Mãe de anã, com muito orgulho

CADERNO VIVA - 18:13:56
Mãe de anã, com muito orgulho

O nanismo ganhou destaque no Brasil nos últimos tempos, em virtude da novela das oito da Rede Globo. Com o objetivo de chamar atenção sobre o tema, a trama “O outro lado do paraíso”, de Walcyr Carrasco, colocou em cena a atriz Juliana Caldas, que há 30 anos convive com o preconceito e as dificuldades impostas pela sociedade aos anões. 

A palavra “anão” aliás, foi meio que esquecida após o assunto ser, pela primeira vez em rede nacional, tratado com seriedade. Na novela Juliana, que interpreta Estela, é rejeitada e menosprezada por sua mãe, Sophia (Marieta Severo), por conta do nanismo, algo que na vida real, infelizmente, não foge muito da realidade. 
Em Fernandópolis, porém, a história é totalmente oposta. Gislene Moraes de Sousa, há 11 anos deu a luz à Bianca, um dos maiores orgulhos de sua vida. 
Bianca nasceu prematura, de 34 semanas, mas foi só aos dois meses de idade que ela foi diagnosticada com nanismo. Seus pais achavam que ela tinha nascido com algum tipo de problema no braço e procuraram um especialista, momento em que receberam a notícia. 
“A gente achava que ela tinha o braço torto, pois ela ficava com os bracinhos virados, então decidimos procurar um ortopedista. O dr Hélio (Franciscon) a examinou e disse que a primeira coisa que vinha a ele era o nanismo, mas que só um especialista poderia atestar com certeza. Meu chão desabou, parecia que o mundo tinha caído sobre a minha cabeça”, contou Gislene. 
A família então procurou um endopediatra em Rio Preto e foi quando eles tiveram a confirmação do diagnóstico: Bianca tinha Aconlasia, um tipo de nanismo em que os ossos das pernas e dos braços não se desenvolvem e a cabeça fica um pouco avantajada. 
O medo do diferente provocou um turbilhão de emoções não só na mãe, mas em toda família. Foi então que Gislene decidiu encarar a situação com a maior naturalidade possível e criar sua filha com esse mesmo entendimento. 
“Todos nós sofremos algum tipo de preconceito. Ou por que somos gordos ou magros, negros ou pardos e ela iria sofrer porque tem nanismo. Infelizmente não tinha como evitar isso, então tentei criá-la para encarar esse preconceito de uma forma diferente”, contou Gislene, que é professora. 
 Bianca então cresceu sendo tratada sem nenhuma diferença e ouvindo sempre da mãe que as pessoas iriam sim olhar para ela, mas que isso não era uma coisa ruim, apenas o mesmo medo do desconhecido que ela sentiu quando recebeu a notícia de que sua filha seria anã. 
“Sempre me preocupei em fazer ela se adaptar ao mundo, pois não tinha como eu fazer o mundo se adaptar a ela. Então a Bianca ajuda nas tarefas de casa, assim como minha outra filha, onde não alcança ela sobe no banquinho, vai para escola agora quer participar do grêmio estudantil e assim vai. Um dia ela chegou em casa chorando porque um menino na escola tinha chamado ela de anã. Eu perguntei para ela: ‘e você é o que?’ ela arregalou os olhos e eu então completei: ‘em vez de chorar você deveria era falar para ele te contar uma novidade, pois isso você já sabe’. Desde então quando alguém fala algo assim ela simplesmente diz que não está nem aí, que é feliz do jeito que ela é”, completou. 
Assim como todas as mães, Gislene tem um sonho para sua filha. “Sonho para ela o mesmo que eu sempre sonhei para a Stefani, que é ver elas formadas, mas acima de tudo trabalhando em algo que elas gostem”, concluiu. 

 

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