Fernandopolense concorre ao prêmio Jabuti de Literatura em agosto

CADERNO VIVA - 16:24:03
Fernandopolense concorre ao prêmio Jabuti de Literatura em agosto

Um fernandopolense entrou para o seleto grupo de escritores que irão concorrer ao prêmio Jabuti – maior concurso de literatura do país -, no mês que vem. “L’Art Poétique de Boileau”, gabaritou Dionísio da Silva, pseudônimo Amadeu Cirilo, a disputar a premiação na categoria tradução. 

Amadeu Cirilo decidiu trabalhar em seu livro em função de sua paixão pelo arcadismo, sendo que Nicolas Boileau é considerado fundador movimento literário surgido na França no século XVII que depois se espalhou por toda a Europa 
Entre as obras de Boileau, encontra-se L’Art Poétique (A Arte Poética), de 1674, tema de estudo de Antoine Albalat publicado em 1929, ora apresentado ao público brasileiro por importação da cultura francesa naquele período e, agora, na tradução de Amadeu Cirilo, que concorre ao prêmio Jabuti.
“Meu livro é uma tradução da obra de Antoine Albalat sobre Boileau, do francês para o português. Boileau me despertou atenção porque escrevo muito sobre o Arcadismo e me considero um poeta árcade. Então queria saber mais sobre o fundador do movimento e decidi iniciar uma pesquisa sobre ele, o que resultou no livro que hoje disputa o prêmio Jabuti”, explicou o escritor. 
Autor de 14 livros, dez já publicados, Amadeu Cirilo é formado em Letras Clássicas pela USP, por influência dos estudos na Escola Apostólica Santo Agostinho, em São José do Rio Preto. Poliglota, ele domina e leciona grego, latim e português, com suas respectivas literaturas, além de francês, italiano e tupi-guarani. 
Com graduação e pós-graduação em Direito pela USP, atualmente ele exerce, além da literatura, a advocacia. Recebeu várias premiações, entre elas Diploma de Honra ao Mérito da Prefeitura Municipal de Congonhas (MG). Mas nenhum deles veio de sua terra natal, mesmo sendo o autor de um dos primeiros livros que conta a história da cidade. 
“Nem o livro ‘Vila Pereira’ que escrevi sobre a história de Fernandópolis em forma de poesia e está na Biblioteca Municipal, foi reconhecido. É aquela velha história de que santo de casa não faz milagre. Mas isso não desmotiva não, o que importa é o que deixarei de contribuição tanto sobre Fernandópolis quanto do Brasil”, concluiu Cirilo. 
PRÊMIO JABUTI
A ideia de premiar a cada ano os autores, editores, ilustradores, livreiros e gráficos surgiu por volta de 1958, com Edgar Cavalheiro. Ele presidia a CBL - Câmara Brasileira do Livro - na época, mas a premiação só começou a acontecer no ano seguinte, quando Diaulas Riedel estava na presidência da CBL. Foi então escolhido a figura do jabuti para nomear o prêmio.
A primeira vez que o prêmio foi entregue foi no final de 1959, em uma solenidade simples, realizada no auditório da antiga sede da CBL, na Avenida Ipiranga, em São Paulo.
O diferencial do Prêmio Jabuti é que ele premia não só escritores, mas várias pessoas envolvidas com o universo da publicação de livros, valorizando todo o processo de produção.
E por que a escolha desse nome para um prêmio de livros? Na época o ambiente cultural e político era influenciado pelo modernismo e nacionalismo. E um dos autores nacionais mais aclamados de todos os tempos é Monteiro Lobato, que tem em sua obra um jabuti como personagem, que aparece em “Reinações de Narizinho“.  O bicho é vagaroso, mas esperto e cheio de vontade para vencer obstáculos. Por isso a CBL decidiu colocar o jabuti como nome do prêmio para promover a literatura no país.
Desde 2017 o Prêmio Jabuti passou a premiar também Histórias em Quadrinhos e Livros Brasileiros Publicados no Exterior.
QUEM JÁ GANHOU? 
Na primeira edição do prêmio quem ganhou na categoria romance foi o livro “Gabriela, Cravo e Canela“, de Jorge Amado. Já a Saraiva levou a melhor como “Editor do Ano”. Outro destaque das primeiras edições vai para a obra “Laços de Família”, de Clarice Lispector, em 1961, na categoria “Contos e Crônicas”.
Muitos podem conhecer Chico Buarque de Holanda por causa das canções, mas seu romance “Estorvo” já foi vencedor do Jabuti, no ano de 1992. Em 2010 o jornalista Edney Silvestre foi vencedor da mesma categoria, com o livro “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”.
Em 2017 a obra “Sul“, de Veronica Stigger ganhou o primeiro lugar na categoria “Contos e Crônicas”. Já “Machado“, de Silvano Santigo, foi o vencedor na categoria romance, também em 2017.
De 1962 a 1994 havia a categoria “Autor Revelação Literatura Adulta”, tendo premiado João Ubaldo Ribeiro em 1972, por causa do livro “Sargento Getúlio“. Marcelo Rubens Paiva foi vencedor na mesma categoria, mas em 1983, pelo livro “Feliz Ano Velho“.

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