“Não condeno ele”, diz viúva de PM morto em assalto no Shopping

GERAL - 19:03:34
“Não condeno ele”, diz viúva de PM morto em assalto no Shopping

Dia 11 de novembro de 2017. Há exatos 12 meses, um disparo de arma de fogo destruiu toda uma família. Era para ser apenas mais um dia de trabalho. O cabo da Polícia Militar Claudio Roberto Florindo da Silva, vestiu sua farda, despediu-se de sua esposa Lígia Canevassi, deu um beijo em suas filhas Lívia, de oito anos, e a recém-chegada Bianca, de apenas quatro meses e partiu para o seu posto. 

Ele assumiu o plantão por volta das 18h do dia 10 e como sempre fez, desde 1999 quando entrou na PM, e saiu às ruas para tentar manter as famílias de Fernandópolis mais seguras, algo que ela fazia com extremo amor e dedicação. 
Porém, passavam-se apenas alguns minutos das três da manhã do dia seguinte, quando um chamado caiu no rádio da viatura a qual dirigia. Tinha sido uma noite tranquila, tanto que antes de partir para a ocorrência, ele enviou uma mensagem para sua irmã dizendo que iria atender a uma reclamação sobre bombinhas no Shopping.  
Chegando lá, no entanto, seu destacamento foi recebido a tiros. Não se tratava apenas de bombinhas, como ele imaginava, mas sim de bandidos fortemente armados, que estavam lá para explodir e roubar os dois caixas eletrônicos instalados no centro comercial e, para tal, montaram uma verdadeira operação de guerra. 
Acuados, Claudio e seus companheiros de viatura revidaram, mas ele acabou sendo atingido por um dos disparos. A bala acertou seu pescoço e ele teve que ser levado às pressas para a Santa Casa, onde passou por uma complicada cirurgia. 
Três dias depois, quando se imaginava que o pior já tinha passado Claudio voltou para casa. Foi recebido com alegria e seus amigos já comemoravam sua recuperação, mas infelizmente essas foram as últimas horas dele ao lado de sua família. Na manhã do dia 15 de novembro de 2016, feriado nacional de Proclamação da República, ele voltou a passar mal foi levado às pressas de volta para o hospital, mas não resistiu e acabou morrendo após uma parada cardíaca. 

Herói na vida e após a morte 

Claudio foi sepultado com honras militares, mas antes deu mais uma prova de heroísmo. Em cumprimento a um desejo que deixara ainda em vida, seus órgãos foram doados.  
A solenidade fúnebre foi realizada no cemitério da Consolação, sob às ordens do comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Ricardo Gambaroni e do comandante do 16º Batalhão, tenente-coronel Antonio Umildevar Dutra Junior. 
Centenas de fernandopolenses e de militares de toda a região participaram da última homenagem a Claudio, que teve início na Câmara Municipal de Fernandópolis, onde o corpo estava sendo velado, ganhou às ruas da cidade com o cortejo acompanhado por viaturas de todas as corporações, inclusive da Polícia Federal, além de carros e motos comuns, e terminou com o toque do clarim e o jogar das rosas sobre o túmulo. 
 Não obstante os 21 disparos da salva de tiros, o ponto mais emocionante da cerimônia foi quando a bandeira do Brasil, que a todo momento estava sob o caixão de Cláudio, foi entregue a viúva dele, Lígia Canevassi, pelo comandante geral da PM, marcando o seu encerramento. 
AS INVESTIGAÇÕES 
Meses depois veio a surpresa. O inquérito policial conduzido pela Polícia Civil apontou que o disparo que o tiro que atingiu Claudio não veio dos bandidos, mas sim de um policial militar – que ainda não teve o nome divulgado – que estava dentro da mesma viatura que ele. 
As informações preliminares apontam que no meio do tiroteio, o PM que estava no banco de trás, ao atirar contra os bandidos, teria disparado acidentalmente contra Claudio, que era quem estava dirigindo.  
O caso foi remetido ao Ministério Público Militar, que não indiciou o autor do disparo por entender que se tratou de um acidente de trabalho enquanto os dois cumpriam as suas funções. 

Quebrando o silêncio

Desde o sepultamento de Claudio, sua esposa Lígia Canevassi, se manteve em silêncio. Ontem, 10, no entanto, ela concordou em conversar com a equipe de CIDADÃO, em honra a memória de seu esposo. 
Lígia, que na época do tiroteio ainda estava de licença maternidade, disse ainda se perguntar como tudo isso foi acontecer. “Era uma coisa que não esperávamos que chegasse aqui. Até hoje fico me perguntando o porquê”, desabafa.  
Ela contou ainda que o apoio de sua família e da família de Claudio foi essencial para que pudesse suportar a dor da perda e que, graças aos colegas de farda de seu marido conseguiu passar pelo período mais crítico após o acontecido.   
“Recebi bastante apoio dos colegas dele, tanto daqui, quanto da região. Eles fizeram uma arrecadação entre eles, pois o governo cortou tudo e só fui receber a pensão do Claudio em fevereiro. Se não fosse o apoio deles e da nossa família não sei se conseguiria suportar essa barra”, completou. 
Sobre as investigações que apontaram que o disparo partiu de outro PM, Lígia disse não carregar mágoas e que o julgamento caberá a Deus. 
“O que mais me chocou foi que recebi essa informação por terceiros, ninguém do Quartel me chamou para contar o que tinha acontecido de fato naquele dia. Sabe, as vezes as pessoas até me julgam por isso, mas eu não condeno ele. Não quero carregar essa mágoa em meu coração. Quem vai julgar é Deus, até por que ele não queria fazer isso, foi um acidente no meio de toda aquela situação. Não vai adiantar eu ficar com raiva”, afirmou. 
Com as datas, a dor aumenta, mas Lígia luta contra ela se utilizando das boas lembranças e dos presentes mais preciosos que Claudio deixou para ele: Lívia e Bianca. 
“O Claudio era tudo para gente e sempre será”, concluiu.

 


 

VEJA TAMBÉM

teste

Costa Azul turismo
ga('send', 'pageview');