“Sou o secretário mais chorão”

OBSERVATÓRIO - 19:47:16
“Sou o secretário mais chorão”

A Secretaria Municipal de Esportes, ao lado da Cultura, formam a dupla das primas pobres da administração. Contam moedas para tocar os projetos e manter uma estrutura que é deficiente. O secretário  de Esportes Juracy Antonio Rossato Junior, 52 anos, se auto considera o secretário mais chorão da administração. “Se a criança não chorar a mãe não dá leite”, diz.  Mesmo assim tira leite de pedra. Na recente participação nos Jogos Regionais em Votuporanga, Fernandópolis ficou em sexto lugar, mas ele diz que sobrou o gostinho de que poderia ser mais. Dunga, como é mais conhecido, desde os tempos que a quadra de basquete era seu espaço, tem um projeto desafiador pela frente: colocar Fernandópolis como candidata aos Jogos Regionais de 2020. “O prefeito André Pessuto já autorizou”, assinala. Ele cita números dos Jogos em Votuporanga para lembrar que se trata de um grande evento para a cidade. Votuporanga, por exemplo, movimentou durante 15 dias cerca de 5 mil pessoas, entre atletas e dirigentes, com reflexos para a economia da cidade. Mas, para realizar os Jogos, Fernandópolis tem que preparar a estrutura. Por isso ele defende que o trabalho comece já pela reforma do complexo Beira Rio, incluindo o ginásio e a pista de atletismo. Veja a entrevista que ele concedeu ao CIDADÃO:

Que sentimento sobressai após os resultados obtidos por Fernandópolis nos Jogos Regionais? É de dever cumprido?

Sim, dever cumprido, mas com uma pontinha de posso mais. Não se trata de orgulho ferido, mas de querer mais. Ficamos em sexto lugar em Votuporanga com 100 pontos. Birigui, que é uma cidade maior que a nossa, com mais de 100 mil habitantes ficou com 109 pontos. Ficamos atrás de Rio Preto, Araçatuba, Catanduva, Birigui e a própria Votuporanga. Antigamente não alcançávamos esse desempenho na Primeira Divisão, disputávamos a Segunda Divisão dos Jogos Regionais. É gratificante ver o trabalho dos atletas, dos técnicos, de todos que se empenharam nesta competição. A gente pegou a prata da casa e colhemos louros. Isso nos deixa orgulhoso em ver o resultado de um trabalho feito aqui. Começamos a investir no tênis de mesa no ano passado com uma garotada e já foram para os Jogos Regionais em Andradina e conquistaram vaga para os Jogos Abertos. Este ano voltaram a conquistar grandes resultados e colocam a cidade nos Jogos Abertos. Voltamos a fomentar o esporte e trazer o comércio junto, que se beneficia desse processo, porque vende mais material esportivo, porque o atleta busca melhor alimentação, porque o menino no esporte não vai para a droga. Então o esporte envolve um grande processo e traz saúde para a população. Menos gente doente, menos pessoas internadas. Essa é a visão que tenho do esporte, de envolver todos os fernandopolenses. Nós temos aqui na Secretaria de Esportes o pessoal mais de idade que faz hidroginástica e já estamos trabalhando para colocar um aquecedor na piscina. Não tínhamos ônibus para levar nossas equipes, sempre precisava pedir apoio de outras secretarias, para o Gustavo Pinato que nos ajudou muito fornecendo o ônibus da Secretaria de Assistência Social. E assim também com a Educação e Saúde. Agora temos um ônibus da nossa secretaria. 
Você disse que sobrou um gostinho de pode mais. O que falta para atingir esse pode mais?
Faltam outros esportes que não conseguimos levar aos Jogos. Fomos com judô, natação, natação ACD (atleta com deficiência), vôlei de praia, ciclismo, tênis, xadrez, basquete, futebol, malha, karatê, bocha, tênis de mesa, futsal, voleibol, atletismo, atletismo ACD e capoeira. Mas, não levamos, por exemplo, o basquetebol, o futsal e o futebol feminino, handebol, além do tae-kwon-do, o badminton, não temos a ginastica artística, a ginástica rítmica. Não temos um ginásio poliesportivo para que possamos reunir essas modalidades. Mas, estamos trabalhando para isso. O prefeito André Pessuto tem dado um apoio grande e temos conseguido também trazer empresários para nos ajudar. Nos Jogos Regionais, tivemos o apoio do Paulinho Okuma, que forneceu laranja e garantiu suco para os nossos atletas. O Gilberto Pântano nos forneceu banana. Então a gente tem que valorizar isso. No ano passado, nós pegamos a Secretaria, numa transição de governo. A minha antecessora, a Dayse, já tinha feito um bom trabalho e me passou algumas coisas que precisava. Então, quando deixar a secretaria quero deixar também um legado, uma estrutura de esporte melhor. Temos bons planos para executar até o final dessa gestão.
Quando se investe em esporte, o benefício ocorre na outra ponta, menos gente buscando atendimento de saúde. O Esporte e a Cultura são as “primas pobres” em termos de orçamento, você contam moedas.  Não tem como aumentar a verba para o Esporte, por exemplo?
Falta, mas acontece que no bolo do orçamento sobra muito pouco. Veja, são quase 54% folha de pagamento, 25% educação, 15% saúde. Então, a fatia que é destinada para o esporte é pequena. Mas, o professor de Educação Física já foi acostumado a improvisar para dar aula. Não tem bola, faz uma de meia e assim por diante. Não tem pista de salto em distância, pega dois pauzinhos e faz a marcação. Se ele tiver material, vai melhorar e muito o trabalho. E o prefeito André tem nos dado essa condição.
Uma das categorias que mais trouxe medalhas para Fernandópolis foi o atletismo e nossa pista de atletismo no Beira Rio sempre tem sido motivo de reclamação. O que fazer para melhorar?
Nós temos o desejo de melhorar. Já conversei com o deputado Fausto Pinato para conseguir verbas para a gente promover a reforma. Estamos com esperança, creio que vamos ter coisa boa para o Beira Rio. A iluminação da pista a gente já trocou. Agora precisamos arrumar a pista. Estou vendo com empresários para fazer uma parceria e conseguir melhorar a pista, que é uma das melhores da região. É só questão de consertar. Temos também outros problemas, por exemplo, a piscina pública (Centro do Trabalhador), que é um local fora de série, mas está abandonada, mas tem que reformar para usar. Ai esbarramos na falta de verba. Então, a saída é buscar apoio dos empresários ou nas associações que temos aqui, como a Apab, Afufer, Afercan, Associação de Judô, para melhorar essa parte de estrutura. Temos também a área de lazer do Santa Barbara que é um local muito bom e precisamos fazer com que aquela área possa ser um espaço para atividades esportiva. Recentemente o prefeito entregou o campo da Vila Veneto onde temos hoje o Rubão (professor de educação física) com atividades da escolinha de futebol. O próprio Rubão conseguiu com empresários postes para iluminar o campo para que a atividade possa ir até a noite. A Prefeitura não tinha como atender essa demanda.Com isso, ele está tirando a meninada da ociosidade, das ruas, trazendo para o futebol. Temos que ressaltar que a população e os empresários de Fernandópolis são fora de série, tem nos ajudado e dado respaldo importantíssimo.
O que seria fazer esporte na cidade sem esses parceiros que citou?
Uma dificuldade enorme. Mas, temos uma equipe muito boa. Sozinho a gente não faz nada. O êxito, a gente deve a esse pessoal.
Fernandópolis padece de uma infraestrutura no esporte que é histórica. A cidade já realizou Jogos Regionais na década de 90, mas a cobrança que se faz é quando vamos poder realizar, de novo, os Jogos?
O prefeito André me autorizou a candidatar Fernandópolis como sede dos Jogos Regionais em 2020. Isso até faz parte do plano de governo do prefeito. É um desafio. Temos que começar a melhorar o nosso parque esportivo nesse e no próximo ano, para que em 2020 a cidade esteja preparada para os Jogos. 
Quando você fala em melhorar o parque esportivo, o que seria vital neste momento, diante das carências que temos?
O complexo Beira Rio precisa ser reformado, precisamos também reformar a piscina pública do Centro do Trabalhador, ou então usar a dos clubes CPP e Casa de Portugal. Não temos cancha de bocha, de malha, condizentes. Temos que melhorar tudo. No Beira Rio, por exemplo, estamos resolvendo problemas pontuais. Agora mesmo estamos resolvendo o problema de esgoto do Ginásio. Precisamos também melhorar a iluminação. Estamos fazendo um levantamento para levar ao prefeito do que precisa ser feito para que a cidade possa realizar os Jogos. O prefeito tem interesse em fazer os jogos e creio que ele vai conseguir realizar as obras necessárias. 
Ser secretário de esportes é ser chorão, do tipo pidoncho?
Acho que sou o mais pidoncho de todos, o mais chorão. Não tenho nada, tenho que pedir. É aquela história, se o nenê não chorar, a mãe não vai dar o leite.
Fernandópolis tem dificuldade também em conservar o que foi feito?
Essa dificuldade é em todas as áreas. Recentemente foi entregue o calçadão no bairro Antônia Franco e destruíram as lixeiras. Temos também o exemplo positivo lá do campo do Ubirajara/Trevo que estava destruído. O pessoal que forma o grupo Veteranos de Fernandópolis, logo que o prefeito assumiu, toparam a parceria. A prefeitura dá o material e eles cuidam daquela praça esportiva. A prefeitura forneceu o alambrado e material e o pessoal no final de semana recuperou aquela área. Essa também é uma parceria que deu certo. Nós não temos como colocar um zelador em cada praça. Temos muitas praças que precisam de manutenção e a nossa secretária é pequeninha e nos obriga a pedir socorro. Por isso tenho que ser chorão, porque senão chorar não consigo levar toda essa gama de atividades para todos os locais da cidade. Podemos dizer que somos uma mini prefeitura. Temos na nossa equipe em torno de 10 pessoas da frente de trabalho e seis ou sete funcionários. É uma equipe pequena, mas estamos conseguindo realizar muita coisa.  
Qual é o seu sonho na área do esporte?
Um novo Ginásio de Esportes. Eu joguei e jogo basquete e acompanho muito a NBA e não custa sonhar. Ver aqueles ginásios lotados nos Estados Unidos, a gente fica boquiaberto em ver a capacidade que eles têm. Temos que sonhar. O meu sonho é um novo Ginásio de Esportes, um novo Beira Rio. Precisamos correr atrás, mobilizar nosso deputado e buscar recursos no governo federal para realizar esse projeto, de um ginásio onde a gente possa realizar grandes eventos. Eu, por exemplo, transformaria a arena da Expo em um Ginásio de Esportes, com quadra e toda a estrutura para grandes eventos esportivos. Mas é um sonho...

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