A gratidão em forma de ação social

OBSERVATÓRIO - 19:03:12
A gratidão em forma de ação social

Aos 53 anos, Givan Inácio Rodrigues se diz feliz com o que a vida lhe deu, ou melhor, com o que a cidade de Fernandópolis lhe deu. Ele é um daqueles fernandopolenses que sente gratidão. E a forma que encontrou para retribuir o que tem recebido é através da ação social. Givan mantém um projeto que atende a comunidade. Entre particulares e gente da comunidade que não paga mensalidade, ele atende cerca de 600 alunos em seu Estúdio. São pessoas que resolveram investir na saúde para lá na frente usufruir da qualidade de vida. Por isso, a regra de ouro que ele utiliza é: comer menos e se exercitar todos os dias. O que difere o Estúdio Funcional da academia tradicional? Givan explica nesta entrevista ao CIDADÃO. Ele, que foi gerente ao antigo Tênis Clube, hoje é Educador Físico com pós-gradução em Fisiologia do Exercício e que tem uma rotina de trabalho que vai das 4 horas da manhã até às 21 horas, às vezes até às 22 horas. A propósito: 1º de setembro é o Dia do Profissional de Educação Física, data criada em 2006 para lembrar que a profissão foi regulamentada pelo decreto 9.696 de 1º de setembro de 1998. Veja a entrevista:

 

Por que estúdio funcional e não academia, como é praxe?
Alguns anos atrás, Fernandópolis era muito parada na atividade física. Então, tive a ideia de fazer um curso de funcional em Guarulhos – SP e montar um estúdio que fosse, não só para ganhar dinheiro, mas que pudesse ajudar a sociedade em si. A gente começou na rua, com um aluno, ali na Rua da Cesp e foi progredindo, depois mais a frente estava no Clube da Cesp (sede da Secretaria Municipal de Esportes) trabalhando na prefeitura. Tinha as aulas particulares em que eu ganhava, só que tinha 200 a 300 alunos de quem não ganhava nada. Prestava esse serviço para a comunidade.
Qual é a diferença de um treinamento funcional para o exercício físico clássico?
O treinamento funcional trabalha com o corpo, não pega peso, não pega nada. A pessoa trabalha com o peso do próprio corpo, sem extrapolar. Então, não tem aquilo de machucar joelho. No tradicional, seria mais na musculação, que também é uma ótima atividade, lá é mais puxado, como o próprio nome diz, musculação, é para criar massa muscular. O funcional é mais para emagrecimento mesmo. A musculação emagrece também, mas o funcional tem a dinâmica de emagrecer muito mais rápido e com muito mais saúde. Optamos mais por qualidade de vida, do que massa muscular grande.
Hoje você movimenta quantas pessoas?
A comunidade hoje também está dentro do meu estúdio. Esse serviço prestado é gratuito. Tem as aulas que a gente sai para a rua. Mas, entre alunos particulares e a comunidade movimentamos em tornos de 600 alunos.
Esse pessoal chegou aqui para você com qual expectativa?
A primeira expectativa de todo mundo é emagrecimento. Só que, primeiro a gente coloca todos em uma condição física boa para poder conquistar esse emagrecimento e não voltar engordar. O funcional te dá essa condição. Você emagrece e não volta a engordar, a não ser que não cumpra aquilo que é proposto. Se cumprir, vai atingir o objetivo.
Qual é a regra de ouro para que a pessoa emagreça e não volte a engordar?
Primeira regra: atividade física todos os dias. Você vai colocar essa regra como religião na sua vida, entendeu. Às vezes a gente senta em um bar e passa cinco a seis horas bebendo e comendo e diz que não tem tempo de fazer 50 minutos de atividade física diária. Então para não engordar novamente, você vai fazer atividade física para poder comer. Uma coisa está interligada com a outra. Faz a atividade física e come aquilo que quer, sem risco de engordar novamente.
Então não existe restrição alimentar?
Não, de jeito nenhum. A restrição alimentar que a gente coloca para a pessoa é que ela diminua a quantidade de comida, comer a cada três horas, que é essencial, apesar dessa regra estar caindo. A regra é diminuir a comida. Por exemplo o arroz, se você costuma comer duas conchas, passe a comer apenas uma, dá o mesmo sabor. Repetimos, é comer menos e praticar atividade física, pra lá na frente ter uma qualidade de vida bem melhor, elevando sua expectativa de vida. 
Qual é o papel do educador físico com quem busca o emagrecimento e qualidade de vida?
É atuar na orientação, principalmente sobre a atividade física correta. Tem muitas atividades que se não prestar atenção e praticar de forma errônea, vai prejudicar joelho, coluna... Mas, dentro daquele limite com esse aluno, temos que observar e acompanhar diariamente. Temos hoje em torno de 120 alunos que estão comigo há seis anos.
Geralmente, associado a expectativa de emagrecimento, tem a questão do lado emocional. Isso influi no trabalho?
Influi bastante. Chega gente aqui com depressão, com um monte de problemas. O que temos que fazer é dar atenção e isso é diferente da academia, onde você chega e recebe uma planilha para cumprir. Aqui nós conversamos com o aluno, procuramos saber o que está ocorrendo para poder desenvolver a atividade que vai dar um retorno bom, com emagrecimento e, por consequência, melhoria também da qualidade de vida. A pessoa vai melhorar no geral. 
As pessoas que chegaram aqui com esse grau de expectativa, enquanto tempo já começaram a ter resultados?
Por incrível que pareça, em 15, 20 dias, acontece de a pessoa já mudar. Chega deprimida e daqui a pouco já se enturmou. A atividade física solitariamente é muito difícil, mas quando a pessoa chega é inserido no grupo, acolhida, o estado geral muda completamente. Temos exemplos aqui de pessoas que transformaram a vida, que dizem que sararam fazendo atividade física funcional aqui no Estúdio. Muitos médicos encaminham pessoas para que a gente inicie uma atividade com elas para ver de sai daquela depressão. A atividade física ajuda muito. 
O programa Emagrece que você desenvolve no Estúdio, como funciona?
A pessoa chega e, em vez de pesar, medir, a gente espera uns 15 dias, porque as vezes ela está apenas inchada, com retenção de líquido, não está gorda. Então, nesse período ela pode diminuir aquele inchaço, de 5 a 6 quilos, mas não foi de gordura que perdeu. Após 15 dias, fazemos a avaliação, porque aí já teremos o quadro real, qual o peso, a altura correta, tudo isso para chegar ao peso ideal. Nem todo mundo que chega aqui, vai até o final do programa Emagrece, começamos o programa com 120 pessoas, hoje temos 115. Vamos concluir no dia 17 e já começaremos outra turma com mais 160 inscritos. O próprio aluno do Estúdio, além da atividade que desenvolve, se inscreve no programa. O Emagrece é aberto a todos e não apenas para os alunos. Está aberto para a comunidade, para quem se interessa realmente por uma melhor qualidade de vida. A gente não visa só mensalidade. Lógico, ganhamos sim, mas temos a preocupação de dar um retorno para a comunidade, para aqueles que não tem condições de pagar uma mensalidade. Duas ou três horas que você reverte para comunidade é um bem e ajuda muito as pessoas.
E o funcional Kids, para crianças. Como funciona?
O funcional kids trabalha com a parte recreativa onde a criança já começa a desenvolver a atividade física. O objetivo no caso não é emagrecer a criança, nada disso. A criança está em desenvolvimento até os 14 anos, então ocorre de emagrecer porque está em fase de crescimento. A maioria dos alunos que está comigo não é gordinha. Não é o Givan, o Estúdio, que faz a criança emagrecer, ela está em fase de crescimento. Então é normal a criança estar gordinha agora e daqui a pouco, mais magrinha. Temos em torno de 160 alunos no Kids. Eles dispõem de sala especial, fazem trabalho separado dos adultos. Tem aluno, que vem com a mãe e trabalha com os adultos, mas faz um trabalho diferenciado próprio para ele. 
Quando se fala em exercícios físicos, logo pensamos em pessoas que estão com o objetivo de emagrecer. E aqueles que querem ganhar mais corpo, se sentem também discriminados, frágeis, com o corpo que têm?
A atividade funcional também consegue fazer com que a pessoa adquira massa muscular. Ela não vai ficar gigante, mas a atividade funcional vai perfilar seu corpo, ou seja, vai dar forma ao seu corpo, sem ficar musculoso, será uma pessoa normal, com o corpo que é o dela. É o contrário da academia, onde você vai puxar peso para desenvolver massa muscular. Só que isso não dura, porque ninguém aguenta puxar peso o tempo todo. Temos alunos aqui que eram piolho de academia e hoje fazem funcional comigo.
Quando começou esse trabalho há 12 anos, tinha expectativa de tamanha repercussão?
A gente encontrava muitas pessoas que reclamavam por algo diferente. Muitos começavam a academia e largavam. Comecei então a analisar essa situação há pelo menos 16 anos. Mas, para entrar no funcional, estudei pelo menos uns três anos, para montar um estúdio e permanecer, fazer ele crescer. Não era uma coisa para ver se ia dar certo. Hoje estamos pensando em montar mais um estúdio em Fernandópolis. Tenho proposta de Votuporanga e Jales, mas meu foco é Fernandópolis, onde nasci e me criei. A cidade precisa muito desenvolver no campo da atividade física. Hoje você tem a Afercan, tem várias entidades, com muitas atividades físicas, coisa que não tinha há cinco anos. E isso aconteceu quando o pessoal começou a ver aquele monte de gente, 100, 150 pessoas, caminhando na rua, pela estrada de Meridiano. Conseguimos fazer as pessoas entenderem que a atividade física era essencial para melhorar a qualidade de vida, sair da depressão, conseguir relaxar. Fernandópolis sempre teve boas academias, mas faltava algo que pudesse motivar as pessoas pra valer. Naquele momento em que comecei, estava muito parado. Em atividade física, Fernandópolis hoje está na frente. Veja os jornais e verifique quantas atividades físicas são realizadas na cidade. Não passa uma semana sem um evento.
Qual é a sua rotina de trabalho?
Das quatro da manhã às 21 horas, todos os dias, aqui no Estúdio. Quando começa o projeto Emagrecer, a gente estica até as 22 horas. É uma rotina normal. Tenho uma hora de almoço, porque ao meio dia já tenho uma turma. E isso não acontecia em Fernandópolis. Então, aqui a gente procura atender o aluno no tempo que ele dispõe para sua atividade física. 
Você está feliz aonde chegou com seu trabalho?
Feliz? Muito feliz, porque Fernandópolis é pra mim, embora as vezes você ouça alguém falar mal, uma cidade que me deu tudo, para mim, para minha família. Não tenho o que reclamar. Olhando a cidade no todo, temos uma cidade maravilhosa para viver. A minha vida é aqui. Amo essa cidade desde quando abri os olhos. Sou fernandopolense, já andei pra lá, pra cá, e é aqui que vou ficar. 

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