Após 26 anos na política, Saves assumirá a OAB em janeiro

OBSERVATÓRIO - 08:19:27
Após 26 anos na política, Saves assumirá a OAB em janeiro

Em 2017, em entrevista ao CIDADÃO, o advogado Maurilio Saves anunciava que estava “pendurando as chuteiras” na política, após ter completado o ciclo de 26 anos como vereador e presidente da Câmara. Um ano depois, ele volta a viver “o frio na barriga” em uma disputa eleitoral, agora pela presidência da Subsecção da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil. Segundo ele, a situação de encabeçar uma das chapas na disputa caiu no seu colo quase que por acaso. Saves lembra que ao longo dos 35 anos no exercício da advocacia, nunca pensou na presidência da OAB para não misturar com a política. Nesta entrevista ao CIDADÃO, diz que, apesar da diferença entre uma eleição municipal e eleição na OAB onde o eleitor (advogado) é mais crítico, a emoção é a mesma.  Na OAB Maurilio terá na diretoria Angela Takai (Vice-presidente); Ronaldo Malacarne (Secretário Geral); Roberta Zaparoli (Secretaria Adjunta); e Agostinho Pagoto (Tesoureiro). Veja a 

entrevista do novo presidente da OAB Fernandópolis: 

Depois de 35 anos como advogado, porque só agora decidiu disputar a eleição na subsecção da OAB em Fernandópolis?
Foi quase que por acaso. Todas as vezes em que ocorreram pleitos da OAB eu estava envolvido com eleições municipais, com mandato como vereador, então sempre tinha um entrave e eu não queria misturar as coisas. Nesta última eleição, fui convidado para ser vice-presidente tendo como candidata natural na sucessão do Dr. Marcos Del Grossi a Dra. Marcia Pontes que foi a vice nos dois mandatos. Surgiram alguns entraves durante a composição de chapa e no final, caiu no meu colo, para ser mais simples, a oportunidade de ser candidato a presidente da OAB. A princípio relutei porque não era minha pretensão momentânea já que, passados dois anos do pleito municipal, eu havia deixado a vida pública, porém continuava fazendo política partidária, política como todo cidadão faz. Surgiu essa oportunidade e passamos a compor com outros amigos para formar uma chapa e entramos na disputa para competir com o Dr. Reinaldo Cangueiro. Saímos vitoriosos.
O senhor passou a maior parte da vida disputando voto dos eleitores de Fernandópolis como candidato a vereador e até vice-prefeito. Agora disputou voto para eleição da OAB. Ainda dá frio na barriga?
Existe uma diferença, porém a emoção é a mesma, com direito a frio na barriga, ansiedade, aquela situação de lançar-se na competição, visitar os companheiros advogados, pleitear o voto, apresentar propostas. O advogado é mais crítico, até mesmo pela sua formação. O eleitor comum vive mais o clima da eleição. O advogado não, ele é observador por natureza. Então, nesse aspecto é diferente.
Durante a campanha o que senhor mais ouviu dos advogados?
Foram as questões relacionadas ao exercício da profissão, as prerrogativas, e algumas questões mais internas. Há queixa da restrição que houve no Fórum. Por falta de espaço, por conta do barulho, as pessoas não podem aguardar mais lá dentro. E hoje tem apenas uma sala de audiências e lá ficam advogados, testemunhas de acusação, de defesa, o que é uma coisa lamentável, por que as testemunhas são incomunicáveis. Sem espaço, ficam todos misturados. Então, isso é uma reclamação muito grande dos advogados por falta de acomodações adequadas dentro do Fórum. Mas, isso é questão para se conversar com o diretor do Fórum. O Dr. Heitor é uma pessoa que tem bom senso e certamente vai nos ouvir a partir do momento que assumirmos o mandato em janeiro. Vamos expor essa situação e creio que vai nos auxiliar para resolver essa reclamação que é de grande parte dos advogados.
Na série de propostas que apresentou aos advogados, o que julga mais importante para a classe neste momento que o país está em transformação?
A OAB participou de todos os movimentos do País, na luta pela democracia, nos impeachments. Foi sempre muito atuante. E nós precisamos ter um bom elo com a população, para que ela entenda o verdadeiro papel do advogado e da advogada, a sua importância no equilíbrio para melhor distribuição de justiça. Não existem situações em que se pode afirmar que a presença do advogado seja descartável. A presença do advogado em todos os atos é importantíssima. Até nós usamos uma frase que retrata bem isso. “Não há Justiça sem o Advogado”. Temos um papel importante a cumprir, principalmente na área social. Temos tido problemas com a Assistência Judiciária, pessoas que não tem acesso à Justiça por falta de recurso. Temos que facilitar esse acesso em busca da prestação jurisdicional para as pessoas que enfrentam todo tipo de dificuldade. E temos que estar atentos nesse relacionamento com a população. 
Esse convênio com a Defensoria Pública do Estado, como funciona?
Não temos a figura do Defensor Público. Então a Defensoria Pública do Estado fez o convênio com a OAB para fazer esse papel. E temos feito isso a contento. Se for na OAB às segundas, terças e quartas-feiras, vai notar a quantidade de pessoas em busca da assistência judiciária gratuita. Em média, são cerca de 100 pessoas por dia para passar por uma triagem para ser designado um advogado para fazer a defesa dos interesses dessas pessoas. 
Para esse trabalho, o advogado tem uma remuneração adequada, condizente com a responsabilidade que assume?
Não. E é isso que a OAB São Paulo vem buscando de forma incessante e nós temos que cerrar fileiras para que o advogado seja melhor remunerado neste trabalho que presta à sociedade, que é um dever do Estado e nós suprimos esse dever, através de um convênio. Nós temos que fazer com que o Estado ou coloque Defensoria Pública para atender essa população e o custo disso é elevado, ou remunere adequadamente o trabalho do advogado designado. Para o Estado é muito confortável essa situação. Ele não gasta com papel, com impressora, com telefone, aluguel, água, luz, não paga secretária, não paga nada. Tudo isso é de responsabilidade do advogado. E tem processo que demora anos para que o Estado venha remunerar o advogado com um valor insignificante. Mas, mesmo assim, os advogados que estão iniciando precisam disso para poder se estabilizar e ganhar prática no exercício da profissão. Porém, precisamos lutar para melhorar essa remuneração. As vezes o juiz nomeia um perito judicial e fixa um valor que é duas ou três vezes o valor que o advogado vai ganhar no fim do processo. E o perito vai fazer apenas uma parte e o advogado vai trabalhar durante todo o processo. 
O senhor colocou no seu plano de governo uma atenção aos jovens advogados. Como seria isso?
Entre nossas propostas, temos a de criar o Advogado Amigo, uma comissão com advogados mais experientes para dar apoio através de palestras, conversas, orientação aos jovens advogados que estão saindo das faculdades. Enfim, que o jovem tenha uma orientação dentro da OAB para que possa depois caminhar com suas próprias pernas.
O número de cerca de 500 advogados em Fernandópolis é condizente com o tamanho da cidade?
Tem espaço para todos. Vai depender de cada um conquistar o seu espaço e garantir o seu reconhecimento. 
A partir de janeiro senhor assume a OAB em Fernandópolis no momento que o país também tem troca de governo. Qual sua expectativa?
Eu acredito no estado democrático e de direito. Teremos um novo presidente e pelas propostas que apresentou e o que vem falando, esperamos que o país tenha melhoras, em todos os aspectos. O que mais nos assusta é a corrupção desenfreada. Onde mexe aparece sujeira e pode aparecer ainda mais. Isso não pode ser admitido. Felizmente, a Justiça tem barrado alguns políticos ficha suja. Eu espero que o presidente, pela equipe que vem montando, faça um bom governo e dê uma resposta ao povo que deu um voto de confiança a um candidato que fez uma campanha com pouca mídia e usando mais as redes sociais, sem gastar fortunas. Eu sou contra usar dinheiro público para fazer campanha. Gastar dinheiro do contribuinte para fazer campanha eleitoral é um absurdo, espero que esse sistema político que está ai, também mude. Temos que voltar a ter prazer em dizer que somos honestos e não ser taxado de trouxa por uma atitude digna de aplausos. Ser honesto é princípio básico, não precisa ter lei para fazer isso.
Apesar da disputa, a OAB sai unida da eleição?
Com certeza. O nome da minha chapa é “Ordem Unida”. E não estamos falando em vencidos e vencedores. Fui cumprimentado por todos ao final da eleição. A chapa concorrente foi leal, transparente. Agora temos que somar com todos para buscar um bem comum, que é o bem da advocacia brasileira. E temos que fazer esse papel em Fernandópolis para contribuir por um país mais justo, equilibrado e mais humano. Temos que exercer funções sociais. O país exige isso. 
A partir de 1º de janeiro senhor é o novo presidente da OAB. O que diria neste momento para os advogados e advogadas de Fernandópolis?
O que os advogados podem esperar é que as 12 propostas que apresentamos vamos buscar nos três anos de mandato cumprir todas. O presidente Marcos Del Grossi fez um bom trabalho e nós vamos aprimorar e a gente tem que fazer isso de forma coletiva. Somos um grupo que vai sempre decidir o que é melhor para a categoria.  

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