Quando pedalar vira solidariedade

OBSERVATÓRIO - 18:33:22
Quando pedalar vira solidariedade

Fernandópolis assistiu neste mês de novembro mais um grande evento onde se uniu o esporte e a solidariedade. O 3º Pedal Solidário reuniu cerca de quatro centenas de ciclistas e arrecadou quase R$ 13 mil para a AVCC – Associação de Voluntários no Combate ao Câncer –. E essa história começou timidamente. há quatro anos, por iniciativa da Bicicletaria Monarke e hoje se transformou no maior evento esportivo da cidade. “É um evento que nunca poderá deixar de existir, pois hoje, o ciclista praticante, além de se preocupar com sua saúde física e mental, também tem uma preocupação em ser solidário e ajudar as pessoas e entidades necessitadas”, diz Iramaia Cristina de Oliveira Lopes, que ao lado do irmão, comanda a Bicicletaria Monarke que já tem uma história de 38 anos na cidade. Nesta entrevista ao CIDADÃO, Iramaia fala também da paixão pelo ciclismo, oportunidade de investir na saúde, ter amigos, curtir e explorar as paisagens maravilhosas da nossa região. “Pedale e melhore sua vida de maneira integral. Seu corpo agradece, e sua vida se transforma”, diz. Veja a entrevista:


Fernandópolis realizou com grande sucesso o 3º Pedal Solidário, uma história que começou com a Bicicletaria Monarke. Como foi essa iniciativa?
Tudo começou quando resolvi fazer o 1º Passeio Ciclístico, em alusão ao aniversário da loja, há quatro anos. Na oportunidade foi algo mais tímido, cujo objetivo era a arrecadação de leite para a Santa Casa da Misericórdia de Fernandópolis. Num domingo bem chuvoso, compareceram vários ciclistas, tanto os praticantes do esporte, quanto aqueles que tinham sua bicicleta apenas para locomoção diária. Já era então o início do advento dos grupos de ciclismo, e então, devido a pedidos, criei um grupo de ciclistas para que pudéssemos pedalar pelas trilhas da região. O grupo cresceu, e no ano de 2015, propus aos participantes deste e de outros grupos da cidade, que fizéssemos o 1º PEDAL SOLIDÁRIO, envolvendo também ciclistas da região. Todos prontamente aceitaram a ideia, e com o apoio da Bicicletaria Monarke, seus colaboradores e uma comissão de ciclistas de MTB (Mountain Bike), fizemos o 1º PEDAL SOLIDÁRIO em prol ao Asilo São Vicente de Paula.
Quais foram os maiores desafios para transformar essa iniciativa em realidade?
Na verdade, nesse tipo de evento, éramos praticamente os pioneiros na região. Então nossos maiores desafios eram: de um lado, proporcionar aos nossos ciclistas e também aos ciclistas visitantes um pedal que deixasse todos com “gostinho de quero mais”, isso pensando nas trilhas, apoios e alimentação que iriamos oferecer; e, por outro lado, alcançar o maior número de inscrições possíveis, trabalhando na divulgação e busca de contatos de pessoas em cada cidade da região, de modo que pudéssemos colaborar de forma efetiva com a entidade escolhida. Esses contatos foram mais facilmente conseguidos devido ao nosso conhecimento com várias bicicletarias de toda a região, uma grande maioria nossos clientes do atacado, podendo então serem pontos estratégicos na realização de inscrições para nós, como o são até o dia de hoje. Quanto mais inscrições, maior a renda da entidade. Considero que a sensibilização e a busca a estes ciclistas foram os grandes desafios que enfrentamos.
Como precursora do Pedal Solidário, que balanço você faz até o momento?
Considero esse tipo de evento um dos maiores que a cidade hoje promove, e enfatizo que deve ser efetivado no calendário anual da prefeitura. Através desse evento, Fernandópolis é divulgada por todo o Brasil, já que o trabalho de divulgação e convite é realizado em Grupos de Ciclismo compostos por ciclistas do Brasil todo. É um evento que nunca poderá deixar de existir, pois hoje, o ciclista praticante, além de se preocupar com sua saúde física e mental, ele também tem uma preocupação em ser solidário e ajudar as pessoas e entidades necessitadas.
E em relação ao resultado do último Pedal Solidário, qual sua avaliação?
Eu, juntamente com a equipe AFERCAN, e todos os ciclistas que participaram, estamos profundamente felizes com o resultado. A cada ano fomos melhorando nossa estrutura organizacional em relação ao pedal em si. E esse ano conseguimos mais uma vez deixar todos os ciclistas com o “gostinho de quero mais”, solidificando mais ainda a importância do pedal solidário. Foi um evento grandioso em estrutura do percurso (a trilha oferecida), gerando uma contribuição de R$ 12.845,00 para a Associação de Voluntários de Combate ao Câncer (AVCC).
O que fez o evento se tornar tão grandioso em tão pouco tempo? 
O coração e o comprometimento dos ciclistas de Fernandópolis, juntamente com uma equipe de trabalho que não mediu esforços, deixando de lado muitas vezes a família, o tempo de lazer e até o trabalho, para se dedicar exclusivamente a essa causa social.
Além do Pedal Solidário, sua empresa está diretamente ligada a uma série de outros eventos esportivos e solidários, isso é uma marca da Bicicletaria Monarke?  
Posso dizer que isso é algo que meu pai plantou em nosso coração: fazer o bem e não olhar a quem. Ele mesmo, cerca de um mês antes de falecer, realizou aos nossos olhos um enorme ato de caridade, que nunca mais esquecerei. E se isso é uma marca, então considere que sim. A marca que meu pai deixou na nossa família. Pois muitos que precisaram dele, ele nunca negou ajuda. Independente do comércio, que é totalmente ligado a esse tipo de evento (esporte/bike) ali tem pessoas que foram educadas e ensinadas a amar ao próximo. E já que através da loja podemos realizar esse tipo de solidariedade, porque não o fazer? 
Falando em Afercan, o que mudou no esporte fernandopolense com a chegada da associação?  
A Afercan foi um sonho do Sr. Humberto Cáfaro em trabalhar e alavancar três tipos de esportes aqui em Fernandópolis: o Ciclismo (MTB e SPEED), Atletismo e Natação. A partir da sua formação (documentação, estatutos) conquistou-se a parceria de vários atletas engajados em trabalhar em prol a uma associação que viria de encontro a apoiar os atletas acima citados. Destarte, iniciou-se um movimento grande de parcerias com várias empresas ligadas às essas modalidades, oferecendo a esses atletas descontos especiais. Através da associação, o incentivo ao esporte se tornou mais acentuado, pois vários tipos de eventos estão hoje diretamente ligados a organização da equipe AFERCAN (provas de ciclismo, corrida de rua, duatlon).
Como ciclista, participante de provas, quais são seus objetivos? 
Bem, sou ciclista. Participante de provas? Bem pouco. Já participei de algumas provas, a título de curiosidade, porque gosto de competir pra testar os meu limites e também para adquirir conhecimento para realizar provas aqui na cidade, como já o fizemos por dois anos consecutivos (MK Race Mountain Bike). Mas meu tempo de treino é pouco. Então posso me caracterizar como uma ciclista, amante inveterada desse esporte que entrou na minha vida no ano de 2014, apesar de ser criada dentro de uma bicicletaria, que fala da bike com paixão a todos que me perguntam como é pedalar, honrada com aqueles que viram minhas fotos e que chegam e confessam que iniciaram o esporte devido as minhas postagens. Tenho como objetivo primordial: ter saúde, ter amigos que pedalam e curtam as paisagens maravilhosas que podemos usufruir ao pedalar a bike e sair explorando as trilhas, fazendas, matas e cachoeiras da nossa região... esquecendo nesse momento todas as preocupações que possamos estar passando... manobrar esse divã psicológico chamado bike com a liberdade de um pássaro, vencendo os limites e resistências do próprio corpo.  
A sua família sempre esteve ligada com a bicicleta. Hoje essa marca está na ciclovia da Avenida Libero de Almeida Silvares que leva o nome de seu pai. Quando começou essa história?
Nossa história começou há quase 38 anos. Meu pai era barbeiro(cabeleireiro) e então disse pra minha mãe: “esposa, a bicicleta é o futuro”. A partir daí, abriu uma pequena porta e de lá pra cá as bênçãos de Deus estão nos recobrindo, proporcionado a nós o pão de cada dia, com muito trabalho, mas com muita vontade de vencer, atualmente eu e meu irmão procuramos seguir os exemplos que meu pai deixou, juntamente com os conselhos de nossa mãe, sempre procurando oferecer um trabalho de qualidade, honrando nossos clientes. Diretamente oferecemos emprego a 34 colaboradores. Após o falecimento do nosso querido pai, ficamos honrados quando a Câmara de Vereadores, na pessoa dos vereadores Étore Baroni e André Pessuto, hoje nosso prefeito, sugeriram que a ciclovia levasse o nome dele. E lá está: Ciclovia ASTROGILDO MARQUES DE OLIVEIRA.
A bicicleta sempre esteve ligada ao trabalho e hoje ela é objeto de desejo de pessoas de todas as idades. O que levou a bicicleta a assumir essa posição?
Acredito que seja a mudança de consciência das pessoas em relação a saúde. A bike, além de proporcionar aos praticantes desse esporte saúde física e mental, também proporciona uma elevação considerável no rol de amizades. E nós, seres humanos, precisamos muito conviver em grupo. Por isso digo: pedale e melhore sua vida de maneira integral. Seu corpo agradece, e sua vida se transforma.
Quais as bicicletas mais desejadas?
Tudo depende da idade, do perfil e do uso que irá fazer da bicicleta. Para os pequenos, as bicicletas com os personagens preferidos: Barbie, Homem Aranha, Capitão América, Lary bug, Princesas, etc; para alguns jovens entre 14-16 anos, as bicicletas modelo Barra Circular, com 72 raios, toda colorida. Utilizam para o trabalho e até mesmo pra pedalar na cidade. Temos então o grupo de senhores e senhoras que utilizam as bicicletas como meio de locomoção diário. E agora temos os ciclistas praticantes de Mountain Bike, que tem como objeto de desejo a MTB aro 29. 
Em Fernandópolis, já temos mais veículos motorizados do que eleitores. Há espaço para a bicicleta?
Sim! Através de um estudo amplo e preciso pelos engenheiros responsáveis pelo departamento de trânsito da nossa cidade, poderemos ter a criação de rotas com ciclovias estruturadas que possam proporcionar ao ciclista, tanto aquele que utiliza a bicicleta como meio de transporte, dentre eles os adolescentes e jovens que vão para a escola, e os senhores e senhoras que vão ao trabalho, quanto àquele que utiliza a bicicleta como prática de esporte. Nesse amplo projeto, estaria vinculada também uma efetiva conscientização em relação ao RESPEITO no trânsito, envolvendo os condutores de cada um dos meios de transporte utilizados em nossa cidade: carros, motos, caminhões e bicicletas. Cada um respeitando o seu espaço poderemos alcançar o objetivo buscado por todos nós: trânsito seguro e amigável.
Costuma-se dizer que o ciclista não respeita regras de trânsito. É uma verdade, ou mito?
Não concordo com essa afirmação, mas também não posso dizer que é um mito. Em princípio, o que é ser ciclista? Todos que pilotam uma bicicleta são ciclistas? Todos que pilotam uma moto são efetivamente motociclistas? Todos que pilotam um carro possuem efetivamente a habilitação para tal ato? As regras de trânsito foram criadas para nos proteger. Mas como em todas as categorias tem aqueles que obedecem, e aqueles que não obedecem, considero essa falta de respeito não um problema de uma modalidade específica, mas um problema cultural, educacional, que envolve o modo de ser de cada pessoa. O problema não são os veículos de transporte, mas sim quem os conduz. Nos nossos grupos de amigos que pedalam juntos, constantemente há posts que remetem a essa educação no trânsito, e procuramos efetivamente coloca-las em pratica. Muitas vezes já nos sentimos hostilizados pela falta de paciência de muitos que dividem o espaço conosco, mas também já sentimos a gentileza de muitos que até param seus veículos para que possamos passar com segurança. 
O ciclista é a parte mais vulnerável no trânsito. Quais os cuidados que precisa adotar para não correr riscos?
Considero que o ciclista precisa estar atento aos seguintes fatores:
- Iluminação: o ciclista precisa ser visto. Seus sinalizadores devem ser brancos na dianteira e vermelho com pisca intermitente na traseira, chamando a atenção daqueles que estão compartilhando o trânsito.  
- Capacete: esse é um acessório de fundamental importância para a segurança do ciclista. Muitos já foram protegidos e maiores males não aconteceu devido ao uso do mesmo.
- Luvas e óculos: as luvas protegem as mãos tanto do atrito da manopla no dia a dia quanto de possíveis lesões com alguma possível queda, pois levamos sempre a mão ao chão. Os óculos protegem nossos olhos da poeira e de insetos. 
- Nunca, em hipótese alguma, deve-se pedalar na contramão, mantendo distância das portas dos carros, sempre a direita. Sinalizar com a mão quando tiver necessidade de virar. Não pedalar nas calçadas, não passar em sinal vermelho.
- Ciclistas que praticam trilhas sempre ter o cuidado de pedalar em grupo, e quando não o fizer deixar avisado com alguém da família o percurso que irá realizar.

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