“O fernandopolense usa água racionalmente”

OBSERVATÓRIO - 17:16:26
“O fernandopolense usa água racionalmente”

Cada fernandopolense, em média, consome cerca de 150 litros d´água por dia, suficiente para atender todas as suas necessidades. Para o gerente de Divisão da Sabesp em Fernandópolis, Antonio Carlos de Oliveira, 65 anos, esse consumo está dentro do chamado “consumo racional”.  Hoje toda a água servida à população de Fernandópolis vem do Aquífero Guarani, uma das maiores caixas d´água subterrâneas do mundo. Com 4 poções produzindo cerca de 16 milhões de litros por dia, o consumo de água medido pela Sabesp, chega a 13,4 milhões/dia. Ainda há uma sobra o que garante tranquilidade no abastecimento por mais dois anos. Mas, a Sabesp já está iniciando a perfuração do Poção V para suprir a demanda até 2029. O mundo inteiro falou da água potável nesta semana em que se comemora o Dia Mundial da  Água (22 de março). Para o engenheiro Antonio Carlos de Oliveira, a data serve de reflexão. Nesta entrevista ao CIDADÃO ele faz uma radiografia do abastecimento de água em Fernandópolis e da despoluição de mananciais como o Ribeirão Santa Rita e Córrego da Aldeia, com a implantação do sistema de tratamento de esgoto: 
Nesta semana foi comemorado o Dia Mundial da Água. Qual reflexão deve ser feita sobre o consumo de água por nós seres humanos?
Desde 1993 quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água a importância desse precioso líquido, seus diversos usos e relações com o desenvolvimento e progresso da humanidade passaram a ser temas ainda mais debatidos por todos os setores da sociedade. De maneira geral, este se transformou em uma data de reflexão internacional sobre a escassez e a necessidade do uso racional da água e, acima de tudo, um dia para difundir informações que enfatizem o fato de que cada cidadão tem o direito de usufruir a água, assim como o dever de preservá-la. Pensando dessa forma, por ter a água como seu principal produto, a Sabesp comemora o Dia Mundial da Água não somente no dia 22, mas também durante todos os 365 dias do ano, levando este bem mais precioso do mundo todos os dias a população dos Municípios em que é responsável pelos serviços de saneamento. Em Fernandópolis, participamos de palestras em escolas, visita dos alunos nos sistemas de produção de água, distribuição de folhetos e cartazes, com objetivo de conscientização da nova geração sobre o uso racional da água, evitando desperdícios. 
O fernandopolense esbanja água? 
Não. A população de Fernandópolis, ao longo desses 42 anos de operação da Sabesp no Município, tornou-se consumidora consciente. Utilizando a água racionalmente.
O que seria o limite do chamado “consumo consciente”?
O consumo consciente já é praticado pela população de Fernandópolis e demais municípios operados pela Sabesp na região, que é de 150 litros/dia por habitante, suficientes para atender todas as necessidades de alimentação, limpeza e higiene pessoal.   
Qual a produção atual de água de Fernandópolis  que chega às torneiras?
Atualmente temos 4 poções do Aquífero Guarani em operação, com produção diária de 16.000 m³ (16 milhões de litros) e volume de consumo micromedido (hidrômetros) de 13.440 m³/dia (13,4 milhões de litros/dia). 
Muito da água tratada se perde pelo caminho até chegar ao consumidor. Qual o volume de perda na cidade? 
Em Fernandópolis e, em todos os Municípios operados pela Sabesp na Unidade de Negócio Baixo Tiête e Grande – Superintendência Regional de Lins, temos um controle rigoroso no combate as perdas, com constantes pesquisas de vazamentos invisíveis, instalação de válvulas redutoras de pressão, pesquisas com geofones, rastreamento de ligações com baixo consumo, etc. O volume de perdas em Fernandópolis é 85 litros/ramal/dia, equivalente a 16% do volume total produzido, índice excelente, comparado com normas internacionais que consideram  20% como um bom índice de perdas.
Esta semana,  alguns bairros receberam água mais turva do que o normal. O que ocorreu? 
Na madrugada de sábado, 18, por volta das 1h30 houve um vazamento na adutora do recalque do Poção I e logo em seguida faltou energia elétrica, paralisando o sistema de bombeamento. Com a paralização do sistema de bombeamento, no local do vazamento criou-se uma pressão negativa no interior da adutora que sugou parte da terra para dentro da tubulação. Quando a energia elétrica foi restabelecida, o sistema de bombeamento voltou a operar e recalcou parte de água suja da adutora para dentro do reservatório de distribuição de água, aumentando a cor e turbidez da água reservada e distribuída para vários bairros. Assim que constatamos o problema, várias equipe da área técnica percorreram os bairros afetados no sábado, domingo e segunda-feira, efetuando descargas nas pontas de rede para limpar a água e hoje a situação encontra-se normalizada.
Fernandópolis extrai água do Aquífero Guarani, que é apontada como uma das maiores caixas d´água subterrânea do mundo. Qual o controle que se tem desse aquífero? Existe algum limite para extração de água?
Embora a maior parte de água esteja retida entre as rochas, os aquíferos têm zonas vulneráveis sujeitos a poluição e à superexploração, o que as torna frágeis do ponto de vista da qualidade e ainda mais necessidades de cuidado e proteção. As áreas de recargas do aquífero em Ribeirão Preto e Botucatu, são as mais frágeis, pois nessas regiões o aquífero aflora e fica exposto a contaminações externas. Enquanto em Fernandópolis, o aquífero está a 1.600 metros de profundidade. Em Ribeirão Preto, poços com 100 metros de profundidade já encontram o aquífero e, devido a superexploração, o manancial está rebaixando reduzindo as vazões. Inclusive, já existe Lei Municipal delimitando as áreas de perfuração de novos poços, com exclusividade para abastecimento público. Existe um Programa do Aquífero Guarani, que está sendo desenvolvido em conjunto pelos quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), cujo objetivo é aprofundar e consolidar os conhecimentos a respeito deste manancial subterrâneo que em alguns pontos, especialmente no Brasil, é intensamente utilizado no abastecimento público e também para atividades como a indústria, a agricultura e o turismo.
Cidades com reservatórios na superfície muitas vezes sofrem consequências de abastecimento por causa da falta de chuva. Esse risco não existe para as cidades que são abastecidas pelo aquífero Guarani?
Não, pois, as áreas de recargas do aquífero são bastante extensas e distantes, passando pelo Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil, porém, a superexploração provoca o rebaixamento e consequentemente reduzindo as vazões dos poços, colocando em risco o abastecimento.  
Fernandópolis tem quatros poços profundos e já se prepara para perfurar o quinto. Esse sistema dará folga no abastecimento por quanto tempo?  
O sistema de produção atual atende a demanda nos próximos dois anos. Com a perfuração do Poção V, com vazão estimada em 300 m³/h (300 mil litros/hora), ao custo de R$ 3.327.000,00, mais as obras complementares (como sistema de resfriamento, reservatório, estação elevatória, adutora, etc),  a previsão é atender a demanda de crescimento nos próximos 12 anos, ou seja até 2029.
Pela avaliação da Sabesp, Fernandópolis será sempre abastecida por água subterrânea ou já terá que pensar no futuro em outro sistema de captação?
Fernandópolis será sempre abastecida por água subterrânea – Aquífero Guarani. Água de ótima qualidade, confinada a 1.600 metros de profundidade, custo baixo se comparado com abastecimento superficial (Rio São José dos Dourados e Represa de Água Vermelha) de custo altíssimo para transporte, tratamento e distribuição. Além disso, a qualidade da água da Represa Água Vermelha vem sofrendo o processo de eutrofização  (excesso de algas).
A Sabesp já tem avaliação sobre a recuperação dos córregos que antes recebiam o esgoto sem tratamento? Qual a situação?   
Os esgotos tratados de Fernandópolis, atendem a legislação ambiental, com redução da carga orgânica em até 90%, sendo que a legislação exige redução de 80%. De acordo com análises semestrais realizadas nos corpos receptores, Ribeirão Santa Rita e Córrego da Aldeia, a carga em DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) é menor de 5mg/l e o Oxigênio Dissolvido é maior que 5mg/l, permitindo condições suficientes para a vida aquática dos corpos receptores.  
O que o futuro reserva para Fernandópolis na questão da água? Qual deve ser o comportamento do fernandopolense? 
Nós da Sabesp acreditamos muito em nossa empresa e na capacidade, dedicação e comprometimento de nossas equipes, portanto, o futuro de Fernandópolis com relação a questão água, é de crescimento sustentável, com  acompanhamento constante de nossos sistemas produtores, para atender toda a demanda da população em quantidade e qualidade com a marca Sabesp. E que a população de Fernandópolis, continue usando racionalmente esse bem mais precioso do Mundo, a água.

 

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