Fernandópolis caminha pelas crianças com câncer

OBSERVATÓRIO - 19:49:34
Fernandópolis caminha pelas crianças com câncer

Neste domingo, quando Fernandópolis sai às ruas para se integrar a caminhada “Passos que Salvam”, é impossível não lembrar do menino João Pedro Azevedo. Ele morreu em 2015, após cinco de luta contra Leucemia Mieloide. Os pais Luciana e Claudio Azevedo lutam até hoje pela causa estimulando cada vez mais gente se cadastrar como doador de medula óssea. A caminhada Passos que Salvam tem duplo objetivo: o primeiro, conscientizar as pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil e isso passa pela família, professores, médicos e profissionais de saúde que devem ficar atentos aos sinais. A segunda: com a venda do kit de 35 reais, a renda é destinada a ampliação do atendimento do Hospital de Câncer InfantoJuvenil de Barretos. 

“Quanto mais cedo a criança chega para atendimento no Hospital em Barretos, maior a chance de cura”, diz a coordenadora da campanha Naima Kathib em entrevista ao CIDADÃO. A caminhada chega a sétima edição e, segundo Naima, desde que foi lançada houve um aumento de 14% no número de crianças que chegam precocemente para tratamento. Naima deixa um alerta: disseminar a informação ajuda a salvar vidas. Veja a entrevista:

Fernandópolis é uma das 600 cidades que se mobilizam na campanha Passos que Salva. Fale desse projeto?

A cada ano a caminhada nos surpreende, mais cidades vêm para agregar nesse projeto e nós estamos felizes porque já passam de 600 municípios em 20 estados brasileiros que caminham pelas crianças com câncer. E mais felizes ainda porque estamos conseguindo, com essa campanha, fazer que com essas crianças cheguem em tempo de cura no Hospital de Amor. A área de medicina fez um estudo e constatou que desde a primeira caminhada nós aumentamos em 14% o número de crianças que chegam precocemente no Hospital de Câncer de Barretos. Isso nos deixa felizes, porque quanto antes elas chegam, a chance de cura aumenta.
Além do caráter informativo, a caminhada tem também o objetivo de levantar recursos para o Hospital de Câncer InfantoJuvenil de Barretos?
Sim, na realidade a caminhada tem dois objetivos: o primeiro, trazer a criança precocemente para o tratamento de câncer. E o segundo, com a venda dos kits, trazer o recurso para o hospital que é 100% SUS. O tratamento em Barretos é especializado, com protocolos internacionais e é um tratamento caro. Além disso, as famílias vêm com as crianças, ficam em nossos alojamentos, com alimentação, estadia, então ninguém paga nada para tratar em Barretos. E o Hospital precisa da ajuda de todos. Os kits vêm, além de mostrar para o Brasil que nós estamos preocupados, porque todos saem as ruas neste dia 25, com a camiseta, por uma causa tão importante, essa renda ajuda o hospital a manter todo esse trabalho maravilhoso. Nós entendemos que, quando a família traz o filho para o tratamento, ela só precisa se preocupar com o tratamento dele. Alimentação, estadia ficam por nossa conta. 
E esse processo que mantém a família junto ao paciente, contribui para melhor resultado no tratamento?
Com certeza, a família tem uma importância vital no tratamento da criança. Hoje nós temos o nosso Lar de Amor que abriga as famílias, vêm o pai, vem a mãe, vem os irmãozinhos. O presidente Henrique Prata e toda a nossa diretoria faz questão de que a família fique unida nesse momento. Veja que o pai vem e é empregado pelo nosso hospital, enquanto a criança permanecer em tratamento, os irmãozinhos têm direito a escola. E nós recebemos famílias de todo o Brasil, do norte, do sul, do centro oeste, do nordeste. Antes da nossa casa Lar de Amor, vinha a mãe com o filho e o restante da família ficava em suas cidades e essa família era desfeita às vezes. E hoje tem a oportunidade de vir para Barretos e ficarem no Hospital durante o tratamento do filho.
Entendemos que quando uma criança fica com câncer, a família inteira fica. Não tem jeito de sentir menos dor.  
Qual a estrutura que o Hospital oferece nesse atendimento?
Toda a estrutura que uma pessoa em tratamento de câncer necessita, inclusive o transplante de medula óssea. Com a caminhada Passos que Salvam aumentou tanto o número de crianças chegando para tratamento que nós já estamos construindo uma nova ala de transplante de medula, a ala de fisioterapia que é muito importante no tratamento de câncer. O Hospital de Câncer, tanto no tratamento de adultos e infantil, o nosso tratamento tem começo, meio e fim, com tudo que o paciente precisa, medicações, exames. O HC é um hospital completo que oferece ao paciente tudo que ele precisa durante seu tratamento.
Qual a capacidade de atendimento do Hospital InfantoJuvenil?
Não temos portas fechadas para crianças. Temos algumas regras, mas a criança que precisa do Hospital de Câncer nós recebemos. Não aceitamos crianças que já estão em tratamento em outra instituição. A criança que chega para tratamento não precisa de diagnóstico fechado, só com a suspeita a gente recebe e se não for câncer a gente devolve com o diagnóstico e, se for câncer, a gente trata. Então hoje, a nossa estrutura recebe todas as crianças que precisam de tratamento.
O importante da campanha é a conscientização para que todos fiquem atentos a sinais. Quais são os sinais que a criança apresenta e que pode levar ao diagnóstico precoce de câncer?
O grande objetivo da campanha é despertar a população para o diagnóstico precoce. Não é só a venda de kit. O kit é comprado para ajudar o hospital, num projeto de conscientização para o diagnóstico precoce. O nosso índice de cura era baixo em relação ao índice dos Estados Unidos, porque lá as pessoas são conhecedoras desses primeiros sinais. Nesses sete anos, nós estamos divulgando os sinais e sintomas que são muito parecidos com outras doenças da infância. O que acontecia antes da caminhada? A criança chegava na Unidade Básica, no hospital, com uma febre prolongada, com aumento nos olhos, perda de peso e tratava-se como qualquer doença. Mas, se esses sinais começam a ser permanentes, você dá o remédio, o sinal volta, essa criança começa ter febre recorrente, caroço no corpo, principalmente no pescoço, virilhas e axilas, manchas roxas, dores de cabeça com vômitos, dores na perna. Se essa dor passa com o remédio e não volta, tudo bem, mas se retorna, precisamos pesquisar. As crianças chegavam em Barretos sendo tratada por dor do crescimento. Se uma dor, uma febre ou qualquer outro sinal é permanente, precisamos investigar, pensar no câncer. Antes, nós perdíamos 40 crianças num universo de 100, por conta que as crianças chegavam muito tarde. Com a caminhada, com o despertar dessa consciência, as mães, os professores, profissionais de saúde e médicos têm um olhar diferenciado. No mês passado, nós capacitamos em Barretos quase 1.000 professores da rede municipal de ensino. Os professores ficaram felizes porque não sabiam de muitas coisas. E olha que as vezes os professores passam mais tempo com as crianças que os pais. E eles notam esses sinais. Nós estamos estendendo para toda a população esses saberes, essas informações e com isso as crianças têm chegado mais cedo ao hospital.
A criança que chega ao Hospital com o diagnóstico precoce, qual a chance de cura? 
Depende do estágio que essa criança chega. Se chega logo no início, dependendo do câncer, a chance é muito grande. Tem câncer que tem 100% de chance de cura, por exemplo, a leucemia logo no início. Aliás, a leucemia é o câncer mais frequente na infância. Criança começa a ficar pálida, amuada, aparecem manchas roxas. As vezes a criança começa a ser tratada de outras coisas, como anemia, e demora dois anos para chegar em Barretos. Por isso precisamos ter esse olhar diferenciado para sintomatologia das crianças porque é essencial no tratamento.
O que diria aos fernandopolenses sobre essa campanha?
Primeiro agradecer a todos que estão trabalhando nesse projeto. Nós temos a nossa Unidade de Prevenção em Fernandópolis com a Tânia Silveira e uma equipe preparando essa caminhada. Eu quero dizer à população de Fernandópolis apenas uma frase: criança não inventa sintoma. Se seu filho se queixar de um sintoma que é permanente, isso precisa ser investigado. É o olhar diferenciado. Participem da caminhada. Fernandópolis estará nas ruas com mais 600 cidades brasileiras. No ano passado levamos mais de 200 mil pessoas às ruas. Vamos vestir a camiseta da caminhada, você vai ajudar o hospital e contribuir para a disseminação da informação que é vital no tratamento de câncer. É um projeto que veio para despertar a população para o diagnóstico precoce das crianças e adolescentes.

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