Prefeito acumula série de polêmicas em dois anos de gestão

POLÍTICA - 09:21:48
Prefeito acumula série de polêmicas em dois anos de gestão

Prefeito na Câmara em janeiro de 2017 na reunião com servidores sobre extinção do 14º salário: primeira polêmica da gestão

O aumento da taxa do lixo que impactou o IPTU este ano foi apenas mais uma da série de polêmicas que o prefeito André Pessuto (DEM) se envolveu nos primeiros 740 dias de gestão, marca completada nesta quinta-feira, 11. 

“Sou o único prefeito com peito, com coragem para tomar medidas necessárias para evitar a falência da cidade”, repetiu sempre que uma polêmica ganhava as redes sociais e provocava onda de protestos. Foi assim com os servidores e, principalmente, com a população, que reagiu no aumento do IPTU em 2018 e, de forma mais contundente este ano, com o aumento da taxa de lixo. 
CIDADÃO levantou os principais episódios polêmicos envolvendo o prefeito André Pessuto. 
No primeiro mês de mandato, em janeiro de 2017, Pessuto enfrentou a ira dos servidores públicos quando encaminhou a Câmara o projeto extinguindo o 14º salário, abono de um salário (piso) da prefeitura que era pago no mês de aniversário há mais de 30 anos. 
O prefeito chegou a se encontrar na Câmara com os servidores numa reunião que virou quase um bate-boca. O projeto sumiu da pauta do legislativo, mas o prefeito buscou a Justiça e conseguiu derrubar o 14º salário no Tribunal de Justiça. Ainda com os servidores, o prefeito voltou a mexer no vespeiro quando anunciou mudança na regra da licença prêmio. 
Na mesma época, o prefeito enfrentou desgaste ao propor projeto que aumentava a taxa de iluminação paga pelos fernandopolenses, passando de R$ 10 para R$ 15. Com a repercussão negativa o prefeito chegou anunciar a retirada da Câmara, mas foi desmentido pelo secretário de Gestão, José Cassadante Junior, que disse que o projeto permaneceria na Câmara e não teria nenhum pedido de alteração da Prefeitura, gerando divergência de informação. O polêmico projeto acabou sumindo da pauta. 
Nem bem completava 100 dias, o prefeito também teve que enfrentar o problema da matança de gatos no Beira Rio denunciado por um cidadão, Valdir Decó. Só depois da repercussão do caso, é que a prefeitura se manifestou e abriu sindicância para apurar o caso. Na época, em vídeo, o prefeito disse que não compactuava com esse tipo de crime ou crueldade contra os animais.  “Eu amo os animais”, chegou a dizer. 
Depois de muitas trombadas políticas nos primeiros dias de governo, o prefeito André Pessuto, no balanço de 100 dias admitiu “imaturidade política” ao lidar com os projetos como o 14º salário do servidor e a taxa de iluminação pública. 
Porém, tempos depois mais polêmicas vieram a provocar ruídos em sua gestão. Em agosto de 2017, ele baixou decreto suspendendo a autorização concedida desde a década de 90 para o Ceads – Centro Educacional de Apoio, Desenvolvimento Social e Cultural – na exploração da Área Azul e deu prazo até 20 de setembro para que a entidade suspendesse o serviço. Justificava a medida, com o anuncio de que abriria uma concorrência para concessão do serviço a uma empresa para modernizar o sistema de estacionamento rotativo. 
O que esperava resolver em poucos meses, antes mesmo do Natal de 2017, só conseguiu colocar em prática no finalzinho de 2018, após colecionar várias suspensões de editais por parte do Tribunal de Contas. A demora gerou caos no centro, irritando comerciantes e motoristas que não encontravam vaga para estacionar. 
Ainda em setembro de 2017, outra polêmica. O prefeito André Pessuto anunciou que queria fechar a UPA – Unidade de Pronto Atendimento. Ele confirmou isso de viva voz na sessão da Câmara de 12 de setembro. “Já protocolei o pedido de fechamento da UPA no Ministério da Saúde e quero deixar isso claro para a sociedade”, disse na época. O pronunciamento de Pessuto repercutiu nas redes sociais e foi parar na TV. 
A polêmica dos coffee breacks também ganhou as redes sociais. Ainda em setembro de 2017, a prefeitura publicou extrato de registro de preços de um pregão, cujo objetivo era contratar uma empresa especializada no fornecimento de coffee breacks para as secretarias municipais. A contratação em si não trazia grande novidade, porém, o que chamava a atenção foi a estimativa de gastos com guloseimas feita pela administração municipal: R$ 695,8 mil por 12 meses, média de R$ 56,7 mil por mês com salgadinhos e suco. A prefeitura, em nota, disse ser apenas uma ata de registro de preços e que não significava que a administração iria gastar tudo isso com coffee breacks. 
IPTU DE 2018 
E O IPTU DE 2019
O ano de 2017 nem havia terminado e novas polêmicas azedaram a ceia de Natal do prefeito e da população. A primeira veio com o IPTU lançado a partir da atualização da Planta Genérica de Valores que elevou o imposto para patamares que poderiam chegar a 600%, até 1.000%. 
Após onda de críticas, e até de ataques ao jornal CIDADÃO que foi acusado de mentir por ter revelado o tamanho da conta que chegaria para o contribuinte, o prefeito editou um decreto limitando o aumento a 100%. Mas, vieram ainda outros problemas. Houve atraso na distribuição dos carnês, e os contribuintes tiveram que enfrentar fila para trocar o boleto de janeiro e depois outra fila para efetuar o pagamento.
Não bastasse as críticas por conta do IPTU e Área Azul, o Executivo também foi envolvido numa confusão montada pela Câmara. Antes do Natal os vereadores aprovaram, por iniciativa do Legislativo, projeto para reajustar salários do prefeito, vice-prefeito e secretários. O então presidente do legislativo Étore Baroni assumiu a responsabilidade do projeto.
Depois de enfrentar forte pressão entre Natal e Ano Novo, logo na primeira semana de janeiro, em entrevista coletiva no gabinete do prefeito, foi anunciada a decisão de revogar o aumento de salário concedido pela Câmara a Pessuto e seu vice, Gustavo Pinato. O prefeito desabafou: “Estou prefeito de Fernandópolis por amor a minha cidade e não por dinheiro”. 
A turbulência do IPTU avançou pelo mês de fevereiro. Em março, o prefeito decidiu exonerar a secretaria de Educação Flávia Resende sobrinha do deputado estadual Gilmar Gimenes e a exoneração seria consequência do racha político entre Gimenes e o grupo do deputado Fausto Pinato. 
Em abril, o prefeito completou 500 dias de governo sob críticas. O advogado, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Ricardo Franco de Almeida, usou a Tribuna Livre e disse o prefeito André Pessuto estava à deriva com sua administração e criticou os vereadores por omissão. Ainda no discurso, Ricardo afirmou que o prefeito havia perdido as rédeas da administração para forças ocultas que o mantém cativo na Prefeitura. 
“Há entre os muros pessoas poderosas que se apoderaram da Prefeitura e que fazem do prefeito um homem desprovido de liberdade. Gente que assessora o prefeito levou Vilar para a cadeia”, disse. 
A greve dos caminhoneiros em maio foi apenas mais um episódio na gestão cheia de polêmicas de André Pessuto. Depois de adotar a medida de meio expediente para economizar combustível por conta da greve, o prefeito estendeu o expediente reduzido da prefeitura até o final do ano, apesar da onda de críticas nas redes sociais. Justificou que a economia que fez garantiu o pagamento de salários dos servidores. 
Veio pelo programa Fantástico da Rede Globo, mais um episódio de desgaste para a administração. CIDADÃO confirmou em agosto que, conforme o portal da Transparência, a prefeitura de Fernandópolis gastou R$ 2,6 mil para a secretária de Educação do Município, Marcia Domiciano, receber o mesmo prêmio conferido a um jumento. O equino foi utilizado em reportagem do programa Fantástico da TV Globo para demostrar a falta de critério na concessão do título de honra ao mérito (melhor do ano) para vereadores, prefeitos e secretários municipais. Após reportagem na TV, a prefeitura informou que fez um Boletim de Ocorrência na Polícia contra a empresa “União Brasileira de Divulgação”.
Outra medida da administração ganhou as redes sociais, gerou protestos onde o prefeito foi acusado de crime ambiental. Cerca de 30 pés de ipês roxos, árvore (por lei árvore símbolo do município), foram arrancadas para construção da nova Rodoviária na Avenida Ângelo Del Grossi. Os ipês foram plantados na década de 80 e a florada era atração turística. A cidade perdeu grande patrimônio ambiental. Pessuto justificou que não tinha como evitar a derrubada das árvores. “Nenhuma administração plantou mais árvores que a nossa”, retrucou.

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