“Ele é e sempre será o melhor filho que qualquer mãe poderia ter”

CADERNO VIVA - 18:16:45
“Ele é e sempre será o melhor filho que qualquer mãe poderia ter”

Era 3 de março de 2003, quando na casa de quatro fernandopolenses, logo nas primeiras horas da manhã, estacionava à frente uma viatura da Polícia Militar, cada uma delas com um policial escalado pelo comando, para trazer a trágica notícia de um acidente. 
O carro desses quatro, que ainda tinham como companhia um amigo rio-pretense, se chocou contra uma placa de trânsito na Rodovia Washington Luís e capotou nas proximidades do trevo de Catanduva. 
Um deles, Micael Lucas Alves, de 22 anos, morreu na hora. Os outros quatro, Walter Cruz de Oliveira, de 22, Fabrício de Souza Nônis, 20, Paulo Barbosa Siqueira Filho, 20 e Alexandre Katerra Leon, 20 (de Rio Preto), ficaram gravemente feridos. 
Notícias do tipo, envolvendo jovens no período do Carnaval, são comuns em todo Brasil, porém o que comoveu ainda mais a população fernandopolense à época, é que nenhum deles tinha ido curtir a festa, todos estavam trabalhando. Os cinco eram alunos da Academia (de formação de oficiais) do Barro Branco e foram escalados para a segurança do evento em São Paulo.  
FABRICIO
Quatorze anos se passaram desde aquele dia. Os pais de Micael, que já tinham perdido outros dois filhos também em acidentes, choraram mais uma perda.  Walter, Paulo e Alexandre se recuperaram e, apesar das sequelas, seguiram suas vidas. 
Já Fabricio é hoje o símbolo do tamanho do amor de uma mãe. Ele é filho de Inês Nônis, uma mulher pequena no tamanho, mas grande na coragem e na determinação. 
Foi ela quem recebeu a notícia do acidente. Em choque, é claro, engoliu o choro e partiu em direção a Catanduva em busca de notícias do filho. “Foi a viagem mais longa da minha vida”, contou ela.
Chegando lá, a notícia era de que Fabricio não teria sobrevivido. “Me falavam a todo momento que eu tinha que ser forte, mas a única coisa que queria era ver meu filho, pois sabia que eu não o tinha perdido”, completou. 
Passado algum tempo dessa angustia, a equipe médica a chamou para passar o quadro clínico. Disseram que ele ainda não estava morto, mas era questão de minutos, no máximo horas. 
“O médico me mostrou a tomografia e disse que o cérebro do meu filho estava cheio de coágulos, que não tinha mais nada a ser feito, mas aquilo entrou por um ouvido e saiu pelo outro”, lembrou ela. 
Os minutos, no máximo horas da equipe médica passaram a ser dias. Os dias passaram a ser meses e os meses agora já somam 14 anos. No acidente, Fabrício não sofreu nenhuma fratura em seu corpo, porém perdeu praticamente toda a função cerebral.   
Quando saiu do hospital, ele mal conseguia abrir os olhos. O jovem inteligente, forte e alto (1,92 metros) não conseguia mexer um único músculo de seu corpo. E foi aí que entrou a determinação da mãe. 
Inês, o levou para a casa. Mesmo com muitos dizendo que nada adiantaria, ela contratou duas fisioterapeutas, uma de manhã e a outra para a tarde, além de uma fonoaudióloga. “Nunca iria desistir do meu filho. Enquanto puder fazer alguma coisa para melhorar a sua vida eu farei”, disse. 
Ela passou então a acompanhar o atendimento a Fabricio. Ficava prestando atenção no que as fisioterapeutas e a fonoaudióloga fazia e depois repetia os exercícios. 
“Elas vinham e faziam os exercícios por uma hora de manhã e à tarde, mas e o resto do dia? Então quando elas iam embora eu subia em cima da cama e ficava repetindo os exercícios”, contou. 
Assim ela faz até hoje. Todos os dias pela manhã após dar banho e fazer os exercícios Inês leva o filho para a varanda, onde em uma maca, o coloca de pé para tomar sol e ouvir um pouco de rádio. “Quando saí do hospital o médico disse que tudo era estímulo então vou ficar o resto da minha vida estimulando o meu filho de uma forma ou de outra”, completou. 
E se depender de Inês isso ainda levará muitos anos. Todos os dias ela levanta as 4h para fazer treinamento funcional e garante que, apesar de seus 60 anos, não tem nenhum problema de saúde e nem sente dores pelo corpo. “Meu filho precisa de mim e eu preciso estar bem para cuidar dele”, afirma Inês.  
O MELHOR FILHO 
Fabricio sempre foi estudioso, afirma Inês. Nunca teve nenhum vício, era trabalhador, e dedicado, além de amoroso e carinhoso com os pais e com a irmã. “Nunca precisei falar pra ele fazer tarefa da escola. Sempre foi muito dedicado e inteligente”, contou. 
E a afirmação não é apenas ‘corujice’ de mãe. Assim que concluiu o ensino médio, Fabricio prestou o concurso da Academia do Barro Branco, um dos mais concorridos da época, e passou nas primeiras colocações. Porém, acabou sendo eliminado no exame psicológico sob a afirmação de que, como ainda era muito jovem, não sabia de fato o que queria para sua vida. 
No ano seguinte ele decidiu prestar de novo a prova. Sua nota foi uma das mais altas da história da Academia e ele foi aprovado em todas as fases do concurso. 
“O Fabricio era o número um do Barro Branco. Até um tempo atrás ainda não tinham conseguido superar suas notas”, completou Inês. 
Faltava apenas 9 meses de academia para ele se formar. Em suas últimas férias antes do acidente, Inês conta que Fabricio não desgrudava dela. “Ele me beijava o tempo todo. Como era muito forte, eu estava na cozinha fazendo almoço e ele me pegava no colo e saia correndo comigo pela casa”, relembrou. 
Hoje, apesar dele não conseguir pegá-la mais no colo, ela garante que seu Dia das Mães será tão feliz quanto os 20 antes do acidente e os 14 depois. 
“Ele é e sempre será o melhor filho que qualquer mãe poderia ter”, concluiu. 

 

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