Cresce o abandono de animais e leishmaniose se espalha pelos bairros

GERAL - 08:28:23
Cresce o abandono de animais e  leishmaniose se espalha pelos bairros

“O Centro de Zoonoses está lotado de animais. O número de casos de abandono aumenta a cada dia”. A frase, em tom de desabafo, é do veterinário do CCZ – Centro de Controle de Zoonoses de Fernandópolis, Mileno Tonissi, diante da realidade que enfrenta atualmente. E mais grave: a leishmaniose, doença que atinge os cães, transmitida pelo mosquito palha, e que pode contaminar humanos com risco de morte, já se espalhou por todos os bairros. 

Atrás do desabafo do veterinário do CCZ vem um apelo: “Pedimos encarecidamente à população para castrar os animais, principalmente as fêmeas. Aqui no centro, a gente faz a castração, é gratuita para a população”. 
Os animais que estão no CCZ foram recolhidos em estado precário de saúde. Foram tratados, vermifugados, vacinados, castrados. “São animais que chegaram judiados receberam o tratamento e estão em condições de serem adotados. Temos gatos, cachorro de raça, inclusive um Pitbull”, relata o veterinário. O Centro trabalha com a adoção responsável.
O veterinário voltou a lembrar de um velho projeto para implantação de chip nos animais de Fernandópolis. Ele aposta que agora vai sair do papel. E sonha o dia que isso vai ocorrer. “Imagina que legal o animal sair daqui, curado, castrado e com o chip de identificação”. Segundo ele, já está sendo dados passos importantes para isso acontecer. 
Para o veterinário, Fernandópolis sofre, e muito, com animais abandonados por moradores de outras cidades. “Como temos Centro de Zoonoses, as pessoas de cidades da região abandonam animais por aqui. Já tivemos notícia de animais que vieram em ônibus de estudantes”, lamenta Tonissi. Os pontos em que ocorrem abandonos com frequência já estão mapeados: recinto da Exposição, campus universitário da FEF, estrada municipal para Meridiano e mais recentemente nas imediações do aeroporto. 
“Isso é crime, uma crueldade”, diz. As ONGs Pelos e Patas e Afada, também confirmam essa realidade de abandono. A Afada, por exemplo, também chegou a anunciar que estava com sua capacidade de atendimento esgotada. 
Para estimular ainda mais a adoção responsável, o CCZ em parceria com a ONG Pelos e Patas prepara uma Feira de Adoção. O evento já está sendo anunciado como um dia “inesquecível”. É o 1º Mi Au Dota, que está sendo organizado e deve ocorrer em 6 de maio no antigo Clube da Cesp. O evento terá inúmeras atrações como: adoção responsável, vacinação, participação de cães adestrados, concurso de cães. 
LEISMANIOSE
“Infelizmente no nosso município ela (a leishmaniose) está disseminada para todos os bairros da cidade. Estamos tendo casos em todos os bairros. Começou aparecer sintoma: o animal está emagrecendo, crescendo as unhas, em volta dos olhos está ficando sem pelo. Procure o CCZ que em 15 minutos a gente faz o teste, que é eficiente”, alerta o veterinário. 
Ele diz que a população está procurando o Centro de Zoonoses para os exames. “Estamos realizando em média de 200 a 300 exames por mês. As próprias clinicas veterinárias quando aparecem alguns casos, encaminham para a gente”.
Em média, de acordo com o veterinário, de cada 200 exames, 40 apresentam resultado positivo para a leishmaniose. “É uma média alta, infelizmente”, aponta. Muito desse quadro decorre de cães doentes de outras cidades e que acabam abandonados em Fernandópolis. 
A novidade no caso da doença é que hoje existe um tratamento aprovado pelo Ministério da Saúde. O medicamento não acaba com leishmaniose, mas reduz a carga parasitaria da leishmania a ponto de evitar a transmissão. O animal deixa de ser transmissor, mas uma vez portador da doença, o resto da vida, vai conviver com a leishmaniose. 
“O recomendado ainda é a eutanásia dos animais, mas como existe esse tratamento a gente tem que oferecer ao munícipe essa possibilidade. Não podemos só oferecer a eutanásia. O dono do animal é que vai decidir”, informa Mileno.
Só que o tratamento não é oferecido pelo governo. O dono do animal é que tem que bancar o tratamento em clinicas particulares e não é barato.

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