Frio e poluição aumentam riscos para AVC

OBSERVATÓRIO - 16:36:42
Frio e poluição aumentam riscos para AVC

Neste domingo, 22 de julho, é Dia Mundial do Cérebro. Momento propicio para abraçar a campanha lançada pela Federação Mundial de Neurologia com o tema “Ar limpo para a saúde do cérebro”. A poluição do ar, associada ao período de baixas temperaturas desta época do ano, contribui para aumentar os riscos de AVC – Acidente Vascular Cerebral. A neurologista Francisca Goreth Malheiro Moraes Fantini que, ao lado do marido o neurocirurgião Paulo Fantini, mantém na cidade uma clínica de Neurologia, Neurocirurgia e Neurofisiologia, abriu espaço em sua agenda apertada para conceder entrevista ao CIDADÃO. Dra. Goreth, como é mais conhecida, estava em São Paulo esta semana para uma apresentação na AMB - Associação Médica Brasileira, onde atua na Coordenação da Comissão de Exercício Profissional da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Tema da entrevista: o elevado número de casos de AVC no Brasil, cerca de 220 mil por ano, com 90 mil mortes. Este período de inverno, com tempo seco, ar poluído e temperaturas mais baixas, forma um quadro de risco maior para ocorrências de AVC. As vítimas não são apenas pessoas idosas, mas também jovens e até crianças. Os números de mortes na região, segundo dados do SUS, mostram o perigo da época. Foram 116 mortes nos últimos cinco anos registradas no mês de julho. Nesta entrevista, a médica alerta para a importância do socorro aos primeiros sinais de AVC. “Lembramos que tempo perdido é cérebro perdido”, diz. Ela lembra ainda que a Santa Casa de Misericórdia de Fernandópolis é um dos hospitais que integram a Rede Brasil AVC, ou seja, é um hospital referência para este atendimento. Ao ler a entrevista, o leitor de CIDADÃO estará melhor informado e preparado para agir em caso de AVC:

Nos últimos cinco anos 116 mortes por AVC foram registradas em julho na região de acordo com números do SUS. As temperaturas mais baixas têm relação com o aumento no número de casos de AVC?

Sim, nesta época do ano, mais frio, ar mais poluído, predispõem a uma vasoconstricção das artérias, espasmos, aumenta a agregação plaquetária, diminui a oxigenação, tendência a Hipertensão arterial, tudo isto contribuindo para que ocorra o Acidente Vascular Cerebral.
O risco de AVC associado a temperatura é maior a partir de que faixa etária? Atinge mais homens ou mulheres?
Principalmente nos idosos, em geral o AVC tem uma predominância ao sexo masculino, e a raça negra.
Quais os fatores de risco?
Apresentamos os fatores de risco modificáveis, ou seja, poderemos atuar para reduzi-los, tais como: Hipertensão arterial, dislipidemias (aumento colesterol e triglicerídeos), diabetes, obesidade, alcoolismo, uso de drogas, tabagismos, uso de anticoncepcional, sedentarismo, cardiopatias, doenças aterotrombóticas, coagulopatias, efeito dos poluentes na atmosfera (responsável em estimativa por 30% dos casos de AVC);  E os fatores de risco não modificáveis, tais como: idade que aumenta com o passar dos anos, sexo masculino como já comentado, raça negra, e os fatores genéticos;
Que tipo de AVC apresenta maior índice de mortalidade?
Temos dois tipos de AVC: Isquêmico (há diminuição ou interrupção brusca do fluxo sanguíneo cerebral), e o hemorrágico (quando ocorre rompimento da artéria e extravasamento sanguíneo). Em 2002, fiz um levantamento dos pacientes internados na Santa Casa de Misericórdia de Fernandópolis. Quase 200 pacientes sofreram AVC naquele ano, a maior incidência foi AVC-I, estes dados foram apresentados no mesmo ano, no Congresso Brasileiro de Neurologia, em Florianópolis,  fazia parte das ações epidemiológicas brasileiras, para se iniciar os Centros de AVC no Brasil, que tomou forma em 2007, com atenção a Trombólise venosa no atendimento aos pacientes com AVC-Isquêmicos, e na ocasião contamos com a Santa Casa de Fernandópolis pertencente a Rede Brasil AVC,  sendo criado aqui na cidade  o 7º. Centro de AVC do Estado de São Paulo ( naquele  momento apenas HC de São Paulo, Hospital Albert Einstein, Hospital São Lucas e HC de Ribeirão Preto, Hospital Mário Gatti em Campinas, Hospital da UNESP de Botucatu, e Santa Casa de Misericórdia de Fernandópolis), totalizando 37 centros preparados ao atendimento no Brasil. As estatísticas mostram 220 mil novos casos de AVC por ano, no Brasil 90 mil vão a óbito, 20% permanecem com sequelas graves e outros 20% ficam com sequelas moderadas.
Como identificar se uma pessoa está com sinais de AVC?
Sempre que nos depararmos com qualquer sintoma de início súbito, tais como:
Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa prévia;
Alteração na visão súbita (um ou ambos os olhos);
Confusão mental, alteração na fala ou na compreensão;
Alteração equilíbrio, tonturas, ou na coordenação ou marcha;
Fraqueza súbita ou formigamento em face, em braço, em perna, ou em todo um lado do corpo;
Diante de um destes sintomas, não espere melhorar, vá imediatamente ao hospital mais próximo, ligue 192 (SAMU), para que possa ser socorrido imediatamente.
O socorro influi no tratamento e recuperação do paciente?
Sim, totalmente, lembramos que tempo perdido é cérebro perdido. Neurônio que morre, não se recupera mais. O socorro deverá ser imediato. Nos AVC isquêmicos, da hora do início dos sintomas até a completa investigação hospitalar (Anamnese, exame físico, laboratoriais, e de imagem) ao início do tratamento necessita ser até 4 horas e meia. Desta forma é necessário uma corrida contra o tempo.
Por que algumas pessoas saem do AVC como se nada tivesse acontecido e outras levam sequelas para o resto da vida?
Não é bem assim. Quando “como se nada tivesse acontecido”, é porque foi um AIT (Ataque Isquêmico Transitório), ocorre a interrupção ou diminuição da passagem sanguínea na artéria, acontece o sintoma correspondente aquela área cerebral, mas depois retorna o fluxo, e função normaliza. Os exames Complementares (CT de Crânio e Ressonância Magnética, estarão normais), demonstrando que não permaneceu a lesão cerebral. Quando não há retorno da função, o déficit permanece em grande ou em menor intensidade, a depender do tamanho da área afetada no cérebro, as lesões nas imagens são evidentes, e as sequelas nos pacientes serão permanentes.
Recentemente aqui na região um jovem de 16 anos sofreu AVC. É normal esse tipo de ocorrência?
Ocorre mais frequente do que imaginamos, e inclusive em crianças. 
No caso de jovens, o que contribui para o AVC?
Com os jovens está ocorrendo um maior aumento, tendo em vista que eles estão usando anticoncepcional mais cedo, consumindo mais cedo álcool, tabagismo, e inclusive uso de drogas. Ainda uma causa muito comum é a ocorrência de coagulopatias, e como já dito, o meio ambiente mais poluído. 
O que é mito?
Ótima esta pergunta, falarei aqui do GRANDE MITO “das redes sociais”, um fake News... um vídeo que circula e fala que furar com agulha as pontas dos dedos poderá salvar! Um absurdo, e o pior que as pessoas encaminham este vídeo e ele se difunde mais e mais! ALERTA pessoal!  A VERDADE é que diante de quaisquer sintoma súbito, pense que “TIME IS BRAIN” (tempo é cérebro), chamem o SAMU e dirijam-se urgentemente a um hospital para atendimento.
Que outros problemas neurológicos estão gerando preocupação na classe médica?
As doenças neurodegenerativas, as doenças desmileinizantes, as doenças infecto contagiosas; Uma grande preocupação foi a fase de dengue, zika e chicungunya, agora o sarampo; Ainda este ano a Academia Brasileira de Neurologia fez um Protocolo para atendimento das Cefaleias na Unidades de Emergência e Urgência do Brasil, o qual visa uniformizar o atendimento em rede nacional, cujo acesso do protocolo pode ser acessado:  https://www.portalabn.org e https://www.sbcefaleia.com.br/
Finalmente, lembrar o dia 22 de julho, consagrado como o DIA MUNDIAL DO CÉREBRO, abraçando a Campanha “Ar limpo para a Saúde e Cérebro!” devendo cada um de nós contribuir para a conscientização de menos poluição no meio ambiente, pois a poluição é um fator de risco que poderá ser modificado, e prevenido para as Doenças cerebrovasculares,  neurodegenerativas, fazendo-se fundamental uma maior relevância do Governo em atenção a melhores estratégias de políticas públicas no combate à poluição.

VEJA TAMBÉM

teste

ga('send', 'pageview');