O casal que trocou a depressão por corridas

OBSERVATÓRIO - 19:25:58
O casal que trocou a depressão por corridas

Na Maratona Internacional de São Paulo realizada no início de abril  lá estavam eles juntos com uma turma de Fernandópolis para o desafio dos 42,1 km. O casal Fátima e Humberto Cáfaro é  “figurinha carimbada”  quando o se trata de evento esportivo. Já disputaram duas maratonas e 55 outras provas. O engenheiro agrônomo Humberto Cáfaro Filho sempre foi esportista. Desde os seis anos de idade, já praticava judô e ao longo da vida experimentou várias modalidades, entre elas Rugby, Surf, Motocross . Hoje aos 55 anos, se dedica a corrida, ciclismo e triathlon.  Já a esposa Fátima Madalena Coutinho Lourenço Cáfaro, 53, que sofria de bronquite asmática quando criança, se formou em Educadora Física e começou a se envolver com o esporte na faculdade. Portanto, o esporte sempre esteve presente na vida do casal. Agora, por uma razão diferente. Humberto explica que quando as filhas saíram de casa para estudar em São Paulo foi um momento muito difícil que os psicólogos chamam “síndrome do ninho vazio”. “A consequência foi uma depressão enfrentada pela Fátima. Sugeri então que trocássemos os fins de semana solitários e depressivos por treinos de corrida e o resultado foi impressionante”.  Hoje o casal treina e corre junto. Segundo Humberto “já rola até uma disputa verdadeira”. Fátima e Humberto contam, nesta entrevista ao CIDADÃO, a importância da corrida e do esporte em suas vidas. É uma referência e exemplo para quem deseja iniciar no esporte e acha que passou da idade. Veja:

Quando o esporte entrou prá valer na vida do casal? Quem tomou a iniciativa?
Humberto - Eu sempre pratiquei esporte, comecei com seis anos de idade quando meus pais me matricularam na academia de Judô, depois disso fiz vários esportes. Na verdade, diferente de hoje, a escola naquela época nos ensinava a gostar do esporte, íamos três vezes por semana nas aulas de educação física e aprendíamos o embasamento dos esportes mais populares, tínhamos até noções de ginástica olímpica. Portanto fui praticante de vários esportes. Além dos praticados na escola, pratiquei Rugby, Surf, corri de Motocross e ainda sou praticante de ciclismo, corrida e triathlon. A Fátima começou a se envolver com o esporte quando estava na faculdade. Na infância sofria de uma bronquite asmática muito seria, mas ainda estudante universitária começou a dar aulas de ginastica e foi assim a vida toda, o que a ajudou a ter uma boa resistência e força para a corrida.  Mas, o nosso envolvimento com o esporte de maneira séria e organizada começou com uma sugestão minha para resolver um problema de saúde da família. 
     Quando o casal decidiu participar de corridas e maratonas?
Humberto - Quando as filhas saíram de casa para estudar em São Paulo foi um momento muito difícil, que alguns psicólogos chamam este momento familiar de “síndrome do ninho vazio”. A consequência foi uma depressão enfrentada pela Fátima. Sugeri então que trocássemos os fins de semana solitários e depressivos por treinos de corrida e o resultado foi impressionante, além de conseguir vencer a depressão, quando começamos a participar das provas aumentávamos o nosso circulo de amizades, viajávamos e conhecíamos novos lugares.
Juntos, já participaram de quantas maratonas ou provas? 
Humberto e Fátima - É importante que se diga que somente a prova que tem a distancia de 42.195m é considerada maratona, portanto foram somente duas, uma ultramaratona de revezamento e aproximadamente 55 corridas das demais distancias, além de outras provas como duathlon, triathlon, mountain bike e speed.
A partir do esporte, foi formado um grupo que deu origem a Afercan? Como foi?
Humberto - Tudo começou com o grupo de corridas Equipe  SuperAção é um trabalho do Prof. Oswaldo do curso de Medicina sobre como utilizar a corrida como ferramenta para trabalhar a qualidade de vida dos envolvidos. Paralelamente um casal de amigos já havia criado outro grupo com “logo” e utilizado uma frase de Mahatma Gandhi que é “A força não provem da força física e sim de uma vontade indomável”. O grupo foi crescendo e foi preciso que nos organizássemos. Então criamos uma entidade forte, legalmente reconhecida e organizada a Afercam - Associação Fernandopolense de Ciclismo, Atletismo e Natação, sem fins lucrativos, que apoia o esporte amador, atletas e iniciante, além de desenvolver atividades benemerentes. Uma ideia simples e que tem impactado nossa comunidade de maneira surpreendente, talvez por atuarmos de maneira transparente, honesta e sem interesses pessoais tenha feito tanta diferença. 
O que o esporte mudou na relação do casal?
Humberto - Hoje estamos muito mais próximos criamos objetivos juntos, para nós e para quem faz parte de nossa comunidade. Quando corremos parece que o tempo não passa tão rápido e a vida é comemorada a cada fôlego, como se fosse uma oração. 
Na prova, os dois correm juntos, ou cada um desenvolve seu potencial? 
Humberto - No principio corríamos juntos, até para que eu pudesse ajudar a Fátima e orientá-la, mas logo ela passou a correr mais do que eu e hoje só treinamos juntos. Nas  provas “rola” uma disputa verdadeira.
O casal tem projeto para disputar alguma maratona fora do Brasil?
Humberto e Fátima - Sim, estamos organizando para 2018 participar de uma prova no Chile, depois dessa estudaremos um calendário para provas no exterior.
Qual prova marcou a vida de vocês?
Humberto - Para mim duas provas foram marcantes, a primeira que participamos juntos em Rio Preto quando conseguimos completar  a prova e a primeira maratona em São Paulo que foi muito difícil e sofremos muito para completar e depois para recuperar.
O casal se sente agente estimulador para que novas pessoas busquem o esporte como qualidade de vida?
Humberto - Sim, muitas pessoas nos procuram para tirar informações. Aliás, um dos nossos trabalhos na AFERCAN é a troca de experiência, incentivo aos que estão começando e até mostrar para quem não faz atividades físicas que sempre é tempo para começar independente da idade ou condição física.
E você Fátima? Como se define antes e depois do esporte? 
Fátima - Antes uma pessoa mais frágil não só no aspecto físico, mas também emocional, hoje me sinto mais forte e feliz.
Qual foi a maior mudança em sua vida, tanto no aspecto de saúde, como de autoestima?
Fátima - Sou asmática desde que nasci. O esporte foi a melhor forma de manter a doença, que é crônica, controlada. O esporte me tornou mais confiante em todos os aspectos.
Qual a sensação ao completar uma maratona de mais de 42 km?
Fátima -  De superação, pois é uma prova muito dura. Na minha primeira Maratona fui tomada por uma emoção tão grande que não consegui segurar as lágrimas. Este ano foi minha segunda Maratona posso dizer que a emoção é a mesma.
Qual foi o maior desafio dentro do esporte?
Humberto - Correr a primeira maratona foi sem dúvida um dos maiores desafios, pois exige planejamento e muita dedicação, mas também enfrentei uma lesão, uma fascite  plantar, comumente conhecida como esporão, achei que talvez tivesse que parar de correr, foi preciso achar o médico certo, pois existem poucos médicos especialistas em esporte. Além disso a recuperação não depende apenas de medicamentos mas de fisioterapia e mais exercícios específicos para recuperação. 
Já traçou a meta para o próximo desafio?
Humberto - Já nos inscrevemos na meia maratona de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da volta da Pampulha e São Silvestre, meia maratona de Uberlândia, Copa do Interior de Triathlon e Copa Regional de ciclismo, além de um “pedal” de 300 km no Vale Europeu (SC).
Qual mensagem deixa para os fernandopolenses de todas as idades?
Humberto - Ser corredor é muito mais que um simples esporte ou participar de corridas, é um estilo de vida, um estilo que faz parte da essência do ser humano que infelizmente a modernidade tirou o que o homem tem de melhor. O homem moderno por conta das facilidades tecnológicas ficou doente e preguiçoso, ele não se move para nada e contraria a constituição que Deus lhe deu. Por conta disso ele enfrenta obesidade, colesterol, diabetes câncer e muitas outras doenças que trazem sofrimento. Essa mesma tecnologia não permite mais que o homem interaja com seu semelhante, hoje é tudo via e-mail, zap, snepecht etc. Correr proporciona novas amizades, novas emoções, desenvolve o intelectual e o espiritual. Correr não torna as pessoas apenas mais felizes, também são mais saudáveis e viverão mais, no sentido mais amplo da palavra. Então eu pergunto: qual é a sua escolha?

VEJA TAMBÉM

teste

Costa Azul turismo
ga('send', 'pageview');