A Unimed no eixo

OBSERVATÓRIO - 19:27:45
A Unimed no eixo

Desde o início deste mês o médico Sandro Rogério Serafim, 45 anos, é novo presidente da Unimed Fernandópolis. A proposta para o novo mandato é consolidar a recuperação e manter a Cooperativa no eixo. De uma gestão fechada antes de 2013, a Unimed vive novos ares. Saiu de um cenário catastrófico, inclusive perante a ANS - Agência Nacional de Saúde. Hoje a Cooperativa vem registrando saldo positivo nos últimos anos e tem sua situação regularizada na ANS. Serafim destaca o papel dos cooperados (“poucos foram os que abandonaram o barco”) e dos usuários do plano (“Eles viram em nossos olhos a coragem e dignidade  para poder reerguer a empresa”). Nesta entrevista ao CIDADÃO, o novo presidente faz relatos das dificuldades e vitórias alcançadas ao longo dos últimos anos. Apesar da crise que assombra o País,  diz com convicção: “o pior já passou”. Confira:

O senhor assumiu recentemente a presidencia da Unimed? Qual é a meta da atual gestão?

Principalmente manter a Unimed no eixo, meta que vem desde que a diretoria atual assumiu a gestão, consolidando cada vez mais a qualidade no atendimento e cuidado com as pessoas. E trabalhando pelo fortalecimento do cooperativismo com os colegas.

O senhor já integrava a diretoria que assumiu o comando da Cooperativa após a eclosão da grande crise em 2013. Como foi o processo de recuperação financeira e da imagem da Unimed?

Sim. A gestão anterior a 2013 não era participativa. Hoje não temos mais uma única opinião nas decisões tomadas. A gestão é outra, membros dos conselhos têm voz ativa e nos reunimos sempre que necessário. Nossos colaboradores são de extrema importância nas nossas diretrizes. O processo de recuperação financeira foi pesado, cada cooperado teve que ajudar a pagar o prejuízo que a cooperativa apresentava, R$ 4 milhões num primeiro momento. Foi muito amargo esse remédio, mas não tinha jeito, era fazer ou fechar, e a responsabilidade era grande. Contamos com o apoio de praticamente todos os cooperados, raros abandonaram o “barco”. E, assim, instituímos uma gestão profissional, gerência atuante, setor jurídico participativo e ativo e atuação técnica fundamental de nossos colaboradores. Tudo isso, sem deixar de cumprir com nossas obrigações. Nossos usuários não ficaram sem atendimento. Acho que foi aí o nosso grande mérito. Com isso a imagem acabou sendo preservada.

Já considera que a fase mais critica passou?

Hoje na saúde suplementar do Brasil não existe fase crítica que passa, a cada dia podemos ter uma surpresa desagradável. Mas sim podemos dizer que o pior já passou. Posso ter esta convicção, baseado na colaboração e compreensão de nossos cooperados, que não mediram esforços para resgatar o brio de nossa cooperativa.

Como foi o relacionamento da Unimed neste período de recuperação com o seu usuário?

Foi, até de certa forma surpreendente. Os poucos problemas foram solucionados. Os usuários viram em nossos olhos a coragem e dignidade  para poder reeguer a empresa. Somos muito gratos pela confiança depositada.

Quais são os planos da cooperativa para os usuários?

Primeiramente manter o bom atendimento, não deixar que os nossos usuários fiquem sem os tratamentos necessários contratados junto a nossa empresa, cumprindo a expectativa do contrato firmado. Começamos já a fazer um trabalho para identificar onde podemos colaborar mais com o bem-estar deles. Por isso, incrementamos as medidas de saúde preventiva, setor que ficou um pouco de lado, em virtude dos problemas que tivemos que enfrentar inicialmente. O fortalecimento deste setor é uma das prioridades neste momento.

E o relacionamento com o cooperado? Como está?

No início foi confuso, mas a transparência adotada pela diretoria que assumiu foi  importantíssima. Estávamos todos os cooperados (diretores ou não), tomando “pé” da situação e, parece que já imaginávamos que as coisas não iam bem. Como disse, o remédio foi amargo e duro de engolir, mas não tinha outro jeito. Hoje, o cooperado, pode entrar na sede e conversar com os colaboradores e diretores sem constrangimentos. Ele sabe que a empresa é dele e se ela voltar a dar prejuízo vai ter que arcar novamente.

Neste período, a Unimed se viu também às voltas com problemas com a Agência Nacional de Saúde. Essas questões estão superadas?

Essa foi uma página terrível. Assumimos e descobrimos que não  éramos bem vindos junto a Agência. Mas não abaixamos a cabeça e trabalhamos exaustivamente em todas as exigências que nos fizeram: aporte financeiro, documentos, metas, informes, muitas coisas que não eram elaboradas de longa data. Fizemos tudo. Mas, parece que não conseguiríamos, sempre apareciam novas “missões” e,  nova correria. Nesse momento, foi crucial a participação do Deputado Fausto Pinato, que se sensibilizou com o nosso esforço, nossa garra e encampou nossa causa e com isso conseguimos regularizar nossa situação. Hoje estamos num convívio bom com a Agência, tendo em vista que  cumprimos com todas nossas obrigações.

 A crise econômica brasileira afastou muita gente dos planos de saúde. Qual foi o reflexo para a Unimed? Como enfrentam essa situação?

Ainda teve isso. Para falar a verdade, tinha hora que a única certeza era não saber aonde iríamos parar. A crise que ainda assombra nosso Brasil, atingiu em cheio a área da saúde suplementar, muitos planos de saúde são ligados às empresas e com as demissões diminuiu o número de usuários retraindo o faturamento. Só que tudo aconteceu de uma vez. Começamos do zero, de qualquer jeito e conhecemos o fundo do poço. Várias medidas foram tomadas, otimizamos nossos custos, economizamos tudo o que podíamos (lâmpada só fica acesa se tiver alguém perto), viagens só  em extrema necessidade. Nosso jurídico, grande parceiro, foi brilhante no contencioso que tínhamos de herança. Renegociamos com prestadores. Enfim, cuidamos de nossa empresa.

A Santa Casa de Fernandópolis está iniciando nova gestão, com a chegada de OSS que tem know-how em gestão hospitalar. Como a Unimed está acompanhando esse processo?

Já tivemos um primeiro contato com parte da diretoria da OSS que nos deixou uma boa impressão. Eles nos passaram a visão que vão cuidar da Santa Casa como uma empresa e isso nos anima muito. Creio que estabeleceremos uma parceria saudável para as duas partes e, com isso, para Fernandópolis e sua população. Eles estão se inteirando da estrutura do hospital e quando for a hora sentaremos e nos entenderemos.  

Como espera o relacionamento da Unimed com a Santa Casa a partir dessa nova gestão?

A Unimed sempre foi e sempre será uma grande parceira da Santa Casa. Sempre dizemos que, para uma estar bem, a outra também tem que estar bem. Nosso usuário quer e merece um bom atendimento e isso é o que procuramos em nossas parcerias. Esperamos um relacionamento empresarial salutar e promissor para ambas as partes, o sucesso de uma tem tudo a ver com o sucesso da outra e assim todos cresceremos.

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