Caminhoneiro da perna gigante, que mobilizou a internet, volta a dirigir

CADERNO VIVA - 18:17:45
Caminhoneiro da perna gigante, que mobilizou a internet, volta a dirigir

Sexta-feira, 10 de novembro, um caminhoneiro se preparava para mais uma viagem dentro da sua rotina de trabalho. Ele acabara de carregar uma máquina impressora na Editora Ferjal em Fernandópolis e o destino era o estado de Alagoas. 

Seria uma viagem normal para qualquer caminhoneiro, não fosse por um detalhe: O homem que assumiria o volante da carreta para a longa viagem, há seis meses estava na internet com um vídeo em que revelava o seu drama. Sua perna esquerda pesava mais de 120 quilos por causa de um linfedema primário que se transformou em elefantíase, a síndrome da perna gigante.
Esse caminhoneiro se chama Estevão Ahnert, tem 39 anos, é casado e tem filhos. O vídeo viralizou e mobilizou milhões de pessoas impressionadas pelo mundo afora. Foram mais de 23 milhões de visualizações o que abriu caminho para uma vaquinha online para ajudá-lo no tratamento. “Todo mundo se solidarizou comigo após o vídeo postado por um amigo de Jales, o Adriano da RockCar”, contou.
Com a perna gigante, Estevão não conseguia mais caminhar e, óbvio, trabalhar. “Eu me arrastava no chão. Cansei de quebrar muletas”, contou em entrevista ao CIDADÃO, de pé, ao lado do caminhão, pouco antes de deixar Fernandópolis para a longa viagem até Alagoas, ao lado da esposa Diana e do filho André. 
O drama começou na infância. “Eu cortei a lateral do pé com um caco de vidro quando tinha 10 anos. Cortei uma das principais veias da perna, então por isso as outras secaram. Eu não tenho circulação de sangue e tenho retenção de líquido. Os linfonodos que a gente tem na batata da perna morrem por causa disso, então a água que está no sangue não circula para fora. Então vai crescendo, crescendo, acumulando e não para de crescer”, explicou. 
Ahnert diz que, no dia que chegou em São José do Rio Preto, 2 de maio passado, para iniciar o tratamento, precisou se arrastar do carro até a clínica. “Pensei que ia ter um troço. A minha perna pesava 120 quilos”. Quatro meses depois após o iniciar o tratamento ele decidiu voltar ao trabalho como caminhoneiro. “Perdi 75 quilos na perna. Já ando, subo no caminhão e dirijo, passo marcha normalmente (o caminhão não é automático).  Resolvi que tenho que trabalhar para bancar esse tratamento. Hoje ando com uma roupa especial na perna, que o Dr. Godoi fabricou e deu certo. A perna fica apertada e não incha mais. O tratamento é para o resto da vida. Não pode parar”, enfatiza. Atualmente ele mora em Cariacica (ES).
Por onde passa, decidiu que precisa contar sua história para mostrar que a doença, a elefantíase, tem jeito. “Não tem cura, mas tem jeito”. 
Apesar do drama, Estevão diz que nunca se revoltou e procura transmitir uma mensagem de otimismo. “Sempre fui alegre e brincalhão, as vezes estressado, mas sempre passei otimismo, querendo dizer que a doença não me ganhou e não vai me ganhar. Se a doença ganhar do cara, derruba ele”, diz, com a convicção de que Deus guiou os médicos no tratamento. 
Em São Jose do Rio Preto, especialistas da Clínica Godoy e professores da Faculdade de Medicina, a Famerp, desenvolveram um tratamento específico do linfedema em seu estágio mais avançado, que é a elefantíase, que é um estágio clínico onde o tratamento é dificultado devido as grandes deformidades. 
O Método Godoy é o primeiro a divulgar a possibilidade de normalização ou quase normalização do linfedema, inclusive na forma de elefantíase, abrindo perspectivas para o tratamento de milhões de pessoas em todo mundo. Há cerca de 16 milhões de pessoas no mundo com esse quadro, marginalizadas e sem esse tratamento que devolveu Estevão para as estradas brasileiras. 

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