Amélia Rosa, 70 anos: “20 anos de vida + 50 anos de experiências”

OBSERVATÓRIO - 23:10:24
Amélia Rosa, 70 anos: “20 anos de vida + 50 anos de experiências”

No último dia 4 de julho, Amélia Rosa Sanfelice Nogueira comemorou 70 anos que ela definiu assim: 20 anos de vida mais 50 anos de experiências. Amélia Rosa foi uma mulher de vanguarda em Fernandópolis. Foi radialista, radio atriz, colunista social, bancária, esposa, mãe e agora avó. Nesta entrevista ao CIDADÃO, Amélia Rosa conta um pouco de suas experiências. Foi militante política no antigo MDB e só não foi candidata, porque a vida tomou outro rumo quando passou no concurso do Banco do Brasil, mas pertence a uma família de políticos como Antenor Ferrari, Armando Farinazzo e Ademar Mazinho Custódio. Fernandopolense desde os 2 anos de idade, quando aqui chegou, Amélia Rosa diz que torce para que Fernandópolis recupere seu slogan de “Cidade Progresso”. Sobre Magrão, seu companheiro, Amélia diz que foram as diferenças que os uniu. Dessa união nasceram os filhos Frederico e Rafael e os netos Henrique e Eduardo. Aliás, é o papel de avó que anda curtindo muito aos 70 anos. Veja a entrevista: 

Ao completar 70 anos no dia 04 de julho você mantém seu espírito de vanguarda e define o tempo em 20 anos de vida mais 50 anos de experiências. O que cada período representa para você?
É uma divisão didática. Até os 20 anos de idade nós somos movidos mais pelo instinto, pela emoção e pelos sonhos. Até essa idade nós temos os desafios mais íntimos, se considerarmos o período da adolescência que nos traz um turbilhão de sensações e também a decisão que nós temos que tomar no âmbito profissional, ao escolhermos a profissão que queremos ter prá vida toda, além das paixões amorosas pelas quais nós tanto sofremos. Após os 20 anos, as coisas clareiam um tanto mais. Continuamos com nossas emoções e nossos sonhos, é claro, mas de uma forma já mais racional. Usamos muito a razão nas nossas experiências de vida. Já estamos praticamente definidos na nossa área de atuação profissional. Os nossos amores já não nos causam tanta dor, já não temos tantas aflições íntimas. As experiências vividas vão nos dando estrutura e equilíbrio, tanto emocional como moral nas nossas decisões. Eu sou muito feliz pelas experiências já vividas até aqui. 
Vamos voltar ao passado e falar do seu tempo de radialista e rádio atriz. Em que momento o rádio entrou em sua vida e como foi essa experiência em radionovelas?
Quando da inauguração da Rádio Educadora gerenciada pelo amigo Alencar César Scandiuzi, eu recebi o convite, inicialmente para ser discotecária, mas logo em seguida eu fui para a locução, especialmente para o meu programa “Passarela Social” onde narrava acontecimentos sociais, fazia entrevistas com personalidades, inclusive, anualmente com as debutantes da época. Sem falsa modéstia, o programa era Top, tinha uma audiência admirável. Fazer radionovela era muito desafiador, principalmente em função dos parcos recursos sonoros. Pra se ter uma ideia, para fazer o som de um tiro usava-se um maço de jornais na mão e batia esse maço de jornal sobre a mesa, do impacto nascia o tiro. Tudo isso era muito bom, exigia muita criatividade. As radionovelas eram escritas pelo Franco Garcia (Dr. João Garcia Pelayo), pelo Marcos Alberto. Muita admiração e respeito por eles que já estão no outro plano. Os recursos humanos também eram escassos. Houve uma novela em que havia duas irmãs gêmeas, uma era boazinha e a outra má. Eu fazia o papel das duas, simultaneamente, e elas dialogavam entre si. Então eu tinha que dar a entonação correta na voz para que o público as identificasse e assim poder passar a emoção de cada uma. Realmente era apaixonante. Essa experiência no rádio foi em torno de 1965.
Você também foi colunista social em um período de grande glamour. Dá para fazer paralelo com os tempos de hoje?
Eu acho que o glamour daquela época era diferente, porque era mais completo, não era só se vestir bem. Envolvia também além do bom gosto em se vestir, um posicionamento social e uma formação educacional. Esse era o conceito de glamour. A minha lista das dez mais elegantes fernandopolenses, por exemplo, que fiz durante uns quatro anos, se baseava nestes conceitos.
Isso tudo você conciliava com sua profissão de bancária ou foram períodos distintos? 
Não, foram períodos concomitantes. Eu trabalhava no Banco Comércio e Indústria. Pra se ter uma noção, todos os dias eu tinha apenas meia hora entre a saída da Rádio e a entrada no Banco. E ainda almoçava, quando dava tempo e nem por isso eu fiquei anêmica. 
Fale de sua relação com Fernandópolis. Que amor é esse?
Amor grandioso. Apesar não ter nascido aqui (nasceu em Santa Adélia), vim prá cá com dois anos eu sinto-me totalmente fernandopolense. Aqui tenho meus familiares e grande número de amigos. Vibro, estimulo, torço e sofro por essa cidade tão querida. Aqui nasceram meus filhos e meus netos. Acredito que Fernandópolis ainda recuperará o slogan de “Cidade Progresso”. 
E por falar em encontros, como foi o seu encontro com Magrão (Enivaldo Nogueira). Qual foi a química que uniu o casal?
Encontrei o Magrão aqui em Ferpa em 1967. Ele jogava basquete pelo time da cidade que, aliás, era muito competitivo e vencedor de muitos campeonatos regionais e estaduais. Fernandópolis já teve muita coisa boa. Eu que nem era afeita a esportes, comecei até a frequentar as quadras só para paquerá-lo (risos). Ele era muito bonito, ele era lindo, sempre foi, e muito disputado pela mulherada. Eu acho que as nossas diferenças nos uniu.
Os muitos amigos contam que você sempre foi uma exímia pescadora e o Magrão um exímio cozinheiro. É verdade?
É verdade. Porém, eu devo dizer que foi ele quem me ensinou a pescar. Só que ai me aprimorei e passei a superá-lo. Hoje pescar é meu lazer preferido. O Magrão não era um cozinheiro do dia a dia dentro do meu lar, mas ele se dedicava muito a esse lazer, vamos dizer assim, a esse hobby  junto aos amigos. Vê-lo na cozinha me era muito prazeroso, por que ele fazia aquilo com muita dedicação e muito carinho. 
Mas, o Magrão era também um homem muito envolvido com Fernandópolis, no esporte, no carnaval, na política, não é mesmo?
O Magrão sempre foi muito dinâmico. Ele conseguia agregar múltiplas atividades, além de muitos amigos. Fernandópolis na década de 70, 80, teve um dos melhores carnavais de rua a nível estadual. O carnaval reunia várias escolas de samba da cidade, com desfiles de carros alegóricos, baterias e passistas. Isso tudo coordenado pelo Magrão. No esporte, quando era secretário de Esportes da Prefeitura de Fernandópolis, Milton Leão era o prefeito, a cidade chegou a ser sede dos Jogos Estaduais. No aspecto político ele foi candidato a vereador uma vez nessa época. Apesar de pertencer a um grupo político forte na cidade ele não foi eleito e isso bastou então para desistir da política assim ostensiva e trabalhar apenas junto aos seus companheiros de partido e nos bastidores.
E você, nunca pensou em ser candidata? 
Olha na década de 60 eu fui delegada do MDB, era uma disputa muito acirrada entre a Arena e o MDB que é o Movimento Democrático Brasileiro, partido do saudoso Franco Montoro. Nesse cargo eu participei de várias convenções em São Paulo, realizadas ali no Colégio Américo de Campos. Mas, a minha vida tomou outros rumos. Como fui aprovada na época no concurso do Banco do Brasil, mudei-me para São Paulo para tomar posse e lá trabalhar. Talvez, se tivesse ficado por aqui até poderia ter me lançado na política já que sou de uma família de gente política. Antenor  Ferrari, que foi prefeito aqui, presidente da Câmara, é meu tio. Armando Farinazzo, que também foi prefeito da cidade, vereador e presidente da Câmara é meu primo e o Mazinho (Ademar Mazinho Custódio), eleito vereador com expressiva votação na época, é meu sobrinho. Então você percebe que a política corre em minhas veias, porém, já passou.
Você viveu diferentes fases do Brasil e de Fernandópolis. Que olhar tem hoje para Fernandópolis e o Brasil? 
Para Fernandópolis o meu olhar é de gratidão e de esperança. Vivemos um período de calmaria política. Os Poderes Executivo e Legislativo ainda estão em lua de mel. Houve a mudança de grupo político na administração da cidade, aliás, eu sou pela alternância de poder, acho isso muito salutar. Então vamos aguardar que nossa cidade e seu povo evoluam. Enquanto isso, a nível nacional o Brasil está pegando fogo com todo esse status quo mostrando toda essa indústria da propina que, infelizmente, parece que se tornou endêmica no nosso País, além da disputa de egos entre os poderes constituídos. Nós temos que orar muito pelo nosso país para que ele seja reconduzido para a estabilidade política, com crescimento da economia e seriedade moral dos homens que estão no comando para que nos devolvam uma Nação plena e que atenda o bem viver do povo brasileiro. Mas, isso vai passar. Tudo passa como diz Chico Xavier. 
Você também faz parte de um grupo chamado “As Comadres”. Quem são “As Comadres”?
As Comadres como grupo reúne algumas mulheres com interesses comuns, de amizade, companheirismo e solidariedade. Esse grupo existe há mais de 30 anos e nos reunimos todas as terças-feiras. Nós realizamos também alguns socorros para entidades, doando cestas básicas ou mesmo realizando trabalhos manuais de artesanato e direcionados pra essas entidades. Eu sou muito grata por fazer parte das queridas comadres. 
O que a levou para o Espiritismo?  
Ao tomar conhecimento que o Espiritismo tem como base a ciência, a religião e a filosofia, eu despertei para essa doutrina. Também por se tratar de uma doutrina, que apregoa um Deus de bondade, não punitivo, onde é permitido errar e ser perdoado dentro da lei divina de causa e efeito. Porque também o espiritismo exercita o livre arbítrio em todos nós  e tem por base a reencarnação, ou seja, a imortalidade da alma. No espiritismo não há fé cega, mas sim a fé raciocinada, o que o diferencia substancialmente de outras religiões. Trata-se de uma doutrina consoladora, mas que possui explicações realistas dos problemas que nos ocorrem. Sinto-me muito  feliz em ser espírita da linha kardecista.
Ela te ajudou muito na época da doença do Magrão?
Muito, realmente é uma doutrina que nos consola, explica os motivos de vários acontecimentos que nos ocorre, tristes, mas necessários. 
Usando como metáfora as radionovelas dos idos tempos de juventude, qual papel anda curtindo mais atualmente: de mãe ou de avó? 
Eu continuo sendo uma mãe bem exigente só que agora sou uma super avó babona. Acho que ser avó é exercer a maternidade sem ser chata, sem cobranças, sem muita responsabilidade e com muita doçura. Como se diz, ser avó é ser mãe com açúcar. Eu tenho dois netos, lindos e muito amados, Henrique, 6 anos, e Eduardo, 5 anos. São os nossos tesouros. Dai dá para deduzir que atualmente eu curto mais ser avó, pois o papel é mais fácil de desempenhar. 
Mensagem final...
Ainda surpresa com o convite para participar do Observatório, essa coluna tão importante dentro do contexto editorial do jornal. Surpresa porque sou uma cidadã comum em nossa cidade e essa coluna tem como foco figuras públicas, personalidades, empresários... Então agradeço muito a oportunidade para manifestar o meu posicionamento diante de algumas situações e acontecimentos vividos, ou seja, das minhas experiências. Grande abraço. 

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