AM para FM: fala quem entende do assunto

OBSERVATÓRIO - 22:04:47
AM para FM: fala quem entende do assunto

Ele vive atualmente surfando nas ondas do rádio, despedindo-se da faixa de AM (amplitude modulada) para entrar definitivamente na faixa de FM (frequência modulada). É que nosso entrevistado de hoje, um profissional que respira radiodifusão 24 horas por dia, está de cabeça no grande projeto de migração das emissoras de AM para FM. Contratado para assessorar e montar algumas das novas rádios no trecho Rubineia/São José do Rio Preto, o avô de Ana Letícia não sai da estrada. Falamos de Teotônio Oliveira, 72, nascido em Cardoso, formado em Ciências Físicas e Biológicas pela Faculdade de Votuporanga. Recentemente, concluiu o curso de Eletrotécnico, pela FEF. Da união com Julia Garbim, nasceram Allan, Fernanda e Mariana. Antes de mexer com rádio, Téo (assim chamado pela esposa) passou pela revenda Volkswagen cardosense. Como radialista iniciou a carreira na Rádio Alvorada AM de Cardoso,em 1981, exercendo várias funções, inclusive dando assistência técnica à emissora.

Em 1988, a convite de Dom Demetrio transferiu-se para Jales para cuidar tecnicamente das emissoras da Diocese. Em 1995, com a aquisição da Rádio Educadora Santa Rita, pela Fundação Aparecida, veio para Fernandópolis e assumiu a direção da mais nova emissora católica da região. Paralelamente à direção, Teo aprofundou seus conhecimentos em transmissores de rádio e repetidores de TV. E é com toda essa bagagem que Teotônio Oliveira, que veio ao mundo num 22 de Maio, dia da padroeira Sana Rita de Cássia, 
opina sobre o grande momento que a radiodifusão brasileira vive com a migração das emissoras de AM para FM. 

Você se surpreendeu com a consolidação da migração?
Eu já esperava a mudança, pois alguma coisa tinha que ser feita, já que o espectro das AMs estava sofrendo muita interferência, dificultando a sintonia e sem qualidade real de som.

Você acredita que alguma emissora de AM deixará de migrar para o FM?
Não. Na região de São Jose do Rio Preto, todas as AMs solicitaram a migração e já assinaram o termo de adesão, pagando o boleto ao governo pela troca de frequência, entregando a faixa de AM para ficar com a faixa de FM.

Quantas migraram até agora?
Sete já estão operando em FM, 3 em fase de instalação e 4 aguardando a aprovação de projetos técnicos. Em Fernandópolis as três emissoras (Águas Quentes, Difusora e Educadora) vão migrar para as seguintes frequências: 91,3 MHz, 93,3 MHz e 99,1 MHz. A instalação só se dará após aprovação dos projetos pelo Ministério das Comunicações - constando que  frequência cada emissora ocupará.

O ouvinte, como sabemos, ganha com a qualidade de som; e, em relação ao alcance, como é ? A mesma potência da rádio AM será mantida na nova faixa?
Não. Como o MC teve que acomodar todas as AMs na faixa de FM, em alguns casos, não foi possível autorizar potência compatível, pois poderia interferir em emissoras da região e de outros estados, que já estavam operando em FM.

Dos equipamentos do AM, o que se aproveita na instalação de uma emissora de FM?
Nada.  Rádio em frequência modulada é outra coisa. 

As indústrias estão preparadas para atender a demanda, já que as novas rádios têm o mesmo prazo para instalação?
Sim. O parque técnico é grande, competente, atualizado e fabrica ótimos produtos. Embora os radiodifusores estejam correndo dentro do mesmo prazo, o setor produtivo preparou-se e está em plenas condições de atender aos pedidos. 

O que os radiodifusores que estão contratando seus serviços, comentam sobre a programação que vão colocar no ar, a partir da nova frequência?
Pretendem colocar uma programação diferenciada, mantendo, porém, a essência do AM, que tem um público fiel, cientes de que terão que buscar uma nova linguagem para atrair o público jovem.

Com a migração, Fernandópolis passará a contar com sete emissoras de rádio FM. Comparado com outras cidades, você não acha que é muito?
Sim. Vejamos a proporcionalidade em termos de população. São José do Rio Preto com população estimada em 450 mil habitantes, tem 10 emissoras, sendo uma emissora para cada 45 mil habitantes; Votuporanga, com 90 mil habitantes tem 5 rádios, com uma emissora para cada 18 mil habitantes, enquanto Fernandópolis com 65 mi habitantes possui 7 emissoras, portanto, uma emissora para cada 9,28 mil habitantes. Como se vê, Fernandópolis é a cidade que tem o maior número de emissoras por habitantes. 

Migração não é obrigatória,diz Engenheiro

A migração do AM para o FM no Brasil,segundo o engenheiro Eduardo Cappia , surgiu em 2009, com a necessidade dos radiodifusores preservarem as emissoras que estão ou estavam em AM, e que sentiram a necessidade de aprimorar seus serviços pleiteando a faixa FM. Em linhas gerais, a Faixa FM (Frequência Modulada) possui melhor qualidade de som e tem menos chiado e interferências.
Historicamente, as rádios em AM (Modulação em Amplitude) têm longo alcance (dependendo da faixa e horário de transmissão) e frequentemente sofrem mais interferências eletromagnéticas, com comportamentos distintos entre dia e noite e com alta degradação imposta pelo ruído elétrico urbano. Já o FM tem comportamento de cobertura mais uniforme entre dia e noite, sendo sensivelmente menos afetado por interferências radioelétricas.
Dados oficiais dos Ministérios das Comunicações, dão conta de que existem em torno 1,7 mil rádios em AM no Brasil, das quais mais de 70% (1.381) optaram por fazer seus processos de migração. “Esta migração não é obrigatória, segundo regulamenta o decreto nº 8.139, de 7 de novembro de 2013, mas a maioria das emissoras acredita na migração como uma maneira de preservarem seus conteúdos”, explica Cappia.
 
Estágio atual no Brasil
No dia 10 de maio de 2016, o Brasil fez a primeira grande audiência pública para conceder outorgas de faixa FM para as emissoras que optaram pela migração. Nesta primeira ação, 55 emissoras assinaram seus contratos de adaptação de outorga e iniciaram suas implantações de sistema transmissor.
“Depois desse período, algumas emissoras fizeram seus contratos individualmente com o Ministério. Mas foi só em 7 de novembro de 2016, quando houve outra grande solenidade pública, que mais de 200 emissoras assinaram seus contratos, resultando em mais de 300 emissoras migrantes ou em fase de assinatura de contrato após pagarem os boletos pela Adaptação de Outorga”, explica Cappia.
As rádios que optaram por continuar na faixa do AM têm de se adequar a algumas normas, tais como terem de migrar das potências menores para um mínimo de mil watts, ou ainda terem de fechar suas portas e encerrar atividades caso permaneçam com baixa potência, caracterizando o perfil do AM local.

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