Sinal de alerta: A Sífilis virou epidemia

OBSERVATÓRIO - 18:20:46
Sinal de alerta: A Sífilis virou epidemia

Os profissionais médicos e enfermeiros das unidades de saúde de Fernandópolis e microrregião participaram no final do mês de outubro de uma capacitação sobre sífilis em adultos, gestantes e bebês. A doença é tratada como epidemia desde 2014, quando houve explosão de casos. Ainda hoje, ela gera preocupações na área da Saúde.

O médico infectologista do CADIP - Centro de Atendimento a Doenças Infectocontagiosas -  Maurício Fernandes Favaleça, recebeu o CIDADÃO esta semana para falar do assunto.  A preocupação com a doença está nos números. No mês passado durante ação na praça central da cidade, foram realizados 54 testes rápidos para a doença. Três deram resultado positivo e as pessoas, que não sabiam da doença, foram encaminhadas para o devido tratamento. 
Como elas, existem muitas outras pessoas se relacionando e potencializando a transmissão da doença. O médico, que é filho do ex-prefeito de Santa Fé do Sul, Toninho Favaleça, e que há quatro anos reside em Fernandópolis, está atuando como médico infectologista no Cadip, onde divide a responsabilidade com o Dr. Márcio Gaggini. Segundo ele, o teste rápido está disponível em todas as unidades de saúde do município durante o ano todo e é fundamental para descoberta precoce da doença e para tentar conter o avanço da Sífilis. Números divulgados esta semana pelo Ministério da Saúde mostram que a Sífilis teve aumento de 28% no número de casos em 2016, mas há sinais de queda neste ano. Veja a entrevista: 

O senhor coordena um trabalho de capacitação de médicos e profissionais de saúde sobre a Sífilis. Por que essa doença ainda é motivo de preocupação?
Nós estamos trabalhando no município, porém, o Ministério da Saúde está trabalhando em nível de País. A Sífilis tem aumentado muito não só aqui no Brasil, mas em outros países e é uma doença em que a grande parte dos casos de transmissão é via sexual. Pode ocorrer a transmissão da mãe para o feto, durante a gestação e nestes casos pode resultar em casos de complicações graves com o recém-nascido. É uma doença que tem como fazer a prevenção, com os cuidados prévios, utilizar o preservativo. Tem o tratamento e é barato, com penicilina benzatina. Estamos fazendo esse trabalho, porque apesar de ter como prevenir e ter tratamento, o Brasil ainda registra aumento no número de casos de sífilis.
Quando se fala que a Sífilis é caso de epidemia, no âmbito do município, isso também é uma realidade?
Sim, é uma realidade. A situação de Fernandópolis é igual a de todas as cidades vizinhas e de todo o País. É uma situação onde a gente vê a cada ano aumentar o número de casos de sífilis na população. O que nos preocupa é que tem disponível o preservativo, tem o tratamento, tem exames para diagnóstico. Hoje tem o teste rápido em todas as Unidades de Saúde onde a pessoa, na hora, tem o resultado e já é encaminhado para o tratamento médico. A preocupação é que em casos de mulheres, que ficam gestante, se a sífilis não for tratada adequadamente pode gerar consequências para o recém-nascido, como más formações e até aborto.
A sífilis é uma doença que atinge as camadas mais pobres da população ou já está disseminada?
A gente não pode falar que atinge só as camadas mais baixas. Hoje em dia a sífilis está presente em todas as classes sociais.
Ficamos muito tempo sem ouvir falar em sífilis e, de repente, ela chega com a força de uma epidemia. O que aconteceu?
Olha uma das coisas que temos visto é que as pessoas não estão se preocupando muito com a prevenção durante os atos sexuais. Por pensar que a doença tem tratamento, tem cura, as pessoas não pensam nas consequências que a sífilis pode trazer. Uma pessoa que tem a doença e não se trata adequadamente, com os anos dessa doença no organismo, pode afetar o cérebro, olho e vários órgãos. É uma prevenção simples, usar o preservativo. E nós estamos aqui falando de sífilis, mas tem outras infecções sexualmente transmissíveis e importantíssimas, como as hepatites virais, a Aids. 
Quando o senhor realiza essa capacitação com médicos e profissionais da saúde, é porque muitos casos estão chegando ao Cadip em estágio avançado?
Na verdade, embora a gente faça essa capacitação, como nestes dias, buscamos chamar a atenção para essa doença que está presente no nosso dia a dia, alertando sobre as formas de fazer o diagnóstico, falando sobre o tratamento, até porque o Ministério da Saúde alterou o protocolo de tratamento dessa doença. Isso é para atualizar os colegas e chamar a atenção para a sífilis no dia a dia.
Tem algum grupo mais vulnerável?
Olha, as infecções sexualmente transmissíveis tem um grupo de pessoas mais suscetível às vezes pela exposição, por exemplo, profissionais do sexo, pessoas com vários parceiros, isso tem um risco maior. Mas, o risco atinge a população sexualmente ativa, isso em qualquer faixa etária.
Em que momento e de que forma a sífilis se manifesta? Quais os sinais?
A sífilis tem algumas fases. Na fase primária, que é logo quando se tem o primeiro contato que pode demorar uns trinta dias para aparecer uma lesão, aparece um machucadinho que geralmente não dói, é único e no órgão genital. Essa feridinha pode sumir, as vezes, sem tratar e a pessoa ficar com a bactéria no corpo. Essa bactéria, com o tempo, pode ter manifestações em outros sistemas do nosso corpo. Então pode aparecer mancha de pele principalmente nas palmas das mãos, nas plantas dos pés, pode ter queda de cabelo, aumentar o baço, o fígado, ter febre, aumentar os gânglios (as ínguas) nessa fase que a gente chama de secundária. E em casos que não são tratados nesta fase, um terço deles vai evoluir para a fase mais grave da doença (terciária tardia) que pode atingir coração e outros órgãos nobres.
No Cadip, a maior parte dos casos chega em que estágio?
Grande parte dos diagnósticos chegam para a gente numa fase que a pessoa não tem sintomas, que a gente chama de sífilis latente. A pessoa vai fazer o exame e detecta que já teve contato com a doença. Mas, aqui no Cadip tratamos da sífilis em todas as fases. É mais raro tratar nesta fase terciária tardia.
No casos das DSTs (Doenças sexualmente transmissíveis) a sífilis é a maior preocupação?
É uma das preocupações. Ainda temos um índice grande de aumento de casos da Aids, assim como as hepatites virais. Apesar da Aids hoje ter um controle muito maior, melhorar a qualidade de vida de pacientes com tratamento, a gente vê o número de casos novos aumentar. 
No caso da Aids, o fator tratamento leva as pessoas a desprezarem os cuidados?
Temos que lembrar que falamos em qualidade de vida de uma doença que a gente tem medicamento para controlar. Mas, não estamos falando de cura. Então, a melhor forma de combater a Aids é a prevenção. E a forma de transmissão é básica, como da sífilis, via sexual. Então é usar o preservativo. E quem nunca fez um exame, vai até uma Unidade Básica de Saúde perto de sua casa e faz o teste rápido para a Aids, Hepatite B, Hepatite C, Sífilis. O resultado sai na hora. Isso é importantíssimo para controle dessas doenças.
O alerta é para os mais jovens, adultos e até idosos?
Para todo mundo que tem vida sexual ativa, independentemente da idade, tem que fazer os exames. Até porque hepatite C, por exemplo, antes de 1993 não tinha exames para fazer diagnóstico e muita gente recebeu transfusão sanguínea quando era mais jovem e depois nunca mais fez exame. E ela é uma doença silenciosa, então a pessoa pode ter a doença e não sabe que tem. Grande parte dos portadores de hepatite crônica não sabe que tem a doença, porém, alguns descobrem numa fase já de cirrose e isso é ruim. Tem vida sexual ativa? Tem que fazer esses exames e usar preservativo.

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