A ADVF mudou minha vida

CADERNO VIVA - 17:35:55
A ADVF mudou minha vida

“Costumo dizer que minha vida é dividida em dois períodos: antes da ADVF e depois dela”. É com essa frase da futura psicóloga Andréa Cristina Ruiz, de 44 anos, que CIDADÃO inicia mais uma reportagem da série de apresentações sobre a importância das entidades assistenciais e de classe na sociedade local.

Andréa conheceu a ADVF – Associação dos deficientes visuais de Fernandópolis – em 2011, por meio de sua irmã, que era amiga da saudosa Célia Fontes Mafra, fundadora da associação.

Antes disso, ela, que é deficiente visual desde o nascimento, conta que sua vida era em função dos outros. “Só vivia para cuidar de casa, do marido e depois dos filhos. Não tinha perspectiva nenhuma de vida e esquecia de mim mesma. Era uma pessoa fechada dentro de casa, sem vontade de nada, pois tinha vergonha da minha deficiência”, contou.

Na infância e adolescência então a situação era ainda pior. “Eu queria brincar e não tinha como. Queria correr como as outras crianças, mas não podia pois sempre tinha algum obstáculo, que poderia fazer eu me machucar. Na escola tudo também foi muito complicado, pois os próprios médicos diziam que eu deveria ir apenas até a 4ª série e os recursos eram muito poucos na época, mas mesmo assim eu insisti e concluí o colegial”, completou.

Algum tempo depois ela se casou e deixou Fernandópolis para viver em Cuiabá/MT em função do trabalho do esposo. Quase dez anos depois ela retornou a Fernandópolis onde iniciou suas atividades na ADVF. Lá, além da leitura em braile, ela aprendeu algo muito mais importante: a gostar de si mesma   

“Perdi os meus medos e os meus próprios preconceitos, estudo, saio com meus amigos, não tenho vergonha mais da minha deficiência. Em resumo: a ADVF me trouxe a vontade de viver, de crescer e ser feliz. Antes achava que por ser deficiente visual eu estava condenada a viver sozinha enfiada dentro de casa e ai a entidade me mostrou que não, que mesmo com as nossas limitações impostas pela deficiência podemos ser felizes igual a todo mundo”, disse.

Hoje Andréa está concluindo o último ano do curso de psicologia e seu principal sonho é trabalhar em sua área. “Antes não acreditava que um deficiente visual poderia utilizar um computador, hoje, graças a ADVF, sei que podemos ser e fazer o que quisermos. A ADVF representa o meu renascimento para a vida”, concluiu.  

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