seriamente com a perspectiva da vida eterna.”  

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