“Recuperar os empregos perdidos pode levar décadas”, diz economista

OBSERVATÓRIO - 19:03:18
“Recuperar os empregos perdidos pode levar décadas”, diz economista

O economista fernandopolense Jair Carlos Pires de Moraes, da JD Moraes Gerenciamento, faz uma análise sobre os efeitos da mais perversa crise econômica dos últimos anos que eliminou cerca de 3,5 mil empregos em Fernandópolis. Para o economista, a recuperação desses empregos pode levar anos, até décadas. E alerta sobre os efeitos do aumento dos tributos que reduz a competividade econômica da cidade e pode provocar evasão de pequenos empreendedores. Para os empresários, diz que é hora de se preparar para a volta do crescimento. Veja a entrevista:

Há cerca de 2 anos, em entrevista ao CIDADÃO, o senhor falava do impacto da crise econômica que, naquele momento, atingia o auge. Neste início de 2018, pode-se dizer que o pior já passou?
Sim, naquela ocasião (2015) existia todo um cenário de desequilíbrio e instabilidade que comprometia a base da nossa economia, tais como a inflação crescente, o câmbio instável e o desemprego acelerado, os quais tiravam o sono de todos nós, desde o simples cidadão, até os notáveis investidores e empresários. Hoje, as variáveis macroeconômicas apresentam um ligeira melhora em comparação com aquele ano, pois os sinais vitais da economia são mais favoráveis. No caso da inflação, houve um bom desempenho no controle, basta dizer que agora ela fechou o ano de 2017 com uma taxa de 2,95%, abaixo do piso da meta de 4,5% prevista pelo governo federal. No tocante ao desemprego que é a única variável que apresentou pouco progresso, mas tem explicação para isso. Quando o mercado desemprega, as empresas têm um custo elevado de indenização trabalhista, que em muitos casos é acrescido de outros custos de ações trabalhistas, no somatório geral, isso exerce um forte impacto nos fluxos de caixas das empresas. Na verdade, percebe-se que o empresariado nacional está muito desanimado em contratar mais funcionários, a crise trouxe-lhe um trauma sobre as indenizações e outras consequências, com certeza existem exceções a respeito desse posicionamento, mas no geral é o que prevalece. Isso faz com que a recuperação da geração de emprego na economia, seja muito mais lenta. 
Nesse hiato de pouco mais de 2 anos, o Brasil trocou de presidente, a crise da corrupção engolfou a classe política e o governo atual conseguiu, ainda sim, emplacar algumas reformas como a trabalhista e agora joga todas as cartas na reforma da Previdência. Como avalia esse período?
Acredito que todas as reformas são necessárias e positivas, desde que o público alvo seja consultado, os objetos discutidos profundamente e que ocorra o debate democrático dentro das entidades e comunidades envolvidas. Sobre a reforma trabalhista, ainda não sabemos a real extensão e a profundidade que a mesma alcançará, mesmo porque as empresas de médio porte, os pequenos e micros empresários, as grandes empresas e as gigantes corporações, ainda não tiveram tempo para vivenciar e colocá-la em pratica, em toda a sua dimensão. No entanto, o antigo regime da CLT em muito contribuiu com a normalização das leis trabalhistas do nosso país. Ela criou um ambiente de maior proteção ao trabalhador, direitos, segurança e bem estar, tudo isso foi excelente para o trabalhador. Mesmo diante das imperfeições da reforma trabalhista, considero-a válida, é um começo, é como se desamarrasse um nó no relacionamento entre o trabalho e suas relações com o mercado. Em referência à reforma da previdência social, a mesma ainda está sendo debatida, e precisará ser realizada de maneira a eliminar todos os privilégios de uma elite de servidores públicos, de maneira a dar um basta nessa descabida desigualdade social, que denigre a imagem do Brasil e dos trabalhadores brasileiros e demais cidadãos, que não aceitam mais pagar para um privilegiado grupo da elite dos setores públicos, os quais em média recebem aposentadorias 5 vezes maior do que os aposentados do setor privado.  A grande maioria dos cidadãos mereceriam uma melhor sorte e oportunidade inclusiva (aquela que inclui). Além disso, tem a questão da pirâmide demográfica brasileira dos próximos 20 anos, em que uma maioria da população passará ser idosa, diminuindo a PEA – população economicamente ativa, o que significa que cada vez mais idosos deverão ser sustentados por menor número de contribuintes economicamente ativos. Essa é a reforma mais importante e bemvinda, que precisará ser feita o mais rápido possível.
O senhor presta consultoria para diversas empresas na cidade e região. O humor do empresariado está melhorando ou ainda há ceticismo até por ser ano de eleições? 
Além das empresas na cidade e região, hoje nossa empresa de consultoria atinge clientes a nível nacional, inclusive com ênfase na cidade de São Paulo, onde estão nossos maiores clientes. Nosso trabalho é o de melhorar os desempenhos econômico e financeiro, cuidamos das estratégias de crescimento, investimentos, lucratividade e planos de metas para diretores e gerentes desses negócios, somos os responsáveis por toda a estrutura de custos, formação de preços e força competitiva dessas empresas.
Podemos dizer que o humor dos empresários, anda meio “sisudo”, porque a maioria das empresas, as quais sobreviveram à crise, ainda carregam sequelas de dívidas bancárias de curto prazo, com custo médio ponderado de capital, maior do que o retorno sobre os investimentos, amortizações de acordos trabalhistas e respectivas indenizações, dívidas fiscais e trabalhistas acumuladas, tudo sem perspectivas de crescimento das receitas de suas empresas. Ora, não dá para ter muito humor com um cenário destes. Mas o que se observa é que os empresários que se descolaram da questão política e toda a respectiva crise, são aqueles que estão tendo melhores resultados. Também, aquelas empresas que estão se organizando, se reestruturando, inovando os seus processos e efetuando mudanças extraordinárias em seus atuais modelos de negócios, pensando em resultados expressivos apenas no futuro, são as que melhor clima organizacional e operacional apresentam. Nesse momento, para estes empresários, o humor já reina em seus ambientes de negócios.
Um dos efeitos perversos dessa crise foi o desemprego. De acordo com números do Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho, Fernandópolis perdeu cerca de 3,5 mil empregos formais nos últimos três anos. O que fazer para recuperar esses postos de trabalho e quanto tempo se leva para voltar ao patamar anterior?
 Estimativas de tempo para acertar datas de eventos econômicos, não são fáceis de se efetuar, mas uma recuperação dessa magnitude, com certeza deverá levar anos, talvez décadas, se Fernandópolis continuar mantendo o seu atual modelo de criação de emprego na economia local. Em primeiro lugar, não se percebe nenhuma mobilização de destaque, dos órgão representativos e que foram escolhidos para tal. Não existe esforços conjuntos dos atores locais, responsáveis pelo desenvolvimento da economia local, sejam nos setores de comércio, indústria e serviços. Não existem lideranças capazes de criar uma frente ampla, voltada a planejar a busca de novas empresas para a cidade, infelizmente, não temos essa vocação, e consequentemente, a cidade pagará o preço de no futuro, ser apenas uma cidade dormitório. Como recuperar esses postos de trabalho? Motivar e incentivar os grandes grupos econômicos que dominam a economia de Fernandópolis, no sentido de mobiliza-los a investirem em projetos de expansão de novos negócios. Mas de quem é o papel dessa mobilização? Quem está interessado no crescimento geral da economia da cidade, do comércio, dos serviços e da própria indústria? A PMF, tem condição de, através dos seus órgãos competentes, criar um algoritmo de atratividade empresarial, para os investidores com recursos aplicáveis em novos projetos, de maneira que os mesmos tivessem um verdadeiro mapa de oportunidades empresariais da nossa cidade. De quem é essa iniciativa? A PMF através de suas iniciativas, poderia celebrar convênios com SEBRAE TEC, SENAI e MIC, visando instalar um centro de tecnologias em determinados segmentos vocacionados, para irradiar a transferência de novos processos tecnológicos e produtivos, aos jovens empreendedores, saídos das universidades locais, a partir de um vestibular periódico de projetos de startup, por exemplo. Divulgação inteligente e estratégica da nossa cidade, para o resto do Brasil e para o mundo, pois sabe-se que a partir de um raio de 400 km de distância daqui, o nome de Fernandópolis se torna, totalmente desconhecido, desaparece. E finalmente, as universidades locais precisariam rever suas ofertas de cursos de graduação e programa de pós, ampliando o oferecimento de vagas para as áreas de matemática, estatística, área de TI com foco em inteligência artificial, engenharias com ênfase em tecnologias e produção, de tal forma a criar uma futura mão de obra local mais especialista. Acho que todos esses pontos são sugestões que poderiam melhorar a criação de empregos em nossa cidade, no futuro. 
A crise afetou as receitas em todos os níveis de governo e, uma das saídas dos governantes é aumentar impostos. No caso de Fernandópolis, há correções anunciadas no IPTU e ISS para os contribuintes. Qual o impacto dessas correções no setor produtivo?
Olha, a melhor maneira de aumentar a arrecadação fiscal de um município, é aumentar a sua base geradora desses tributos, e isso ocorre quando a economia da cidade se encontra em pleno emprego, ou seja, quando toda a sua capacidade produtiva (comércio, indústria e serviços) está sendo utilizada próximo do 100%, mas você mesmo disse, a crise derrubou tudo isso. Acho que precisamos nos colocar no lugar do nosso CEO municipal, para avaliar melhor esses impactos e a sua decisão. Ele tem a responsabilidade de cuidar das finanças municipais com o maior zelo, visando o equilíbrio orçamentário da cidade, até mesmo pela lei da responsabilidade fiscal. A própria crise econômica que gerou o desemprego, acaba provocando maiores demandas sociais para a prefeitura atender tais necessidades, colocando a gestão orçamentária das áreas sociais da PMF, numa provável “saia justa”, isso é uma realidade, o que significa que a gestão municipal pode, de fato, aumentar seus tributos, desde que dentro de um limite razoável de bom senso, o qual seja absorvido pelos contribuintes de maneira previsível e natural.  No entanto, aumentar a alíquota do ISS do município em até 150% numa única “pancada”, sem estudos de impactos na economia local, corre-se o risco de transformar a PMF numa instituição extratora e destruidora da ordem econômica dos setores de serviços da cidade, senão vejamos: quem pagava R$ 2,00 de ISS para cada R$ 100,00 de receitas, irá pagar agora R$ 5,00. Esse acréscimo de R$ 3,00 dificilmente será repassado ao preço, devido à crise econômica e também por questões contratuais do prestador de serviços com o seu cliente. Muito provavelmente, tais contribuintes terão prejuízo, mesmo porque em época de crise, as margens de lucro estão próximas de zero, no setor de serviços. Em pleno 2018, com a economia ainda em recuperação, não se deveria impor um aumento desse porte, mesmo porque a cidade ainda não tem muito o que oferecer em termos de contrapartida. Tal decisão inibirá os futuros investidores da área de serviços a se instalarem em nossa cidade, e corre-se o risco também destas empresas daqui, se transferirem para outras cidades, próximas de Fernandópolis, ou seja, poderá ocorrer uma evasão de pequenos e médios negócios para aqueles locais, com ISS mais atrativo. No caso do aumento do IPTU que está sendo veiculado, esse terá um impacto social muito mais pernicioso, cruel, extrativo e penoso para a população fernandopolense, porque está se mudando a regra do jogo, da noite para o dia, e aumentar a base da tributação pela sistema de avaliação imobiliária, em substituição à planta genérica, pode até ser um sistema mais justo para as finanças do município, entretanto, a DOSAGEM do aumento irá “matar o paciente”, pois se fala em aumentos que vão de 100% até 600%, e ai fica a pergunta: Quem terá um aumento desses em seu rendimento em 2018?. Enfim, fica difícil imaginar uma transferência dessa magnitude, do bolso dos cidadãos, em um único ano, para o caixa da PMF, sem inclusive ter um acordo ou proposta de avanços de contrapartidas sociais aos munícipes. Existe ainda um efeito duplo na extração de renda dos contribuintes do setor de serviços, os quais pagam aluguéis para funcionamento dos seus negócios. Nesse caso, além do efeito do ISS, somar-se-á também o efeito do aumento do IPTU, que normalmente é repassado ao locatário. É um efeito duplo, difícil de suportar. Diante desse somatório de impactos desfavoráveis ao bolso dos cidadãos, fica a recomendação que tais aumentos, poderiam ser mais diluídos, fracionados, parcelados e amenizados, ao invés de aplica-los de uma única vez. Acredito que o nosso CEO municipal e seus gestores e assessores, poderão ter ainda um posicionamento mais coerente e socialmente, mais justo.
Uns falam que, ao aumentar impostos, a prefeitura tira dinheiro do mercado. Outros apontam que, com mais recursos nos cofres, a prefeitura retoma investimentos. Quem está certo?
De maneira macroeconômica, no balanço do PIB, é praticamente indiferente. No entanto, o que está em jogo é a produtividade e a eficiência do setor público com o uso destes recursos, que tradicionalmente é muito inferior ao setor privado, porque o mercado exige um grau de eficácia no tratamento com os recursos financeiros, incomparavelmente superior ao setor público municipal. Acredito que no futuro, o nosso CEO Municipal poderá aumentar a produtividade da PMF. 
O que podemos, diante de todo o quadro que se apresenta, esperar de 2018? 
Para os cidadãos fernandopolense, aproveitar a eleição para LIMPAR DE UMA VEZ POR TODAS, pelo voto, aqueles políticos que se servem da política ao invés de servir a população que o elegeu. Basta deles e fora com eles. Para os empresários é o ano em que deverão deixar seus negócios preparados para atender às demandas vindas do crescimento que ocorrerá, investir em projetos que eleve de maneira plena, a produtividade da sua empresa, investir em projetos de inovação e se equiparar aos negócios de classe mundial. Finalmente, vamos torcer para que o ano de 2018, seja de muito trabalho para todos nós, cidadãos fernandopolenses.

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