“É possível enxergar um futuro melhor para a Santa Casa”

OBSERVATÓRIO - 19:08:09
“É possível enxergar um futuro melhor para a Santa Casa”

À véspera de realizar o seu tradicional leilão beneficente de gado geral,  com cerca de 300 animais, a Santa de Fernandópolis já começa a respirar ares de esperança após sete meses da nova gestão, assumida em abril pela OSS – Organização Social de Saúde – de Andradina. O provedor, Fernando Cordeiro Zanqui, nesta entrevista ao CIDADÃO, fala dos desafios diários para colocar o hospital nos trilhos. Como ele diz: “É possível sim enxergar um futuro melhor”. E enaltece a solidariedade do povo fernandopolense: “Essa solidariedade foi o primeiro grande impacto que tivemos quando assumimos a gestão da Santa Casa de Fernandópolis”. Veja a entrevista: 

A Santa Casa realiza neste domingo, 12, o tradicional leilão de gado geral. Qual a expectativa da direção sobre o resultado desse evento?

Neste ano, escolhemos realizar dentro do nosso planejamento apenas um evento em prol da Santa Casa, focando todos os esforços de nossa equipe e dos diversos voluntários que nos auxiliam para a realização deste Leilão Beneficente de Gado Geral, no recinto de exposições, que nos foi gentilmente cedido pelo empresário Gutinho Sisto. Estamos às vésperas deste evento com uma expectativa positiva, não apenas por nosso esforço, mas pela solidariedade da população de Fernandópolis e de toda a região, que é um diferencial que encontramos aqui. Nossa população abraçou a causa e com certeza teremos um evento agradável para as famílias que participarem e também para os pacientes que serão beneficiados com os recursos do mesmo.
Fernandópolis sempre foi marcada pela solidariedade de sua gente em eventos, principalmente à Santa Casa e entidades. Como está o apoio para esse Leilão?
Essa solidariedade foi o primeiro grande impacto que tivemos quando assumimos a gestão da Santa Casa de Fernandópolis. Para um evento importante como esse é, não poderia ser diferente. As pessoas reconhecem a importância que a Santa Casa tem para toda nossa população e auxiliam de coração. Foram muitas as pessoas que, quando receberam nosso pedido, nos disseram “sim” sem pensar duas vezes e também diversas pessoas nos procuraram, oferecendo sua ajuda. Isso é muito gratificante, pois sabemos que com o apoio de todos é que podemos evoluir cada dia mais.
A arrecadação do leilão e do almoço já tem destinação?
Sim. Quando iniciamos o planejamento do Leilão, fizemos um levantamento das principais necessidades existentes dentro da Santa Casa e que não foram contempladas com a destinação de emendas parlamentares ou outros recursos. Nessa análise identificamos a necessidade de reformar parte da estrutura física e a ambiência de algumas de nossas unidades, então focaremos os recursos para esse fim.
Essa nova gestão da Santa Casa completou os primeiros sete meses. O que já foi possível fazer neste período?
Esses primeiros meses foram de muito trabalho. A Santa Casa de Fernandópolis é uma instituição que já tem 70 anos de história e números impressionantes. Somos referência para mais de 116 mil vidas de nossa região e que só no ano passado prestou mais de 164 mil atendimentos, distribuídos nas mais diversas áreas que possuímos. Então trabalhamos para que possamos fortalecer o Hospital, instituindo um planejamento estratégico, diminuindo gastos e aumentando a receita. Nesse período, especificamente, tivemos muitas conquistas, que vão desde a renovação e regularização de todas nossas certidões, melhorias estruturais e funcionais, liberação de emendas parlamentares, revisões contratuais, a regularização gradual de nossos débitos, como os salários de nossos funcionários, e até a assinatura de novo contrato com o Iamspe, com a ilustre presença do governador Geraldo Alckmin em nossa instituição, fato que não acontecia há anos. Também buscamos dar uma atenção especial ao Pronto Socorro, que é a porta de entrada para grande parte dos serviços prestados pela Santa Casa, por isso houve a necessidade de readequar o fluxo interno e também de buscar a negociação com os municípios da região que o utilizam, para que pudéssemos continuar prestando tais atendimentos. Outro trabalho que foi iniciado, mas que tem uma aplicação constante, é o desenvolvimento das ações de nosso Plano Institucional de Humanização, que tem como objetivos específicos difundir e implantar a Política Nacional e Estadual de Humanização, seguindo suas diretrizes e dispositivos, ampliando as ações em benefício de nossos pacientes.
Regularizar o pagamento dos funcionários foi o maior desafio neste início de gestão?
Na verdade, os desafios são vários e todos são importantes de serem superados e ultrapassados. Nós podemos pontuar que esse era, com certeza, nosso principal foco. Temos nos nossos funcionários a grande força que faz a Santa Casa ser o que ela é, eles são, junto com os médicos, parte vital para que todo esse sistema complexo, que é um hospital, possa funcionar e funcionar bem. Por isso, foi uma das metas que identificamos com prioridade, como forma de retribuir e valorizar toda essa dedicação.
Como está a relação com o Corpo Clínico do Hospital? 
Nosso trabalho tem sido empreendido no sentido de manter uma boa relação com o corpo clínico da instituição e fortalecer essa parceria cada vez mais, criando uma sinergia para o trabalho. Como principal Hospital de nossa região, precisamos dessa cooperação e temos buscado sempre reconhecer o esforço desses profissionais, que conseguiram enxergar nossos objetivos frente à instituição e que também abraçaram essa causa. É importante ressaltar ainda a parceria com a Associação Paulista de Medicina, que recentemente se prontificou em uma parceria para a readequação física e inauguração de uma nova Sala dos Médicos, oferecendo um ambiente confortável para esses profissionais.
E com os planos de Saúde?
Nossa relação com os planos de saúde tem sido harmônica e muito profícua, muito produtiva. Atualmente, a Santa Casa de Fernandópolis presta seus serviços a mais de 20 planos conveniados. Como citei anteriormente, nosso grande destaque com certeza é a regularização dos atendimentos ao Iamspe  - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual -, que tem uma importância peculiar e que demandou um grande esforço de toda nossa equipe, mas que teve um resultado extremamente positivo, o que foi reforçado justamente com a presença do governador na Santa Casa de Fernandópolis especificamente para a assinatura da documentação. 
A Santa Casa tem uma dívida elevada e apresentava um déficit mensal que colocava em risco o funcionamento do hospital. Esse déficit já foi controlado? Como está sendo tratada essa questão? 
Quando se fala em otimizar a gestão, o principal para sobrevivência de qualquer instituição é a equalização de seus recursos, não só financeiros, mas também de direcionar seu potencial e sua força para executar atividades que tragam um retorno positivo à instituição e é exatamente isso que temos buscado. Não é uma tarefa fácil, mas também não é algo impossível. Temos enfrentado diversos desafios, mas também temos logrado êxito em várias ações, como as que destacamos. Essa dificuldade é real e atinge todas as santas casas e hospitais filantrópicos, mas hoje temos um quadro mais estável e que, dentro de um trabalho a longo prazo, com planejamento, poderá ser amenizado ou até solucionado.
Já pode-se dizer que o pior passou e que já é possível enxergar um prazo para que a Santa Casa esteja devidamente saneada?
Eu prefiro dizer que estamos em um momento mais favorável para a construção de um futuro melhor. Os desafios que surgem todos os dias não são poucos, afinal a Santa Casa de Fernandópolis é uma instituição muito grande, muito complexa, com uma importância histórica muito grande, não só para Fernandópolis, mas também para toda nossa região. Mas é possível sim enxergar um futuro melhor.
Recentemente foi anunciada liberação de recursos para a reforma do pronto-socorro. Como está esse projeto? 
Esses recursos que possibilitarão a reforma e readequação do Pronto Socorro vem de fontes federais, por isso, há uma série de etapas e exigências a se seguir e temos que seguir esses prazos. Hoje o projeto técnico e arquitetônico já está aprovado e os recursos já foram creditados em uma conta específica da Caixa Econômica Federal, aguardando a realização de um processo de contratação de empresa para a execução das obras.
O prefeito André Pessuto anunciou que pediu o fechamento da UPA e a volta do atendimento para a Santa Casa. O Hospital está preparado para isso?
Esse processo de possível fechamento da UPA também segue o rito estipulado pelos órgãos de gestão do SUS, nesse caso, o Ministério da Saúde, então ainda não se há uma definição. Entretanto, no caso desse pedido ser aceito, nós estaremos trabalhando junto com a Prefeitura de Fernandópolis para criar um fluxo de trabalho, identificando quais estruturas e recursos seriam necessárias para absorver os atendimentos e prestar um serviço de qualidade à população.
Para a população de Fernandópolis e da região, que tem a Santa Casa como único hospital para atendimento médico, o que ela pode esperar para 2018?
Todos nossos mais de 500 colaboradores trabalhamos e acreditamos que podemos, mesmo com todos os desafios, construir um futuro ainda melhor para nossa Santa Casa. O 2018 da nossa instituição começou ainda este ano, com as diversas conquistas que tivemos e que nos dão uma base mais sólida para planejar e edificar nosso futuro. O diferencial que podemos elencar é realmente o planejamento. Nós temos planos e metas de trabalho para o ano que vem, construídos estrategicamente para que possamos fazer mais e cada vez melhor para toda nossa população. É somente esse trabalho focado e, em equipe, que nos trará grandes resultados. Recentemente, ouvindo nossos colaboradores lançamos uma campanha interna com uma frase que reflete bem essa essência: “Mesmo que o caminho seja árduo, confie. Juntos chegaremos lá.” 

VEJA TAMBÉM

teste

Costa Azul turismo
ga('send', 'pageview');