“Não haverá caça às bruxas”, diz novo gestor da Santa Casa

OBSERVATÓRIO - 18:24:27
“Não haverá caça às bruxas”,  diz novo gestor da Santa Casa

A semana começou diferente na Santa Casa de Fernandópolis. A nova equipe de gestores da OSS da Santa Casa de Andradina já ocupa os postos chaves da administração, sob o comando do presidente da OSS, Fábio Antônio Óbici. Ele anuncia o novo perfil administrativo que pretende implantar na Santa Casa é baseado no sistema 5 Ss e diz que o modelo de gestão vai mudar integralmente a começar pela implantação de dois caixas para separar o sistema de recebimento, um para os serviços da Santa Casa e outro para os serviços médicos. Nesta entrevista ao CIDADÃO, Óbici aponta que a situação da Santa Casa é delicada, julga fundamental conter o déficit mensal do hospital e estima que a “sangria” seja contida em 30 dias. Mas, prevê que para organizar tudo vai de 2 a 3 anos. A boa notícia é que a reforma do pronto-socorro começa em breve. Veja a entrevista: 

A OSS de Andradina chega a Fernandópolis com know-how em gestão hospitalar com resultados positivos. Qual o perfil administrativo que a OSS traz para a Santa Casa?
O nosso perfil administrativo é pautado na austeridade, organização financeira e de faturamento. É um perfil de linha organizacional. A gente busca, na verdade, os 5 Ss que foram implantados pelos japoneses lá atrás (que são: senso de utilização, de organização, de limpeza, de padronização e saúde e de disciplina e autodisciplina). A partir do momento que tomamos conta de uma situação a gente passa a detectar os problemas e organizar um por um. Aqui na Santa Casa são dezenas de setores, embora seja uma instituição só, ela é subdividida em vários setores. Então nós temos que atacar setor por setor, organizá-los, de forma que um se torne engrenagem do outro. 
A Santa Casa de Fernandópolis é o maior desafio para a OSS?
Não, de jeito nenhum. Com a sociedade que Fernandópolis tem não é o maior desafio. É um grande desafio. Mas, levando-se em consideração a participação da sociedade de Fernandópolis, o apoio que o prefeito André Pessuto vem dando junto com os deputados Fausto Pinato e Gilmar Gimenes, não se torna o maior desafio. É desafiante, mas acredito que será bem tranquila a condução da Santa Casa.
Entre o modelo de gestão encontrado na Santa Casa e o que a OSS quer implantar, qual a principal mudança?
Tudo. Embora as pessoas que estivessem aqui, como o próprio Edilberto Sartin e sua equipe, fossem pessoas extremamente bem intencionadas, idôneas, responsáveis, a gestão administrativa da Santa Casa de Fernandópolis era inexistente. Tem que mudar tudo. Estávamos agora em uma reunião para decidir a mudança de caixa e essa é uma informação em primeira mão. Estamos mudando o sistema de recebimento da Santa Casa. Vamos implantar um caixa para a Santa Casa e um caixa para os médicos. A população de Fernandópolis quando vier ao hospital vai saber exatamente o que está sendo pago para a Santa Casa e o que está sendo pago para o médico. Isso para a gente começar a ter um controle do que é realmente da Santa Casa. Era tudo misturado. Era um caixa só e isso não dá uma gestão boa no financeiro, porque precisamos saber o que entra para a Santa Casa e o paciente tem que saber o que ele está pagando. É importante saber. O paciente não pode achar que tudo veio para a Santa Casa ou que tudo foi para o médico. Vamos precisar de um tempo para colocar isso em prática por conta do espaço. Vamos ter que montar dois caixas e cada um (Santa Casa e médicos) cuida do seu. 
Como será a relação com os médicos, parceiros e planos de saúde?
Nós vamos procurar fortalecer a relação com médicos, parceiros da Santa Casa e com as empresas. Mas, eu já disse e repito: desde que seja salutar para a Santa Casa. Nós não queremos dar prejuízo para ninguém e não podemos tomar prejuízo. Temos que ter uma relação bem próxima, fortalecida, onde todos recebam pelo seu trabalho. É essa a nossa proposta.
Com os servidores. Alguma mudança?
Eu agradeço a pergunta. Esse é o momento de passar uma tranquilidade para os servidores. Os servidores da instituição precisam ter a certeza de que não vai haver facão e não está aberta a caça às bruxas. Nós temos que valorizar os nossos servidores, vamos procurar fazer de tudo para regularizar a situação deles, porque hoje os servidores estão com folha de pagamento em atraso. Temos que motivar esses servidores e a primeira coisa para motivá-los é regularizar a situação e valorizá-los. Vamos mudar a questão da valorização, de acerto, de salário. Vamos reunir com o sindicato dos servidores para a gente achar um meio de regularizar toda a situação que hoje impera na Santa Casa.
O ex-provedor Edilberto Sartin disse, antes de sair, que já tem recurso disponível para reforma do pronto-socorro e de uma unidade de internação. Essas reformas começam logo?
Com relação ao pronto-socorro a gente quer começar rapidamente. É o primeiro lugar que temos que atacar na reforma da estrutura física do hospital, porque a gente detectou que é um lugar muito deficitário na parte humanitária. Estamos já estudando para onde vamos levar o pronto-socorro para funcionar provisoriamente até que a gente reforme esse prédio. Com relação a unidade de internação, o Sartin comentou isso conosco, parece que as voluntárias da Volfer conseguiram verba para reformar essa ala. Vou ter uma reunião com elas na semana que vem e vamos definir também isso. Agora, a prioridade é o pronto-socorro.
A partir dessa reforma já começa a mudar a cara da Santa Casa?
Começa e não para. Nós vamos começar a reforma do pronto-socorro e continuar. A nossa ideia é reformar o prédio inteiro. Inclusive eu estive hoje (terça-feira) no  centro obstétrico para detectar um problema que os médicos obstetras nos passaram. Vai ter que ser feita uma reforma na parte de esterilização de materiais. Coisa simples de resolver. Vamos começar e não paramos mais. Tem vários pontos para ser atacado. 
E os recursos para essas obras?
Como falei no início, pela sociedade que Fernandópolis tem não é difícil de resolver. Eu fiquei encantando com a sociedade de Fernandópolis. Nas cidades que a gente atua na saúde eu nunca vi nada igual. Estou falando isso de coração. Falei isso na sexta-feira (no II Confraternização Municipal), falei para o prefeito, para o presidente da Câmara e estou falando aqui. Não é demagogia não, estou falando de coração. Vai resolver o problema. Eu quero que você coloque esta frase, estou te pedindo: Eu vim para cá para ensinar como administra um hospital e voltei para minha casa aprendendo o que é ter uma sociedade numa cidade. Isso me emocionou muito. 
A dívida anunciada em janeiro pela provedoria da Santa Casa era de R$ 28 milhões e déficit mensal de R$ 600 mil. O que resolver primeiro, dívida ou déficit?
Déficit. Primeiro temos conter o déficit. Aqui eu queria parabenizar o Sartin. Esse foi o primeiro passo para que a transparência começasse a existir na Santa Casa. Por que um provedor chamar a imprensa e colocar a situação na mesa é porque tem a intenção de ajudar mesmo. Parabéns ao Sartin pela postura e à diretoria dele. Nós estamos trabalhando para conseguir estancar o déficit. A dívida tem que ser redimensionada para começar a ser paga. Não adianta tentar levar os dois (problemas) de uma vez que a gente não consegue. A questão primeira é o déficit. No prazo de 30 dias a gente consegue equacionar a questão do déficit e depois o segundo passo é acertar a questão da dívida em longo prazo. 
Dá pra estabelecer um prazo, na linha do tempo, para a Santa Casa atingir o equilíbrio financeiro?
Olha, só para vocês terem uma ideia nós já estamos trabalhando e equacionando problemas. Por exemplo, a nossa escala de pediatria já está completa, o que não vinha acontecendo. Quando falei que a população começaria a sentir diferença no atendimento era por conta disso. Os médicos da ginecologia e obstetrícia já sinalizaram no sentido de também trabalhar, o pessoal da cardiologia também. Então a gente já começou com o apoio do corpo clinico resolvendo o problema de atendimento. Com relação, a mudança da Santa Casa, eu repito: nesse primeiro ano vai ser bem sensível a mudança e muita gente vai perceber isso. A Santa Casa está no caminho certo e vai levar de dois a três anos para organizar tudo. Não tem como prever antes, é muita coisa que tem que ser feito e só se consegue neste prazo por conta das pessoas que estão envolvidas conosco que é a irmandade da Santa Casa, o Conselho de Administração, a sociedade de Fernandópolis e o prefeito. Aqui tem tudo para dar certo. Não tem como dar errado. A gente quer trabalhar.
A Santa Casa teve relação de dificuldade com os prefeitos. Já conversou com eles?
Saúde é prioridade, embora a gente entenda que as prefeituras também estão com dificuldades.  Já fizemos reunião com os prefeitos, com secretários de saúde e todos acenaram positivamente em ajudar a Santa Casa. Essa reunião só foi possível graças ao trabalho da diretoria do Sartin de fazer todo o levantamento da situação da Santa Casa o que nos deu a condição de mostrar o prejuízo que o hospital vem absorvendo mês a mês. Então isso ajudou muito. 
E em relação ao SUS e sua tabela defasada?
Que a tabela do SUS é defasada isso não é novidade. O que temos de fazer é trabalhar dentro daquilo que o SUS contrata. O que o SUS contratou a Santa Casa vai fazer. O que o SUS não contratou nós não podemos fazer. Essa é a regra. A população vai ficar sem atendimento? De jeito nenhum. Caso de urgência e emergência não existe regra. Ai é exceção da regra. Todo mundo será atendido independente do SUS pagar ou não, mas existe um contrato entre Santa Casa e SUS onde é pactuado o que tem que executar. E nós vamos executar o que foi pactuado.
A OSS vem para Fernandópolis com aval com Governo do Estado. Isso significa que o governo vai ajudar nesta recuperação?
Olha, o governo do Estado via Secretaria Estadual de Saúde deu todo o aval para que viéssemos pra cá e se comprometeu em ajudar. Isso é importante. Se não tiver ajuda, não vai. Ninguém é salvador da pátria. O que a gente tem é uma gestão muito profissionalizada na área de saúde. Existe sim o compromisso de ajuda estadual. 
O senhor preside a OSS, mas a Santa Casa terá um gestor? 
Eu venho a Fernandópolis toda semana, isso é um compromisso que tenho. Aqui vamos ter o Fernando Cordeiro Zanqui  que será o provedor, o Duilio que é gerente administrativo geral do hospital. O Luciano Jara que vai morar aqui é o gerente financeiro, o David Conte Módena gerente de compras. Vamos aproveitar o pessoal da própria instituição. Não podemos abrir mão desse pessoal e nem gerar desemprego e sim valorizar. No ponto nevrálgico da Santa Casa, o nosso pessoal chegou e já está trabalhando.
Qual a mensagem que senhor deixar à população que viveu o medo de ver seu hospital fechar as portas?
A Santa Casa não vai fechar de jeito nenhum. O recado que vou deixar à população: acreditem, porque eu estou acreditando em vocês e muito. 

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