“Avançamos, mas há muito que fazer pelo meio ambiente”

OBSERVATÓRIO - 22:17:06
“Avançamos, mas há muito  que fazer pelo meio ambiente”

Segunda-feira, 05 de junho, é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Momento propício para uma avaliação sobre como Fernandópolis anda tratando o seu meio ambiente. O secretário do Meio Ambiente, Angelo Veiga, é um batalhador pela causa. Foi dele o projeto que colocou a cidade em destaque nacional, quando implantou o Disk Árvore. Nesta entrevista ao CIDADÃO, Veiga, que também é coordenador do curso de Engenharia Ambiental da FEF, diz que há muito para comemorar. “Fernandópolis está hoje em um patamar acima de muitos municípios brasileiros, mas há muito ainda que fazer pelo meio ambiente”, diz. Criador do projeto ambiental “Se Liga Mané”, ele anunciou que o projeto deve virar um programa nacional de educação ambiental. Previu também que Fernandópolis vai subir no ranking Município Verde/Azul, que terá uma primeira prévia divulgada na semana que vem. Confira a entrevista: 

5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Fernandópolis tem motivos para comemorar?
Fernandópolis tem muito a comemorar, sem dúvida nenhuma. Nós estamos num patamar acima de muitos municípios brasileiros. Eu vou destacar, por exemplo, a questão dos resíduos sólidos domiciliares. Todo o lixo da cidade é levado para um aterro sanitário, que é um local adequado para fazer esse descarte. A maioria dos municípios ainda joga seu lixo nos famosos lixões a céu aberto, atraindo vetores e doenças. Temos também a comemorar 100% de água tratada, de excelente qualidade e também 100% do esgoto coletado e tratado. Não é qualquer município que tem estes quesitos em ordem. Claro, que temos muita coisa para melhorar. Estamos trabalhando para isso, o prefeito André Pessuto deu carta branca para que eu tivesse uma equipe extremamente técnica. Ele sabe a importância de se ter uma equipe de Meio Ambiente técnica para que a gente possa desenvolver os trabalhos que a cidade precisa. Falar de meio ambiente não é ficar falando de florestas, de rios. Falar de meio ambiente é cuidar de qualidade de vida para a população, seja no seu bairro ou na sua residência. 
Em que precisamos avançar?
Olha, ainda temos alguns problemas na questão dos resíduos da construção civil. Já estamos trabalhando para resolver isso, para licitar uma empresa que vai fazer a triagem de todo esse material das construções, fazendo a separação e dando o destino correto, reaproveitar o que pode ser reaproveitado. A questão dos resíduos de podas de árvores já foi solucionada. Hoje já temos uma empresa e um equipamento de grande proporção triturando toda a poda de árvores. Temos feito reuniões com os podadores mais conscientes da cidade, capacitando-os e vamos normatizar as podas da cidade para melhorar a arborização. A gente pretende lançar um projeto com esses podadores e eliminar essa questão de galhos que ficam jogados e espalhados pela cidade. O projeto Disk Árvore está em pleno funcionamento, mas vamos desenvolver projeto para arborização das avenidas, onde se nota a ausência de árvores. Moramos em uma região quente e na época da seca a umidade relativa do ar cai muito e isso é prejudicial para a população. Também estamos projetando ampliar a coleta seletiva de lixo. Vamos bater muito em cima disso. Tem muita coisa a ser feita nessa área. 
Na questão da arborização urbana, recentemente o Conselho Municipal do Meio Ambiente adotou uma medida para diversificar o plantio de árvores. Qual o objetivo?
O Conselho do Meio Ambiente é extremamente atuante. Todos os desafios ambientais a gente joga para o Conselho decidir e uma das primeiras resoluções foi a proibição da produção do Oiti no viveiro municipal. O Oiti acaba dominando a nossa cidade, ai a importância da gente ter a biodiversidade e procurar fazer o plantio de várias espécies, frutíferas, com flores, para deixar a cidade mais agradável e também contribuir com o meio ambiente.
Fernandópolis tem algumas áreas importantes, como o Horto Florestal, a Represa e a do ribeirão Santa Rita que poderiam ser parques ecológicos para uso da população. Há algum tipo de projeto neste sentido?
Com relação ao Santa Rita, ali é uma área de preservação permanente, de proteção de um curso hídrico, então é meio que  intocável. Mas, a gente tem alguns projetos, claro que a gente não gosta de anunciar a coisa antes de se concretizar, mas em breve o prefeito vai falar de alguns projetos que estão em vias de acontecer e que vai mudar a cidade. O selo município Verde/Azul é um parâmetro no Estado para se avaliar o que o município está fazendo na área do meio ambiente.

Quais são as perspectivas para esse ano?
Eu tenho certeza que Fernandópolis vai subir no ranking. Nós estávamos lá abaixo da centésima posição. A equipe tem trabalhado muito, está empenhada com as questões ambientais. O problema é que tinha muita coisa por fazer e isso demanda um pouco mais de tempo, mas a gente acredita que no dia 8 de junho (quinta-feira) já haverá uma prévia do ranking já teremos um bom resultado. A Secretaria do Meio Ambiente mudou a sistemática, antigamente, o ranking saía no final do ano. Agora dividiram isso em três etapas e a primeira será na semana que vem. Então já poderemos ver se Fernandópolis está no caminho certo. Tenho certeza que vamos conseguir uma boa colocação.
Muito do que se fala em meio ambiente demanda ações de longo prazo e muitas vezes se perdem projetos na mudança de governos, por decisões políticas. Como se pode resolver essa questão, ou seja, que os projetos sejam mantidos?
Eu concordo. Muitos bons projetos são paralisados ou exterminados de uma gestão para outra. Vou citar o exemplo do Disk Árvore, que foi criado, ganhou repercussão nacional, levando o nome de Fernandópolis. E de uma hora para outra esse projeto parou de existir. É uma pena. Isso não acontece apenas com o Meio Ambiente, mas com outras pastas, como Saúde, Educação... Então a gente precisa conhecer os gestores, em quem a gente vai votar e ver o plano de governo de cada um para ver se vão dar continuidade nestes projetos. Temos sempre que buscar os bons gestores. 
Outro ponto fraco no meio ambiente é o descarte de entulho pela cidade. No início da gestão você lançou mão de caçambas em pontos estratégicos. Como está a situação atual?
Na verdade estancamos um problema. A gente viu que na cidade havia uns pontos críticos, pessoal estava jogando lixo, tudo quanto é coisa nestes pontos clandestinos. A primeira coisa que fizemos foi colocar essas caçambas nesses locais, para conter isso. A segunda etapa é buscar uma empresa que vai fazer a triagem disso tudo, separar todo o material, depois vamos vir com uma parte de educação ambiental e, não podemos esquecer, da fiscalização. Então, tem que atuar em várias frentes para minimizar esse problema.
No dia a dia da secretaria, como a coisa está fluindo?
Estamos trabalhando bastante.  Não podemos  esquecer que, além dos problemas, corriqueiros da cidade, a gente ainda tem as diretivas que o Estado pede para a gente. Temos vários planos de ação que temos que colocar em andamento e isso tem um cronograma e está sendo feito pela equipe. Tudo que estamos fazendo está sendo registrando e esse dossiê é enviado para São Paulo.
O que seria uma cidade exemplo de meio ambiente?
O que seria o ótimo? Onde a gente pretende chegar? Que cada residência recicle totalmente o seu resíduo, que o entulho seja levado para um determinado local feito a triagem para o descarte correto, melhoria da arborização, que se plante mais árvore na cidade, nas avenidas. Então temos que mirar nesses exemplos.
A Prefeitura tem muitas áreas institucionais abandonadas. Há algum projeto para transformar essas áreas minis parques arborizados?
Uma ideia seria que a própria população do entorno assumisse junto com a gente a responsabilidade de cuidar dessas áreas, porque é uma quantidade grande e ai falta perna para a gente para chegar a todos os lugares ao mesmo tempo. Já temos alguns exemplos de moradores que adotaram praças. Eles vão lá secretaria, no viveiro, escolhem as mudas, as árvores, e plantam cuidam e ajudam a cidade. É por ai, buscar parcerias, inclusive com empresas para transformar todas essas áreas em mini parques,. Seria um estágio muito bacana alcançar.
Essa geração que está chegando, está mais consciente do ponto de vista ambiental?
Essa meninada está dando um show. Estão aprendendo desde pequeno a respeitar o meio ambiente, a não jogar um simples papel de bala na rua. A gente tem aquele projeto, muito importante, que é o Se Liga Mané, que vai sofrer algumas alterações. Uma emissora de TV está muito interessada no projeto. A gente está quase alinhando uma parceria e o Se Liga Mané vai se tornar um dos maiores projetos de educação ambiental do país.
E a população, como ela pode contribuir para o meio ambiente?
Reciclar é a palavra chave. É claro que tem bairros que ainda não tem a coleta seletiva, mas onde tem é necessário separar o lixo. Outra coisa é não jogar entulho em qualquer luugar, tomar cuidado com a poda drástica de árvores. Acionar o Disk Árvore para o plantio defronte sua casa. Existem também os materiais que não podem ser descartados no lixo comum, caso de pilhas e baterias. Existem alguns pontos para recolher esse material. Alias, a nossa secretaria do Meio Ambiente, ao lado da Escola Melvin Jones, está preparada para receber o descarte desse tipo de material, bem como o chamado lixo eletrônico, como  televisão velha, computadores, etc. Temos lá uma caçamba para recolher o lixo eletrônico, lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias. Então é nesse sentido que a população pode contribuir para um meio ambiente melhor.

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