“Andei pelas estradas que o próprio Jesus andou”

OBSERVATÓRIO - 19:14:56
“Andei pelas estradas que o próprio Jesus andou”

Rodolfo Cabrini de Oliveira é padre, teólogo e advogado. Está há sete anos em Fernandópolis. A vocação o levou cedo para o Seminário, aos 18 anos. Foi ordenado padre em 2011 e em 2012 veio transferido para Fernandópolis onde comanda a recém-criada Paróquia de Santo Expedito, no bairro Morada do Sol. Sob sua responsabilidade estão outras oito comunidades.  Vai completar 33 anos no dia 1º de novembro. Seu trabalho tem grande repercussão e suas missas são acompanhadas por centenas de pessoas. A Igreja ficou pequena e foi preciso ampliar acomodação para o público do lado externo. Sua jovialidade, seu carisma, são marcas do trabalho pastoral que atrai jovens, adultos e idosos. Padre Rodolfo retornou de uma viagem a Terra Santa, onde percorreu os caminhos de Jesus. Viveu uma experiência que mistura emoção e fé. Nesta semana, contou sua experiência ao CIDADÃO, descrevendo os caminhos por onde passou. “Isso já é o bastante para repensar muitas coisas em nossa vida”, disse nesta entrevista.Antes de viajar provocou os seguidores a pensar no Brasil neste momento de eleição. Ao CIDADÃO disse que o momento é complexo, mas importante. “Os comentários desabonadores sobre as diversas opiniões mostram a crise moral que vivemos. Com certeza faltou respeito com quem pensa diferente”. Sem citar nomes, disse que é a favor do revezamento no poder. “Eu acredito que o momento é propicio para mudança”, afirmou. E deixou um ensinamento de Santo Agostinho: “No essencial, a unidade; na dúvida, a liberdade; mas em tudo, a Caridade”. Veja a entrevista:

O senhor retornou de uma viagem à Israel percorrendo caminhos por onde Jesus peregrinou. Como foi essa experiência?
Posso dizer que foi uma experiência incrível, pois são lugares encantadores e cheios de significados para nós, cristãos. Percorremos muitos lugares que estão descritos na Bíblia e pudemos andar pelas estradas que o próprio Jesus andou. Acredito não ser possível descrever tudo o que vivemos nesses dias na Terra Santa. Foi uma mistura de fé e emoção de estar exatamente nos lugares onde aconteceram os fatos mais importantes para o cristianismo. Começamos a nossa peregrinação visitando o Monte Tabor, onde Jesus se transfigurou e fomos ao Rio Jordão renovar as promessas do nosso Batismo. Depois conhecemos o Mar da Galileia, onde aconteceu a pesca milagrosa. Conhecemos também a casa de São Pedro em Cafarnaum e depois fomos em Caná da Galileia, onde Jesus foi a uma festa de casamento e transformou água em vinho. Neste lugar tem uma igreja onde casais do mundo inteiro renovam seus compromissos matrimoniais, nessa ocasião um casal do nosso grupo também renovou os votos matrimoniais. Fomos conhecer o Monte Carmelo, onde o profeta Elias mostrou o poder de Deus e visitamos também Jericó, conhecida como a cidade mais antiga. Depois, em Jerusalém fizemos o caminho da Via Sacra e chegamos ao Santo Sepulcro, onde Jesus foi morto, sepultado e ressuscitou. Conhecemos o Monte das Oliveiras e também visitamos Belém, onde nosso Salvador nasceu. 
Pessoas que retornam dessa viagem relatam algo transformador na forma de olhar o mundo. Como o senhor definiria essa sensação? 
Tenho certeza que cada pessoa desta viagem fez sua experiência pessoal e profunda do amor de Deus. Se formos conversar com todos que fizeram essa viagem, cada um vai relatar algo diferente, não só sobre os lugares visitados, mas também dos momentos vividos, pois enquanto andamos naqueles lugares ficamos imaginando como era há dois mil anos atrás. Parece que voltamos no tempo. Isso já é o bastante para repensar muitas coisas em nossa vida.
As pessoas que passam por Israel tem percepção do ambiente de conflito que marca a disputa com os palestinos?  
Com toda a sinceridade, me senti mais seguro em Israel do que no Rio de Janeiro ou em São Paulo. O problema lá são conflitos externos, disputas de territórios e poderes. Mas em relação aos turistas, tudo é muito tranquilo. O conflito existente naqueles lugares é histórico, motivado por convicções sociais e religiosas, algo que dificilmente se resolverá. Acredito que só por intervenção divina.  
E a passagem por Assis e pelo Vaticano? 
O Vaticano é magnífico. Visitamos a Praça São Pedro, onde vimos o Papa e participamos de uma audiência. Depois fomos ao Museu e visitamos a lindíssima Capela Sistina. Fizemos também um Tour pela cidade de Roma para conhecer os lugares históricos. Roma é um museu a céu aberto. Assis é encantadora. Ali nota-se a constante presença do Deus. Conhecemos os lugares onde viveram São Francisco e Santa Clara. Parece que tudo ali fala do bem e da paz. 
Qual o momento mais tocante dessa visita à Terra Santa e Itália?
Isso é bem pessoal, como disse, cada pessoa fez a sua experiência. Mas, para mim dois momentos marcaram esta peregrinação. Visitamos uma Igreja que foi construída em cima da casa onde o Anjo Gabriel apareceu a Maria para fazer o anúncio que ela foi escolhida para ser a mãe do Salvador. Lá tem um altar e embaixo dele uma frase: “VERBUM CARO HIC FACTUM EST”, que quer dizer “AQUI O VERBO SE FEZ CARNE”. Depois, o segundo lugar que pude experimentar uma sensação de alegria e paz, sem dúvida, foi Assis, na Igreja onde Jesus pediu a Francisco que restaurasse a sua Igreja. 
Essa viagem seria um marco na sua vida sacerdotal?
Posso considerar um dos acontecimentos mais marcantes sim. Com sete anos de padre poder conhecer os lugares sagrados foi uma grande oportunidade de crescimento espiritual. 
Agora vamos falar do seu trabalho em Fernandópolis. Desde que assumiu a Paróquia Santo Expedito o senhor tem ganhado notoriedade pelo seu trabalho pastoral, atraindo cada vez mais pessoas, principalmente jovens, e a Igreja já ficou pequena para tanta gente. Falam do seu carisma nas celebrações.  O que tem feito de diferente?
Servir a Deus é uma alegria. Tudo o que faço é de coração. Fernandópolis muito mais me ensinou do que aprendeu comigo. Sou apenas uma velinha, que sozinho não conseguiria iluminar nada. Na Paróquia onde estou temos uma equipe maravilhosa, formada por adultos, jovens e idosos que trabalham incansavelmente na Igreja pela evangelização. O trabalho é uma partilha de dons, cada um faz aquilo que pode e assim realizamos muitos trabalhos religiosos e sociais. Acredito que não há nada tão diferente, mas se torna tudo especial pelo carinho e amor que as coisas são feitas. 
O senhor se colocaria como parte de um novo pensamento da Igreja Católica como pede o Papa Francisco?
Amo o Papa Francisco, como pude amar o Papa Bento XVI e João Paulo II, que foram os papas que conheci. Visitando Assis, terra de São Francisco, consegui entender muitas atitudes e iniciativas do Papa Francisco. Eu não me considero nada. Busco apenas estar sempre em sintonia com o que a Tradição da Igreja e o Papa me ensinam.  
As eleições no Brasil tem provocado grande discussão nas redes sociais. O senhor mesmo se surpreendeu com uma postagem que fez e que teve centenas de comentários e compartilhamentos. Como analisa esse momento que vivemos?
Momento complexo, mas importante. Os comentários desabonadores sobre as diversas opiniões mostram a crise moral que vivemos. Com certeza faltou respeito com quem pensa diferente. Acredito que eu, como qualquer pessoa no Brasil que manifesta sua opinião política pode acertar, como pode errar, pois não há clareza. Pensei muito no pensamento de Santo Agostinho “No essencial, a unidade; na dúvida, a liberdade; mas em tudo, a Caridade”. Tenho minha opinião, mas respeito e vejo como irmão quem pensa diferente de mim. 
Que País espera que saia das urnas neste domingo?
Como respondi a pergunta anterior, respeito quem pensa diferente de mim. Na minha opinião deveríamos escolher a mudança. Sou a favor do revezamento de poder. Não é bom para nenhum país ficar no comando de um partido ou pessoa por muito tempo, e eu acredito que este é um momento propício para a mudança. É obvio que não concordo 100% com candidato nenhum, assim como não acredito que colocará em prática tudo o que se propôs a fazer. Voto sem medo e me comprometi a rezar por quem for eleito, seja quem for. Eu desejo que o Brasil, a Terra de Santa Cruz, esteja sobre a proteção de Deus. 

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