Técnica adaptada ajuda crianças que colecionam fracassos escolares

OBSERVATÓRIO - 18:03:14
Técnica adaptada ajuda crianças que colecionam fracassos escolares

O psicólogo clínico Ricardo Alexandre Sant’Anna, 36 anos, é um apaixonado pela Abordagem Analítica Comportamental (Behaviorista). Com 10 anos de experiência na Psicologia, ele está trazendo para Fernandópolis um novo método  adaptado que pretende ajudar crianças com dificuldade de aprendizagem e que colecionam fracassos escolares. O método é inspirado em metodologia psicológica ABA (sigla em inglês) - Análise do Comportamento Aplicada utilizada especificamente com crianças do espectro Autista, com resultados altamente eficazes no trabalho de intervenção. “O que fiz foi adaptar esta abordagem às crianças que apresentavam somente dificuldade de aprendizagem e fracasso escolar, o resultado foi fantástico”, diz o psicólogo. Com clínica na Rua Sergipe, próximo ao Mercadão, Ricardo Sant’Anna  diz em entrevista ao CIDADÃO  que “geralmente o que ‘trava’ a alfabetização dos alunos são os problemas de ordem emocionais, cognitivos  e sociais”. Veja:

O que significa o projeto O Alfabetizador?

Trata-se de um sonho para ajudar crianças a um custo baixo, são aulas particulares na unidade de ensino, onde se oferta um curso muito eficaz na alfabetização, em formato de reforço especializado. O serviço busca objetivo em horário oposto ao escolar. Neste curso são oferecidos dois atendimentos semanais e treinamento dos pais na aplicação do método em casa. Ele é indicado especificamente para crianças com dificuldade significativa na aquisição da habilidade de leitura, escrita e matemática, ou seja, crianças com bloqueios nestas áreas. E para crianças com altas habilidades também, a partir de quatro anos. Entendemos a criança de modo holístico e o trabalho é personalizado.

Você coloca esse projeto como realização de um sonho. Em que momento foi despertado para essa iniciativa?

O sonho de trabalhar com este projeto nasceu há alguns anos. Não suporto ver crianças sofrendo e nós, os adultos, não sabermos como lidar com este problema.  Quando terminei minha graduação em 2006 aqui em Fernandópolis e comecei a atender um número significativo de crianças com esta dificuldade escolar em Ouroeste, onde sou funcionário publico. Percebi que algumas crianças usavam “Ritalina” ou outros medicamentos.  Em minha opinião um absurdo, como se o problema de inabilidade pedagógica pudesse ser solucionado com pílulas. Enfim, foram sete anos e muitos cursos, para se chegar a uma abordagem eficaz de atendimento, tudo isso somado a três anos de amadurecimento e aperfeiçoamento da adaptação do método para crianças que não se alfabetizam com métodos de ensinos tradicionais.

Esse projeto é inspirado em algo similar?

Sim! Inspirado na metodologia psicológica ABA (sigla em inglês) - Análise do Comportamento Aplicada, utilizado especificamente com crianças do espectro Autista, com resultados altamente eficazes no trabalho de intervenção. O método ABA possui uma série de publicações cientificas principalmente nos EUA, que testificam sua eficácia. O que fiz foi adaptar esta abordagem às crianças que apresentavam somente dificuldade de aprendizagem e fracasso escolar, o resultado foi fantástico.

Quando você fala em crianças com deficiência de aprendizagem, qual seria a origem do problema?

A origem destas deficiências não está somente na criança, mas principalmente no contexto de ensino atual. Geralmente o que “trava” a alfabetização dos alunos são os problemas de ordem emocionais, cognitivos (capacidade intelectual um pouco abaixo da média) e sociais (timidez escolar, medo da escola, do professor, etc.) Quando se fala em problemas emocionais, estudos revelam que a ansiedade escolar e o sentimento de insegurança por si só, tem grande potencialidade de provocar bloqueios que travam a aprendizagem de alfabetização do aluno!

Esse tipo de problema na aprendizagem é detectado tanto em estudantes da rede pública quanto privada?

Sim, a rede pública e privada compartilham da mesma dificuldade quando se trata de lidar com o fracasso escolar, embora esses alunos não representem a maioria, mas compõe uma parcela significativa deles. As escolas esgotam seus recursos para ajudá-los sem muitos resultados efetivos. As crianças rompem com o tempo de alfabetização e se veem em uma série avançada sem saber ler ou entender o que lê e este fato causa muito sofrimento pessoal para o aluno e para família.

Qual a dificuldade recorrente entre criança e que o projeto pode auxiliar?

As dificuldades destas crianças na alfabetização são enormes e é recorrente a incapacidade do sistema educacional e da saúde em solucionar esta demanda, não por negligencia, mas por falta de atendimento especializado com metodologia diferenciada. O projeto O Alfabetizador tem potencial em auxiliá-los na construção das habilidades, evitando posteriores danos na personalidade da criança.

Através desse projeto, existe um prazo para que a criança supere as dificuldades que apresentava?

Não é possível determinar um prazo específico, pois depende do estado emocional e cognitivo da criança, mas há uma média geral de seis meses para apresentar resultados significativos na alfabetização, quando aplicado em crianças que já estão há anos na escola colecionando fracassos na aprendizagem! Temos por exemplo, a história de um aluno que atendemos, ele possuía cinco anos de vida escolar e só sabia escrever o próprio nome. Após um ano de trabalho estava totalmente alfabetizado!

Se o problema não for resolvido, quais as consequências para essa criança?

Este fracasso nos anos iniciais da vida escolar pode trazer como consequência traumas psicológico que afetarão toda a vida acadêmica deste indivíduo, prejudicando seu relacionamento interpessoal, causando-lhe baixa autoestima, fracasso nos estudos posteriores e até desistência na continuidade da vida acadêmica. Hoje, estudos revelam que a taxa de analfabetismo funcional é altíssimo entre a população.

Essa dificuldade geralmente termina em buyling na escola, o que pode contribuir para uma piora da situação?

O abandono deste aluno é o principal fator de contribuição, ou seja, quando educadores dizem “esse não tem jeito, já tentamos de tudo!” há certa desistência, gerando discriminação, segregação e danos emocionais na criança. A criança avança nas séries sem saber o necessário para estar ali.

Esse projeto poderia ser aplicado também para crianças portadoras da Síndrome de Down ou Autismo?

Sim, na realidade já é aplicado em grandes centros urbanos com estes indivíduos. O método psicológico “ABA” trabalha mais especificamente com autistas. Foi no meu trabalho com autistas que nasceu a ideia da transposição da aplicação desta abordagem a alunos sem deficiência, que apresentava somente fracasso escolar e foi um resultado surpreendente.

Você fala também em desenvolver através do O Alfabetizador um projeto social com estudantes de escolas públicas. Como seria?

Projeto O Alfabetizador viabilizará o fornecimento de auxílio nos custos do serviço ofertado, oferecendo bolsas parciais e integrais aos alunos carentes de Fernandópolis. Temos capacidade de atender 100 alunos por semestre, partes destes alunos serão de crianças carentes, para isso será feita uma seleção. Um sonho seria implantar este projeto gratuitamente em uma sala especial dentro de todas as escolas municipais de Fernandópolis!

A formação do cidadão integral passa pela solução desses gargalos na educação?

Evidentemente que sim, pois como cita Paulo Freire, a visão parcial do aluno produz uma Educação Bancária, como se alunos fossem bancos de depósitos de saberes prontos, não lhe desenvolvendo o senso crítico, não levando o aluno em consideração quanto as suas emoções e aspectos socioculturais envolvidas no processo.

Para os pais, que muitas vezes veem essa dificuldade como uma preguiça da criança, o que você diria?

Esta pergunta é muito relevante. Informo os pais de que: “não se trata de preguiça simplesmente, isso é uma forma simplista de pensar um problema complexo. Estamos atribuindo toda culpa à criança que já está sofrendo. Isso aumenta o tamanho do problema e traumatiza as crianças que vocês tanto amam e educam”. O que deve ser mudado são os arranjos inadequados de ensino, em muitos casos, a má postura dos educadores, o modo de enxergar a criança e a fase que ela está atravessando. Entender que os aspectos emocionais, intelectuais e sociais são interdependentes e fazem parte da mesma demanda. O amor, carinho e a competência de educadores são fundamentais para isso. 

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