Crianças de sete anos já estão sendo seduzidas pelas drogas em Fernandópolis

OBSERVATÓRIO - 20:45:34
Crianças de sete anos já estão sendo seduzidas pelas drogas em Fernandópolis

Acredite. Isso está acontecendo em Fernandópolis e em cidades em entorno que formam a microrregião e será o tema principal do 2º Encontro Intersetorial  de Dependência Química que vai acontecer no dia 29 de junho no Centro Pastoral da Aparecida e vai reunir  os setores envolvidos na assistência ao usuários de substância psicoativa de 13 municípios. “Enfrentamos atualmente muitas dificuldades em atender um aumento significativo de casos de uso, abuso e dependência de drogas cada vez mais precoce. Temos crianças na faixa etária de 7 e 8 anos que experimentam e fazem uso de maconha nas ruas de seu bairro e até mesmo dentro de casa”, relata a enfermeira e coordenadora do CAPS AD, Maisa Borges de Oliveira nesta entrevista ao CIDADÃO . Já se tem conhecimento de criança de 7 anos envolvido com  cocaína. De acordo com Maisa, a única forma de enfrentar o problema é atuar firme na prevenção. “Nossa região vive hoje um problema grave de saúde pública que deve ser tratado como prioridade. Nosso CAPS-AD atende uma região de 110.000 habitantes, entre eles homens, mulheres, crianças e adolescentes em uso, abuso e dependência de substâncias e seus familiares. Realizamos cerca de 1.000 atendimentos ao mês, dos quais 200 são adolescentes e encontramos muitas dificuldades”, descreve o quadro trágico das drogas.  Veja a entrevista: 

Fernandópolis vai sediar no dia 29 o 2º Encontro Intersetorial de Dependência Química da microrregião. Quem deve participar e qual a proposta?
O CAPS AD - Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas promoverá no dia 29 de junho, em parceria com o CISARF- Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Fernandópolis e o CMDCA- Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, o Segundo Encontro Intersetorial de Dependência Química da Microrregião de Fernandópolis. Deverão participar do evento todos os setores envolvidos na assistência ao usuário de substâncias psicoativas, em especial, crianças e adolescentes (Professores, profissionais da saúde e da assistência social, policiais civis e militares, juízes, promotores...). Será uma capacitação para toda rede que trabalha com esse problema de saúde. Estamos trazendo pessoas bastante capacitadas para dar orientações no sentido de  possamos enfrentar melhor a situação. 
Quando falamos em Dependência Química, com álcool e drogas, qual é a situação atual na microrregião de Fernandópolis?
A microrregião de Fernandópolis, que congrega 13 municípios, enfrenta atualmente muitas dificuldades em atender um aumento significativo de casos de uso, abuso e dependência de drogas cada vez mais precoce. Temos crianças na faixa etária de 7 e 8 anos já experimentam e fazem uso de maconha nas ruas de seu bairro e até mesmo dentro de casa. Há caso de criança de 7 anos em uso de  cocaína.  Muitas vezes os pais/responsáveis também fazem uso ou são dependentes de múltiplas substâncias psicoativas.  Senão unirmos forças, com a rede, a gente não vai conseguir  controlar esse problema, igual São Paulo que está sofrendo hoje com a Cracolândia.  
Em que condições essas crianças estão chegando para atendimento no CAPS Álcool e Drogas? 
Essas crianças chegam ao CAPS-AD apresentando alterações de comportamento, baixa do rendimento escolar e muitas vezes são negligenciadas por seus familiares.  Eles chegam intoxicados, já com doença mental instalada. Envolvem-se com o tráfico cedo demais, entregando drogas no bairro, pois com 7-8 anos, ainda não são “visados” pela polícia, e com o tempo passam a experimentar e a fazer uso contínuo dessas substâncias no seu dia-a-dia.
Esse jovem que chega ao CAPS AD, é de maneira espontânea ou por medida judicial?
A grande maioria dos adolescentes, 99%,  atendida no CAPS-AD é encaminhada judicialmente, ou seja, o primeiro contato deste adolescente com o tratamento da drogadição (termo genérico que designa toda e qualquer modalidade de vício bioquímico por parte de um ser humano) vem através de uma medida judicial. Raramente procuram o tratamento de forma espontânea e com o desejo de interromper o uso de drogas. Tem os corpos tatuados com imagens de palhaços e artigos do código penal.  Geralmente foram pegos furtando uma moto, estavam com droga no bolso e na audiência na Justiça dizem  que são usuário e pedem tratamento, sendo então encaminhados para o CAPS AD. Só que eles não querem se tratar. Eles chegam dizendo que estão cumprindo pena e não para se tratar. Eles encaram isso como uma pena e não estão abertos para o tratamento, faltam, levam droga para o tratamento. É muito difícil pegar o problema instalado. A gente tem que trabalhar a prevenção.
E o resultado desse atendimento? 
Alguns chegam tão intoxicados, que não nos resta outra alternativa que a internação. Contudo, ao contrário do que se pensa, a internação na rede pública de saúde dura em média 15 dias e será apenas a primeira etapa do tratamento desse jovem. Após a alta, ele retorna para o ambiente familiar, que deverá estar preparado para apoiá-lo na continuidade de seu tratamento. Todavia, a realidade que encontramos é bem diferente do esperado e os resultados nem sempre são positivos. O tratamento do uso e abuso e dependência de drogas através de medida judicial dificulta o vínculo com o usuário, que passa a enxergar o tratamento como uma pena a ser cumprida, com data de alta pré-estabelecida.
Fala-se na descriminalização da maconha? Qual seria o impacto disso?
Segundo o Professor Valentim Gentil Filho, Titular do Departamento de Psiquiatria da USP- Universidade de São Paulo, caso ocorra a liberação da maconha em nosso país, teremos uma fábrica de jovens esquizofrênicos”. A esquizofrenia é uma doença mental crônica, que requer tratamento contínuo ao longo da vida. É um problema gravíssimo e que tem que ser tratado como prioridade pelos governos.
Esse tipo de problema não poupa classes sociais? 
Grande parte vem da periferia das cidades, mas temos casos em todas as classes sociais. De acordo com o Professor Ronaldo Laranjeira, Titular do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, o consumo de drogas acompanha a economia, sendo assim, os países mais desenvolvidos apresentam maior consumo de drogas quando comparados a países em desenvolvimento como o Brasil. A substância ilícita com maior prevalência de uso na população brasileira é a maconha. 
Qual o impacto na saúde mental em uma criança que começa usar maconha aos 7 anos, por exemplo?
Na década de 60, com o movimento hippie, os jovens iniciavam o uso de drogas aos 21 anos. A maconha naquela época chegava a ter 0,5% de Tetrahidrocanabiol, o princípio ativo causador da dependência. Hoje, no Brasil, temos jovens de 7-8 anos de idade, consumindo uma maconha 30 vezes mais potente, modificada em laboratório para atender ao mercado do tráfico. O impacto desse uso em um cérebro em desenvolvimento é extremamente nocivo, desencadeando doença mental em idade precoce. Corremos o risco de termos muito jovens aposentados por invalidez na adolescência. É um problema gravíssimo e que tem que ser tratado como prioridade pelos governos.
Diante do quadro que você descreve pode-se dizer que já vivemos um problema de saúde pública grave? 
Nossa região vive hoje um problema grave de saúde pública que deve ser tratado como prioridade. Nosso CAPS-AD atende uma região de 110.000 habitantes, entre eles homens, mulheres, crianças e adolescentes em uso, abuso e dependência de substâncias e seus familiares. Realizamos cerca de 1.000 atendimentos ao mês, dos quais 200 são adolescentes e encontramos muitas dificuldades. 
Qual é a saída?  
Prevenção. É momento de estabelecer parcerias na área da Assistência Social, pois anteriormente ao desenvolvimento da dependência, encontramos muitas famílias em situação de risco e vulnerabilidade social, da Educação, pois os Professores acompanham o dia-a-dia das crianças e dos adolescentes e conseguem  perceber alterações de comportamento e queda do rendimento escolar, as UBSs, o NASF e os CRAS, pois através do mapeamento de famílias vulneráveis nos territórios de abrangência, podemos trabalhar a prevenção do uso de substâncias, a Segurança Pública, na vigilância dos menores e no combate ao tráfico de drogas, Líderes religiosos e outros.

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