“O corpo manda o recado de que algo não está bem”

OBSERVATÓRIO - 18:27:51
“O corpo manda o recado de que algo não está bem”

O sintoma é uma forma de expressão do corpo, uma forma de dizer que alguma coisa não está bem e precisa ser resolvida para a pessoa não adoecer. O assunto foi tema de uma palestra “Filhos doentes? Sintomas persistentes? com o microfisioterapeuta Adaylton  Leonel de Souza, ministrada esta semana em uma escola de Fernandópolis, a Arca de Noé. A terapeuta Gabriela Hurtado, da Clínica Organe, uma das organizadoras do evento trabalha com o que se convencionou chamar de “medicina do futuro”, com uma abordagem terapêutica de resposta rápida.  Diz ela: “O corpo é inteligente, ele está dando um recado através do sintoma de que algo não está bem. Então a gente faz uma investigação para chegar a causa. É uma terapia, mas também uma sessão 

de autoconhecimento. Isso vai nos tornar mais fortes e menos doentes”, diz Gabriela nesta entrevista ao CIDADÃO: 

Fale um pouco dessa chamada medicina do futuro que chega para aliviar os pais com filhos doentes com sintomas persistentes?
É uma grande alegria a gente poder divulgar essas informações, porque é a nova medicina, a medicina do futuro. A gente encontra as causas psicoemocionais, também a questão comportamental dos filhos quando eles estão apresentando algo desafiador para os pais, tudo tem a ver com a forma como eles estão lidando com o meio, com o ambiente, com os conflitos familiares, com a fase de escolarização, que é difícil pra criança. É uma forma do corpo reagir mostrando algum sintoma e sempre tem um sentido biológico por trás. Então, o corpo é inteligente, ele está dando um recado. Ele está dizendo, olha se você não está gostando deste ambiente seu nariz tampa, porque é uma memória ancestral, como se isso não está me cheirando bem. Tudo isso a gente vai começando a entender e fazendo pequenas mudanças nas rotinas para melhorar a situação dos filhos e eles receberem melhor as mudanças.
Por exemplo, uma infecção de garganta, o problema não está restrito ao físico, é algo além disso?
E mais que isso. Às vezes muda o tempo e vem a infecção, a gente acha que é o tempo, a imunidade caiu. Não. A imunidade já está baixa por algo emocional que essa criança está passando, por algo que ela está querendo expressar, verbalizar e o canal é nosso chacra da garganta. É um bebê, é muito pequena e aquilo vai causar uma inflamação porque ela não está conseguindo expressar aquilo que ela quer. É uma loucura, mas uma loucura inteligente de um ser criador, Deus, que criou tudo na perfeição. Então é muito bonito a gente estudar isso e perceber que é assim que o corpo está tentando dizer alguma coisa.
E como se descobre isso?
A gente faz uma investigação. É uma terapia, mas também uma sessão de autoconhecimento. Quando é com relação às crianças, (a sessão) é sempre com os pais. A gente vai entender o contexto que essa criança está passando, porque são os pais que tem condições de atuar sobre o que está acontecendo com a criança.
Quando o filósofo Sócrates disse “Conhece-te a ti mesmo”, ele já estava dando uma pista?
A verdade vos libertará, para completar isso que você está falando. É isso mesmo. Então a gente vai ficar liberto de remédios, de tratamentos invasivos, quando a gente entender  o que o corpo está dizendo e atuar na causa. Para que buscar o paliativo, estabilizar aquilo e daqui a pouco outra crise. Porque pai nenhum quer ver o filho nessa condição, é muito difícil. 
E isso também se estende a questão do aprendizado?
Totalmente. O aprendizado tem um exemplo muito clássico. A criança precisa ter foco para aprender. Ela precisa se concentrar. Quando ela tem dificuldade de ter foco e concentração, é porque a atenção emocional dela está voltada para algum conflito que ela não está conseguindo resolver. Por exemplo, separação dos pais. Se isso não está sendo lidado de forma respeitosa essa criança sente e se ela está preocupada em perder o pai, por exemplo, o foco dela está lá, na separação. E quanto mais pressionada ela for, pior.
Estamos falando de criança, mas o adulto também sofre esse tipo de problema?
A mesma coisa. Exemplo: está chegando o Dia das Mães, vamos colocar uma mãe que está super dividida entre o trabalho e a criação dos filhos pequenos. Ela está no conflito. Ela nem está inteira no trabalho, nem inteira no cuidado com os filhos. E ela vai criar uma situação de descontamento, de contrariedade e normalmente os sintomas vão aparecer. É o corpo dela dizendo resolve isso, encontra o caminho do meio.  Toda a vez que o ser humano fica contrariado com alguma coisa o corpo entra em disfunção. E uma contrariedade de uma vida inteira, por exemplo, lá na frente é um câncer. O corpo já vem mostrando os sintomas clássicos: começa com uma azia, evolui para uma úlcera, evolui para reprodução de células, o mioma que ainda não é um câncer maligno e depois evolui para um tumor maligno. Quando chega a esse ponto é porque o conflito está há muito tempo  instalado e a pessoa não tomou medidas para resolver aquela contrariedade. Dentro dessa área que estudamos, a gente diz: as pessoas não estão doentes. Elas estão com dificuldades de resolver seus conflitos. Elas estão adiando esse momento e o corpo não desiste delas, ele vai mostrar. Então nos adultos é muito mais grave.
A nossa memória celular registra episódios além da concepção?
Exatamente. Nós estamos falando de concepção consciente. Hoje a gente rastreia o DNA e vê que uma pessoa traz uma memória celular de traumas que seus antepassados viveram. Não é só dela, de uma experiência pessoal. Vamos supor que a bisavó, lá atrás perdeu o pai muita pequeninha. Ela é criada sem a referência de masculino e cria uma filha assim, que cria outra filha assim. Esse vazio de masculino vem como um ponto gravado no sistema, a memória celular. Vem a trineta, apegadíssima ao pai. O pai não pode sair de perto. Ela chama o papai a todo o momento. Ela está demostrando uma memória celular de perda no passado. É desproporcional o que ela apresenta, porque ela tem o pai, que nunca saiu de perto. O trauma não é dela. A gente rastreia isso. 
Bioalinhamento, o que significa isso?
É uma linha que trata essa leitura corporal biológica, através das funções do corpo. O que ele está querendo nos dizer toda a vez que o sintoma, uma doença aparece. E a gente bioalinha, ou seja, trata o ser humano de uma forma integral, considerando as emoções, os fatores psicossociológico e psicossomático indo na causa, na veia, daquele sintoma.
Mal comparando, seria o mesmo que um carro desalinhado, desbalanceado?
Exatamente. Vou dar outro exemplo: o medicamento que vai tratar seu estomago, muitas vezes tem o efeito colateral no seu fígado. Veja bem se isso faz sentido, você alinha um e perde o balanceamento do outro. Então a medicina, a linha tradicional, ela nos ajuda sim em muitos momentos, mas da forma como a gente tem usado os medicamentos, tem trazido efeitos colaterais muito mais graves que o sintoma que você está tendo. Em longo prazo, as pessoas estão ficando doentes. A gente não precisa envelhecer tão adoecido, tão dependente de medicamento, mas a gente não está tratando a saúde integral. A gente combate o sintoma de um lado, ele corre para outro, pipoca do outro. A gente precisa buscar o autoconhecimento e essas linhas estão vindo para isso.
Falando de problemas físicos, emocionais, vivemos uma sociedade que está cada vez mais virtual. Isso também afeta essa memória celular? 
Como faço palestras em escolas, essa foi a pergunta de uma mãe. Eu disse a ela o seguinte: tudo nessa vida com equilíbrio faz bem. A questão dos meios digitais pode ser usada com equilíbrio, mas ela tem substituído os vínculos, as interações. Isso significa que nós estamos vivendo uma síndrome coletiva de busca por vínculos rápidos, fáceis. Isso não existe, é uma ilusão. Vínculo eu faço em longo prazo, ganhando confiança. Mas, quando eu recebo um oi de alguém ou uma curtida do que postei, eu acho que tenho um amigo ali, isso dá uma massageada no meu ego, mas dura segundos. Então, é uma ilusão. Eu volto a ser solitária e para compensar essa minha tristeza, o vazio, a solidão, eu vou para as compulsões, para os vícios. Eu vou tentar um prazer que me substitua o vínculo, porque eu estou perdendo isso por me tornar uma pessoa virtual. Isso é um perigo.
A consequência?
São as doenças, o autoisolamento, altos índices de suicídio, depressão, que nada mais são do que a doença do vazio. Eu me sinto vazio, sem vínculos. Isso pode vir lá de traz, de uma memória, de que você perdeu alguém e isso não está curado. Uma pessoa depressiva não é porque está sozinha ou não tem amigos, não tem família. Mas é tão forte a percepção dela de estar sozinha e isso tem uma razão de ser. Então a gente vai à causa. O que acionou isso nela. Então o uso descontrolado dos meios digitais também nos coloca no vazio, na solidão. 
Você  é mãe. Como está usando esse conhecimento a seu favor e a favor do seu filho?
Oferecendo os meios digitais com equilíbrio. A tecnologia veio para o nosso bem. Nós é que não estamos sabendo usar. As informações que nos fazem bem também estão na internet. 
Qual o recado para os pais?
O recado é buscar se conhecer, porque se você é um ser humano melhor, está bem consigo mesmo, feliz no trabalho, tem prazer na relação pessoal, você vai ser um pai melhor, uma mãe melhor. Agora se gente está fazendo as coisas pelo dinheiro, acumulando bens, porque isso foi o valor que passaram pra nós e que trazia felicidade, a gente já viu que não traz. O que mais tenho atendido são famílias altamente bem sucedidas que estão num caos emocional perguntando o que adiantou tudo isso. Porque a ausência dos pais para construir o patrimônio hoje está gritando. Por isso, ter as coisas é saudável, mas com equilíbrio. A grande dica é: o trabalho quer servir a família, é ele que quer servir a nossa vida. Ele não quer que a gente viva em função dele. Essa foi uma inversão de ordem que está adoecendo a nossa sociedade.

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