Acolhimento psicológico voluntário

OBSERVATÓRIO - 08:04:32
Acolhimento psicológico voluntário

Foi retomado no mês de março um serviço de apoio psicológico às famílias de Fernandópolis. É um trabalho voluntário que mobiliza uma equipe de 14 psicólogos de Fernandópolis. O SEAPSI – Serviço de Acolhimento Psicológico - funciona em parceria com a Paróquia Santa Rita, com apoio do padre Natalino, e presta serviço psicológico à comunidade mais carente. A equipe de coordenação é constituída pelos psicólogos Edilaine Sanches Sano, Marinei Besteti Fernandes, Manoel Neto, Daniela Forlan e Priscila Vila Longo e apoio dos médicos Washington Henrique Conceição e Amanda Careno. CIDADÃO conversou com as psicólogas Edilaine Sanches Sano e Marinei Besteti Fernandes e com a médica psiquiatra Amanda Careno, para conhecer um pouco mais o projeto que já atende mais de 200 pessoas na cidade e que, segundo elas, está funcionando muito bem: 

Como funciona o SEAPSI?

Edilaine Sanches Sano – O serviço funciona em parceria com a Paróquia Santa Rita de Cássia e presta atendimento psicológico à comunidade mais carente. A paróquia colabora com as inscrições para o projeto. Todas as pessoas que necessitam e querem atendimento psicológico devem procurar o Escritório Paroquial ao lado da Igreja Matriz e deixar os nomes. Estes nomes são, posteriormente, encaminhados a nós coordenadores, que repassamos para a equipe de psicólogos que atende no projeto. Somos em 14 psicólogos que atendem em suas clínicas particulares todos os pacientes, como se fossem pacientes particulares. 
Como é o atendimento e quantas pessoas esse serviço já atende?
Edilaine Sanches Sano – O atendimento não resume a uma sessão, mas trata-se de um processo psicoterápico composto por 10 sessões. E depois o paciente pode dar continuidade com o psicólogo. Começamos nossos atendimentos em março deste ano e estamos com 204 pacientes em atendimento pelo projeto.
A partir do início do projeto, como estão avaliando o resultado?
Marinei Besteti – O resultado tem sido muito positivo. Além do fato de que quem nos procura são pessoas que estão precisando do atendimento, o serviço procura dispensar todo cuidado. Os psicólogos do projeto fazem um autocuidado que é pré-requisito estarem em supervisão clínica. São psicólogos que estão muito capacitados para o atendimento. O resultado é bom, porque a partir do momento que deixa acessível, a população começa a entender que a psicoterapia não é cara e nem é difícil conseguir atendimento. Percebe também o resultado que o atendimento psicológico traz para a qualidade de vida. Então, ambas as partes, psicólogos e pacientes, se beneficiam muito desse projeto que veio para dar acessibilidade a esse processo de psicoterapia.
Quais os tipos de problemas que chegam mais ao SEAPSI?
Marinei Besteti – Como não temos restrição de idade, então esse leque de queixas é muito variado, mas as emergências sempre estão nos transtornos de ansiedade, nos transtornos depressivos, que são com frequência os maiores problemas psicológicos. Depois, nós temos os professores que identificam logo cedo uma dificuldade da criança e também, a partir de um problema escolar, encaminham para avaliação inicial, possibilitando estabelecer um diagnóstico. Qualquer comportamento que esteja diminuindo a qualidade de vida do sujeito já seria motivo para se fazer uma consulta psicológica.
A porta aberta para chegar ao SEAPSI é o Escritório Paroquial. Demora muito para o atendimento no consultório com o psicólogo?
Marinei Besteti – Depois que a pessoa deixa o nome para esse encontro com o psicólogo, com frequência estamos levando esses nomes para o grupo de psicólogos que se encarrega do contato com a pessoa. A espera é pequena, porque a equipe além de ser formada por muitas pessoas, é super engajada. Sempre que tem nome na lista, tem um psicólogo para entrar em contato e iniciar o atendimento.
No caso da psiquiatra, como é a participação no SEAPSI?
Dra. Amanda Careno – O paciente que os psicólogos perceberem que tem também a necessidade de uma avaliação médica, as vezes com uma intervenção medicamentosa, vai ser encaminhado. Se necessário, faço a orientação dessa demanda, com encaminhamento para a rede. Mas, não são todos os pacientes que tem essa necessidade. O acolhimento psicológico, quando feito de maneira oportuna, precoce, ele pode até propiciar uma intervenção medicamentosa menor, com certeza vai trazer uma evolução mais positiva para o quadro do paciente. As vezes ele é capaz de resolver algumas questões que no futuro poderiam se tornar doenças clínicas. O mérito dessa equipe de psicólogos do SEAPSI é gigantesco e eu estou no apoio, porque o trabalho, repito, é fantástico.
Como médica, como avalia no contexto geral a população dispor de um serviço como esse?
Dra. Amanda Careno – Extremamente benéfico. Eu costumo dizer que em algum momento da vida, todo individuo vai ter necessidade de procurar um atendimento psicológico. Sou partidária disso. Não é preciso que a pessoa tenha uma doença instalada para procurar um atendimento psicológico. Pelo contrário, se já existe uma questão de sofrimento, ou se a pessoa está procurando uma mudança, uma evolução, ela pode se beneficiar desse serviço. Isso é uma coisa que, as vezes, a população tem até um pé atrás, em procurar um psicólogo. Se tiver uma doença instalada a gente vai trabalhar em parceria, mas é importantíssimo esse serviço. Melhora a qualidade de vida, permite o autoconhecimento do indivíduo. Assim ele vai funcionar melhor na família, no trabalho, na comunidade. Então, acho esse projeto fantástico e colocar o serviço de acolhimento psicológico para uma população que muitas vezes não tem acesso.
Muito da resistência em busca ajuda parte daquele princípio “eu não sou louco”?
Dra. Amanda Careno - Isso é uma coisa que a gente nota que está caindo, mas que tem essa crença de quem procura o psicólogo, o psiquiatra, é porque está louco. E não é. A grande maioria do público que atendemos é de pessoas normais que passam por uma situação de estresse, de depressão, ansiedade, ou de crianças com questões escolares, questões que precisam de acolhimento. Hoje em dia a gente vê esse preconceito caindo, mas sim, ainda é um fator de resistência importante.
Por que hoje estamos mais expostos aos problemas de ordem emocional?
Dra. Amanda Careno – A modernidade está trazendo questões novas, difíceis, muitas vezes, das pessoas lidarem. Então, temos visto o aumento do estresse, do vício em tecnologia, as drogas assumindo um contexto cada vez mais importante. São questões urgentes. A gente considera que atendimento em saúde mental da população é uma prioridade, porque se você não está equilibrado emocionalmente, vai possivelmente desencadear outros problemas e ter o adoecimento físico. A gente está lidando com questões emocionais muito intensas hoje e por isso é importante que as pessoas procurem ajuda, que as pessoas ao se sentirem aflitas, em situação de dificuldade, não tenham receio de procurar ajuda, de procurar o atendimento. O SEAPSI tem esse propósito, acolher as pessoas.

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