“O eleitor tem que usar o voto faxina em 2018”

OBSERVATÓRIO - 18:07:03
“O eleitor tem que usar o voto faxina em 2018”

“O povo não acredita mais na estabilidade, as instituições perderam a credibilidade. A crise é profunda”. Foi assim que o jurista Luiz Flávio Gomes, criador do movimento “Quero um Brasil Ético” definiu a situação atual do Brasil em entrevista ao CIDADÃO poucos minutos antes de subir ao palco para uma palestra aos estudantes de Direito da Universidade Brasil, na sexta-feira, 22, no encerramento da Semana Juridica. Ele está percorrendo o Brasil propagando o movimento pela ética e, principalmente, pelo voto que denominou de faxina em 2018. Nesta semana, dia 27, ele esteve reunido com empresários do LIDE Rio Preto. Para os estudantes fez a defesa do voto consciente e da importância de votar. “Em 2018 não cabe abstenção. É preciso fazer a limpeza”. Para os empresários apontou a necessidade de praticar a ética “e começar a fazer negócios da maneira correta e que não acabe surrupiando o dinheiro público”. Luiz Flávio Gomes é da região, nasceu em Sud Menucci, e já publicou 57 livros. Nas redes sociais, em palestras e entrevistas Brasil afora, o jurista tem feito um alerta: “Se for mantida a estrutura de poder que está aí, o Brasil vai aprofundar em termos de corrupção e isso pode levar o país para o colapso e depois para convulsão social”. Veja a entrevista:  

Como podemos definir a situação atual no Brasil?
O Brasil passa por um momento de uma crise profunda, porque o povo não acredita mais na estabilidade, as instituições perderam a credibilidade. A crise é profunda, espera-se que as eleições de 2018 possam apaziguar, mas as perspectivas não são boas, porque se antes nós tínhamos uma bipolarização, PT x PSDB, agora nós temos uma tri-polarização, PT, PSDB junto com o PMDB e a extrema direita que é o grupo que aparece nas pesquisas em segundo lugar. Logo será uma disputa extremamente radicalizada e essa radicalização leva a divisão da população e isso significa que a governabilidade a partir de 2019 não será fácil, mas nós estamos na torcida para que a população em 2018 pratique o voto faxina e faça a limpeza de corruptos e que vá para Brasília gente capacitada e de ficha limpa.
O senhor criou o movimento “Quero um Brasil Ético”. O que pretende com esse movimento?
Esse movimento representa as pessoas que estão indignadas com tudo isso, que não concorda com a situação atual e nossa bandeira é a do voto faxina. É o momento de o eleitor dar um voto consciente, do contrário, se mantiver a estrutura de poder que está aí, o Brasil vai aprofundar em termos de corrupção e isso pode levar o país para o colapso e depois para convulsão social.
Em Fernandópolis, o senhor fez uma palestra para estudantes de Direito no encerramento da Semana Jurídica da Universidade Brasil e no dia 27, falou para empresários do LIDE em Rio Preto. Pra esses grupos diferentes, qual o recado passado? 
Falar para acadêmicos significa enfatizar o lado do voto consciente, a necessidade  de votar. Não podemos nos abster. Abstenção não cabe mais em 2018. Temos que votar e fazer a limpeza. Para grupos de empresários nós falamos do voto faxina e também da ética . Temos que estimular todo o mundo empresarial a entrar para o mundo ético e começar a fazer negócios da maneira correta e que não acabe surrupiando o dinheiro público. Para cada público é um discurso, porém, existe um denominador comum: o voto faxina e ética em 2018.
Que Brasil o senhor espera que saia das urnas em meio a essa crise. Acredita mesmo ser possível essa faxina, como defende?
Pelo menos metade da população brasileira, aquela que está mais informada em razão da internet e do celular na mão, vai ser muito dura, vai dar um castigo duro naqueles que são corruptos ou que estão envolvidos com corrupção. Estamos pensando que um Congresso Nacional renovado pode sim sair das urnas de 2018. Isso não se colocava em 2014, já que a eleição foi toda centrada na presidência da república. Hoje é fundamental pensar na presidência, mas, sobretudo, na renovação do Congresso Nacional. Por isso o voto faxina, faxinar corruptos e criar um Congresso favorável à governabilidade no Brasil.
Qual o papel do Poder Judiciário nesta crise?
O Poder Judiciário tem que cumprir o papel de juiz imparcial que julgue tudo e que não seja moroso. O Supremo, por exemplo, é extremamente lento. Isso a sociedade não tolera mais. O Moro (juiz federal Sérgio Moro) já condenou 121 pessoas e o Supremo até agora não terminou sequer um processo da Lava Jato, ou seja, o Supremo é um Tribunal muito lento, está em desacordo com o que a população deseja. O STF tem que modificar radicalmente sua postura daqui para a frente.
O senhor acredita que Lula consiga ser candidato a presidente em 2018?
Dificilmente. O Lula dificilmente será candidato por causa da Lei Ficha Limpa. Ele vai ser alcançado por essa lei. Já foi condenado em primeiro grau e se o Tribunal Federal confirmar a sentença do Moro, Lula é alcançado pela Lei da Ficha Limpa, com isso estaria fora da disputa o que não significa que não haverá um candidato do seu grupo. Se ele não for, com certeza, ele vai indicar outro candidato para essa missão em 2018.
O senhor defende a possibilidade de candidato avulso, independente. Como funcionaria isso?
Isso seria uma das maiores revoluções do momento. Permitir candidaturas avulsas, fora de partidos políticos, só será possível se o Supremo admitir o recurso que já está lá, com o ministro Luiz Roberto Barroso. Se o Supremo admitir nós veremos muitas candidaturas autônomas, independentes, sem partido político. Neste caso, o candidato precisa buscar muito apoio popular para ele poder ser eleito. Por exemplo, para deputado federal, ele terá que fazer um coeficiente eleitoral o que em São Paulo gira em torno de 280 mil votos para ser eleito. Logo não é tarefa fácil, mas candidaturas avulsas estimulariam os velhos partidos a se aprimorar, atualizar, modernizar, porque está faltando concorrência para esses velhos partidos.
E essa reforma política, se é que se pode chamar de reforma?
A reforma praticamente naufragou. Alguns pontos que a Câmara dos Deputados aprovou são pontos  que não são os mais importantes e, ademais, eles estrangularam toda a proposta que veio do Senado. Portanto, a Câmara  dos Deputados deu mais uma demonstração de um poder legislador que não se entende, não tem consenso e, de outro lado, gastaram um dinheiro imenso durante um ano de discussão, para no final resultar em praticamente nada. Lamentável o papel a Câmara dos Deputados cumpriu neste caso. A julgar por tudo que já assistimos, as eleições do ano que vem seguem as antigas regras, porque eles não foram capazes de aprovar.
Como o senhor analisa essas vozes que saíram dos quarteis das Forças Armadas recentemente e ganharam repercussão nas redes sociais? Que recado elas passam?
Essas vozes do Exército que pregam golpe militar dão um sinal, que é bom, para o Poder Judiciário e para as instituições: cuidado ai, façam as coisas corretas, façam a limpeza que precisa ser feita. Ao mesmo tempo, no entanto, o meio que eles sugerem, golpe militar, é flagrantemente inconstitucional. Não cabe na nossa constituição a proposta  que foi feita esta semana por um general do Exército (General Mourão). Não tem cabimento falar nisso agora. De qualquer modo ele está contribuindo para o debate dizendo: limpem essa corrupção porque  ninguém está feliz e satisfeito com tudo isso. Eu pego a fala do general para completar: então vamos fazer a faxina. Nós, os eleitores é que temos que limpar essa corrupção. Até o Exercito está manifestando intolerância com toda essa corrupção.
Mantém ainda algum grau de otimismo em relação ao Brasil?
Nós temos que ser otimistas, porém, realistas. Não diga que o Brasil é o país do futuro. O Brasil é um país complicadíssimo, é o nono país mais violento do planeta, é o país que mais bate em professores do planeta, é o quinto país que mais mata mulheres. É complicado o Brasil. Temos que ser otimistas com realismo. O estado brasileiro tem que cumprir cinco papeis e só, nada mais, porém cumprir bem: saúde, educação, justiça, segurança e fiscalização do mercado. Isso compete ao estado. Com essas mudanças podemos ter sim um Brasil, que é o gigante que a gente sonha.
Qual a mensagem que deixa aos fernandopolenses?
Temos que fazer a nossa parte, fazer a faxina. Se não fizermos a nossa parte, não adianta nada. Vote errado, vote em corrupto para você ver aonde é que o Brasil vai parar. 

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