Os caçadores de corruptos

OBSERVATÓRIO - 18:52:33
Os caçadores de corruptos

A revista Exame deste mês trouxe uma reportagem  que chamou a atenção de muita gente. A manchete: “Conheça a startup que caça corruptos – e bombou com a Lava Jato”.  No texto, a explicação do sucesso da Localize – Investigação e Recuperação de Ativos:  “A Operação Lava Jato foi um desastre para muitas empresas: várias corporações revelaram escândalos internos, que se transformaram em crises muito externas – do julgamento do público às acusações judiciais.  Mas, vendo pelo outro lado, alguns negócios se beneficiaram com a operação: por exemplo, aqueles que têm como meta recuperar o dinheiro desviado pelos corruptos. É o caso da Localize: a startup cresceu nada menos que 300% entre os anos de 2015 e 2016, no auge da Operação Lava Jato. Apenas no ano passado, a startup de investigação e de recuperação de ativos faturou 

cinco milhões de reais. Para 2017, planeja crescer esse valor em 30%”.
Por trás desse negócio sofisticado estão quatro sócios, dois deles fernandopolenses: Aldo Moscardini Neto e Lucas Gouvea Cunha. Os outros dois sócios são Flávio Goeldner e Rafael Nogueira. Para contar esta história, CIDADÃO entrevistou Aldo Moscardini Neto, 37 anos, advogado e casado com Giovana Zambon Moscardini, também fernandopolense. Neto conta como surgiu a ideia que os colocou em destaque na mídia nacional. Veja a entrevista: 

Como surgiu a ideia de lançar uma empresa para investigar devedores?
A ideia surgiu em meados de 2014, quando os sócios fundadores (entre eles outro fernandopolense) perceberam que o serviço de despachante documental, principal serviço da Localize até então, não seria sustentável a médio e longo prazo. Enxergando um mercado ainda inexplorado a Localize criou a MARC (Mesa de Análise de Recuperação de Crédito) e se tornou uma empresa focada na investigação de crédito para grandes dívidas.
Como o grupo se formou, já que são pessoas como formação diferente (jornalistas, advogados e profissionais de TI) e de cidades diferentes, embora você e o Lucas sejam de Fernandópolis?
O sócios fundadores (Flávio Goldner e Lucas Cunha) são primos e vem de família de tradição cartorária. O sócio Lucas é nascido e criado em Fernandópolis e é filho de família cartorária de Fernandópolis. Em 2014, quando resolveram lançar o produto de investigação, fui convidado para trabalhar na empresa e ajudar a desenvolver a MARC, devido a minha formação jurídica e já no ano de 2015 me tornaria sócio. Por fim, no final de 2016 somou-se a nós o Rafael Nogueira com forte atuação no mercado financeiro. Os sócios possuem formação acadêmica diversa, sendo um administrador (Flávio), um advogado (Aldo) e dois engenheiros Politécnicos (Rafael e Lucas). A equipe se completa com nossos colaboradores, entre eles, advogados, jornalistas, designers, profissionais de TI, entre outros.
No grupo, qual é a sua atuação? E a do Lucas? 
O Lucas atualmente cuida da área de desenvolvimento tecnológico e de novos serviços, atuando fortemente junto aos profissionais de TI da empresa, bem como exerce uma forte influência na área comercial. Eu coordeno a área de investigação da empresa, atuando como diretor jurídico e de investigações.
No conceito, as startups são conhecidas por atividades inovadoras no mercado. Quando lançaram o projeto, houve quem duvidasse que iria dar certo?
Quando lançamos o produto MARC, muitas eram as incertezas, já que não existia nada parecido no mercado. Para sanar as dúvidas de nossos clientes, quanto à efetividade dos serviços, tivemos que fazer alguns pilotos gratuitos. Foram os pilotos que abriram as primeiras oportunidades de trabalho junto a alguns bancos.  Apesar de a empresa estar completando 10 anos, podemos ser considerados como startup, já que estamos desenvolvendo uma plataforma de investigação que atenderá aos bancos em diversas fases do crédito, ampliando a investigação para as dívidas de menor porte. Esta plataforma também poderá ser usada pelos órgãos do poder público e por grandes empresas.
Nos últimos dias, vocês ganharam a mídia nacional. Esperavam tanto sucesso?
Devido ao fato de realizarmos um serviço de investigação para grandes dívidas, acabamos realizando a investigação de grandes conglomerados empresarias que encontram-se na mídia e em alguns casos envolvidos na Lava-Jato. Isso chama a atenção dos meios de comunicação que nos procuram para entender como funciona a investigação. O sucesso não está em aparecer ou não na mídia, mas fazer um trabalho com competência e excelência para auxiliar nossos clientes a recuperar seu crédito.
O Brasil está numa fase de grandes investigações, como a Lava Jato, por exemplo. Qual foi a contribuição dessa operação no negócio da Localize?
Com a crise que assolou o Brasil nos últimos anos a Localize cresceu inversamente, já que muitas empresas deixaram de pagar seus débitos. A Lava Jato impactou positivamente já que muitos dos investigados pela operação passaram por uma forte crise, fazendo com que os bancos os investigassem.
O que vocês buscam na investigação?  Quais mecanismos utilizam para rastrear bens e fortunas dos devedores?
A investigação busca localizar ativos dos devedores e avalistas das dívidas e trazer soluções jurídicas em caso da localização de ativos ser insuficiente para cobertura do débito. A Localize possui diversas bases de dados públicas e privadas que são utilizadas para identificar o local de atuação dos devedores e identificar seu patrimônio. A investigação contempla buscas cartorárias, estrutura societária, análise de processos judiciais, investigação jornalística, internacional entre outras.
Quem são os clientes que buscam o trabalho da Localize? Tem algum da região de Fernandópolis? 
Os principais clientes são as instituições financeiras, escritórios de advocacia e grande empresas. Temos uma grande empresa de São José do Rio Preto que utiliza nossos serviços de investigação.
Quando se fala em investigação, logo vem à ideia o detetive particular que não mede consequências para buscar provas. No caso da Localize, tudo tem que ser feito dentro da lei?
Exato. Todo material entregue pode ser utilizado judicialmente e as fontes são públicas.
Vocês usam inteligência artificial e Big Data para alcançar os resultados na investigação. O que significa isso?
O nosso Big Data nos permite analisar e cruzar informações de milhares de fontes diferentes, sejam elas públicas ou particulares, permitindo localizar conexões e fatos que humanamente seriam impossíveis ou extremamente custosos.  A Inteligência Artificial é utilizada para automatizar algumas atividades mais complexas, como análises de documentos ou de processos judiciais, tirar conclusões e gerar atividades automaticamente, no entanto é necessário treinar a máquina, como faríamos com um funcionário normal, corrigindo cada interação até que a taxa de acerto seja satisfatória. 
Vocês estão preparando nova plataforma investigativa e uma atuação mais incisiva no mercado. O que vem por aí?
A ideia é que a nova plataforma revolucione o mercado de recuperação de crédito dos bancos, com a automatização dos processos o custo da investigação diminui, permitindo que ela seja realizada para dívidas cada vez menores. Num país em que mais da metade do spread bancário é utilizando para cobrir o rombo das inadimplências de devedores nosso serviço em escala ganha uma finalidade social.
Já investigaram algum político ou só empresário?
Já investigamos um ex-deputado federal. Mas na grande maioria são empresários com envolvimento político muito forte.
Por tudo que está acontecendo no Brasil em termos de investigação, pelo trabalho da empresa de vocês, é possível dizer que por aqui se adotou mesmo o jeitinho “de se levar vantagem em tudo”?
Eu gosto de acreditar na bondade das pessoas. Ainda acho que boa parte dos devedores no Brasil são pessoas que assumiram o risco do empreendedorismo e por fatores externos e de má gestão acabaram endividados. Não podemos esquecer que o Brasil é um dos países com a maior carga tributária e de maior burocracia do mundo. Porém, em muitos dos casos investigados, localizamos transações para fraudar os credores.
É caro fazer uma investigação?  
Isso é muito relativo. Se você possui um crédito inadimplido no valor de R$ 30 milhões (valor médio das dívidas que investigamos) quanto você pagaria para encontrar alguns milhões? Posso apenas garantir que o investimento trás um retorno extraordinário.
O quadro que se revela dá alguma esperança de mudança?
Espero que sim. Mas apenas vejo melhora econômica relevante para 2019, pós eleições. 
Você é fernandopolense e também casado com uma fernandopolense. Pelo jeito a cidade é o porto seguro? 
O porto seguro e o porto feliz! (rsrs...) Apesar de morarmos em São Paulo hoje, fomos criados, temos muitos amigos e familiares e amamos a cidade! 

 

 

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