“Hoje me sinto uma coadjuvante”, diz a criadora da Mostra Estudantil de Teatro

OBSERVATÓRIO - 17:48:26
“Hoje me sinto uma coadjuvante”, diz a criadora da Mostra Estudantil de Teatro

A Mostra Estudantil de Teatro está completando 23 anos com uma marca: é o projeto cultural mais longevo da história da cidade. Criado pela atual secretária de Cultura Iraci Pinotti em 1994, o projeto resistiu a seis administrações e oito prefeitos. A uma semana de iniciar mais uma edição da mostra, Iraci Pinotti diz ser apenas uma coadjuvante. “(A mostra) acontece por conta da vontade e curiosidade do fazer teatral dos próprios estudantes, pelo interesse de algumas escolas e professores”, diz Iraci nesta entrevista ao CIDADÃO. O lançamento da Mostra há 23 anos motivou a construção do Teatro Municipal. As primeiras mostras ocorreram em espaços como antigo Cine Santa Rita e CPP. Segundo a secretaria, ter um teatro na cidade capaz de abrigar uma produção teatral é um dos fatores que 

justificam a longevidade da mostra. Além da Mostra Estudantil de Teatro, Iraci 
Pinotti aborda outros temas, entre eles, o fato de sua pasta ter sempre o menor orçamento entre todas e o trabalho para que Fernandópolis conquiste o selo de “Município de Interesse Turístico”. Veja a entrevista:


Vai começar a Mostra Estudantil de Teatro em sua 23ª edição. Você se sente mãe deste projeto?
Embora tenha criado o projeto da Mostra Estudantil de Teatro, hoje me sinto uma coadjuvante, pois ela acontece por conta da vontade e curiosidade do fazer Teatral dos próprios estudantes, pelo interesse de algumas escolas e professores. A Prefeitura cuida da organização do evento e estimula a sua continuidade.
 No início, a mostra era uma disputa entre os grupos das escolas e hoje não há mais essa disputa por maior quantidade de prêmios. Essa disputa não era saudável?
A competição, neste caso, não é nada saudável, pois, com o passar dos anos, depois de várias edições do projeto, passamos a perceber que só aumentava a rivalidade entre as escolas e os estudantes, uns torciam contra os outros. A proposta do projeto sempre foi a formação de público, a socialização entre as pessoas, a vivencia artística teatral, a realização de um projeto que tivesse um envolvimento da comunidade estudantil e o fomento da Cultura em nossa cidade.
Ao avaliar os 23 anos do projeto, você considera o formato atual como ideal ou já estuda mudança?
Já estudamos alguma mudança para o próximo ano, de tempos em tempos o projeto precisa se reciclar e buscar o seu crescimento enquanto projeto e conteúdo.
Qual a sua expectativa para a Mostra desse ano? Os grupos que vão se apresentar receberam apoio técnico da Secretaria de Cultura?
Várias oficinas e acompanhamento técnico de teatro foram oferecidas aos grupos participantes da mostra, através da parceria com o projeto “Ademar Guerra” do Governo do Estado, da Cultura, do Circuito Cultural Paulista, e por profissional da própria Secretaria de cultura.
Esse é o projeto mais longevo na história cultural de Fernandópolis, tendo passado por seis administrações e oito prefeitos, sem ser interrompido. O que explica essa longevidade, já que outros projetos não tiveram a mesma sorte?
Ter um teatro na cidade capaz de abrigar uma produção teatral é um dos fatores. A disposição da Prefeitura em promover o evento e pessoas a fim de vivenciarem esta arte é outra. A arte teatral é estimulante e completa, a música, a dança, as artes visuais se fazem presente. Acredito que houve continuidade também, pelo poder que o teatro exerce sobre todos nós. Ser artista me parece povoar o imaginário das pessoas, especialmente os mais jovens. Cresci querendo ser artista.
Todo ano, existe a polêmica da verba para Orquestra de Sopros, projeto reconhecido internacionalmente, mas que localmente ainda sofre por falta de apoio contínuo. O que está sendo feito para mudar esse cenário?
Retornei este ano à Secretaria de Cultura e me senti começando tudo de novo. A Cultura estava junto com Esporte sem uma estrutura adequada para se trabalhar, e uma crise nunca vista no Brasil. Hoje a Secretaria voltou a ser independente. O apoio contínuo para a manutenção dos projetos da Cultura inclusive das associações Culturais, depende de recursos, e eles estão cada dia mais escassos. Estamos estudando novas formas de apoio e sobrevivências dos projetos.
 A pasta da Cultura sempre teve a criatividade como maior recurso, porque é uma das chamadas “primas” pobre da administração na hora de dividir o bolo do orçamento. Como é lidar com essa realidade?
O prefeito André Pessuto tem interesse em construir uma cidade melhor para todos nós. Tem sido um jogo de quebra cabeças, montar um orçamento que atenda a todos os setores da Prefeitura. É evidente, que sempre dialoguei com o prefeito e com a Secretaria de Gestão, para ter mais dotação orçamentária para a Cultura. Participei das discussões da preparação da LDO para o próximo exercício. A Secretaria de Cultura sendo a de menor dotação tenta buscar recursos por outros meios: Leis de Incentivo, editais do Governo Federal e Estadual, emendas parlamentares, projetos voluntários e por ai vai. Em 2017 produzimos inúmeros projetos em busca de recursos. Sem dúvidas, já neste ano demos um grande salto com os eventos, utilizando a criatividade e a boa vontade, como foi o caso do FernanRaiá, EuRiso, Férias com Arte, a retomada efetiva da reforma no Museu, reformulação da Biblioteca, criação do Coro Infantil entre outros.
Muitos projetos culturais estão parados ou caminham devagar, por exemplo, o da ocupação da antiga Estação da Fepasa. Tem como resgatar esse projeto?
O prefeito André Pessuto nos solicitou, depois de várias visitas na região da Estação Ferroviária, um levantamento quanto ao projeto da Estação das Artes, aprovado em 2010. No entanto, foi feito o distrato do contrato no ano de 2013 e o recurso que havia sido ganho por emenda parlamentar, para a sua execução, foi devolvido ao governo federal. Foi preciso um levantamento atual da situação da área da Ferrovia, e encaminhado órgão responsável em Brasília, para buscar novamente autorização de posse ou concessão de uso do local. Só depois disso poderemos fazer qualquer intervenção.
Você encampou também o projeto turístico da cidade. O que o turismo pode contribuir para alavancar a cidade?
A Prefeitura de Fernandópolis por meio das Secretarias de Cultura, Planejamento e Desenvolvimento Sustentável se uniram para cumprir o Edital em busca da conquista do título de MIT- Município de Interesse Turístico. Com o título, o município receberá recursos por meio do Fundo Municipal de Turismo para investimento na área. Fernandópolis só tem a ganhar, será estruturada para Fomentar o Turismo, com uma agenda de eventos permanente, cuidar da cidade para que seja atrativa, acolhedora, enfim, para trazer pessoas e consequentemente divisas ao Município.
O selo turístico será uma realidade?
Todo o trabalho está sendo feito pela Prefeitura no sentido de buscar este selo, inclusive a preparação de projetos para a melhoria da infraestrutura, de lazer e entretenimento de Fernandópolis. Tenho convicção que temos capacidade para receber o selo, no entanto, também sei que depende do esforço de toda a sociedade. Temos que receber bem todos que passam que pela nossa cidade, cuidar para que Fernandópolis seja atrativa. Toda a cadeia de prestadores de serviços que atenda a demanda turística precisa estar conectados a este projeto.

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