“Partidos políticos geram divisões nas comunidades”, diz bispo

ARTIGOS - 19:10:55

O bispo diocesano de Jales, Dom Reginaldo Andrietta, não perdeu a oportunidade de chamar a atenção dos eleitores de Fernandópolis e da região para a responsabilidade do voto. Foi durante a homilia na missa celebrada na Igreja Matriz Santa Rita de Cássia que deu posse aos novos padres da paróquia, Natalino Sérgio de Araújo e Miguel Garcia. 

O bispo foi direto. “Partidos políticos não resolvem a situação. É a participação cidadã plena de todos que vamos construir um projeto que não dependa dos partidos. Porque são os partidos políticos que geram divisões nas comunidades. Se um é do partido A, não pode ser amigo do outro que é do partido B, porque senão vão falar que mudou de lado. Isso existe na nossa cultura aqui na região”.  O exemplo disso é Fernandópolis, marcada por divisões históricas.
Dom Reginaldo também alertou a todos sobre o comportamento nas eleições. “É escandaloso alguém que é candidato oferecer vantagens em troca do voto. Mas, tem o contrário também, o eleitor que procura, o safado ou a safada, para dizer (ao candidato) quanto é que vai me dar para votar você? Mas, que consciência é essa gente?”, indignou-se para depois lembrar que isso ocorre aqui na diocese. 
O bispo de Jales, a exemplo de seu antecessor Dom Demétrio Valentini, tem marcado posições frente a questões de ordem política. Recentemente, artigo em que propôs levante pacifico contra a Reforma da Previdência teve repercussão nacional. Em seus artigos ou homilias, Dom Reginaldo tem cobrado postura cidadã dos eleitores que terão através do voto a oportunidade de “mexer com tudo”. O recado é claro: “Que eleitores seremos nas eleições de outubro?” É para refletir...

Bate pronto

  Uma reportagem da TV Tem esta semana mostrou que as obras da Praça do PEC no bairro Albino Mininelli estão paradas e já sofrendo com o vandalismo: pichações, vidros quebrados, alambrado cortado e portas amarradas com arame. A obra foi iniciada há cinco anos e ainda não concluída. Pior: a empreiteira abandonou o canteiro de obras. Segundo a reportagem a obra já consumiu R$ 1,2 milhão. Ainda falta concluir outros 25% do projeto que pretende ser uma área de esporte e cultura. Os recursos são do governo federal e a prefeitura tem a responsabilidade de fiscalizar. A empreiteira foi afastada da obra, segundo a prefeitura, por não cumprir o contrato.

  No expediente da primeira sessão da Câmara deste ano, um oficio da Caixa Econômica Federal faz a notificando sobre o crédito de recursos financeiros, sob bloqueio, no valor de R$ 221.297,16 firmado com o município de Fernandópolis, no âmbito do Programa Praças do PAC. Ou seja, o dinheiro está bloqueado, a obra parada e o prejuízo fica para os moradores daquela região da cidade que há anos esperam pela conclusão dessa praça. Aliás, quando se trata de obra federal, melhor esperar sentado pela conclusão. Vide a novela interminável da construção da super academia a céu aberto ao lado da represa. Foi o parto da montanha...

  Se os vereadores de Fernandópolis estão apanhando nas redes sociais por conta das últimas lambanças, na região pelo menos três políticos estão sofrendo risco de impeachment. Em Votuporanga, por exemplo, cidade que foi modelo político nos últimos 16 anos, a situação está crítica. Partidos políticos protocolaram pedidos de cassação de dois vereadores. O primeiro, assinado por seis partidos políticos com representação no Legislativo, querem cassar o vereador Hery Kattwinkel (PTC). O vereador integra a mesa diretora da Câmara e não poderia exercer a advocacia e, muito menos, atuar em causas contra o município e a união. Outros dois partidos (PT e PSOL) protocolaram pedido de cassação do vereador Dr. Ali (PV) por um contrato celebrado entre a prefeitura e um parente seu.

  Em Rio Preto, o clima de tensão também pesa no legislativo. O vereador Renato Pupo (PSD) foi alvo de pedido de abertura de Comissão Processante (CP) na Câmara de Rio Preto feito pelo morador Antonio Maurício de Souza, para investigar se houve quebra de decoro na conduta de Pupo em recente conversa telefônica gravada pelo também vereador Anderson Branco (PR). Na conversa, Pupo, que é delegado da Polícia Civil, faz um “alerta” a Branco sobre informação que teria chegado até ele de problemas familiares do colega no passado e que resultaram em queixa contra o vereador do PR na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Branco se sentiu ameaçado com conversa e denunciou Pupo na Corregedoria da Polícia Civil em Rio Preto.

Claudemir Cabreira

Claudemir Cabreira

Jornalista. 

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