Dengue volta assombrar Fernandópolis

OBSERVATÓRIO - 19:15:24
Dengue volta assombrar Fernandópolis

Após três anos, a dengue volta assombrar Fernandópolis. A cidade entrou em estado de epidemia nesta quinta-feira, 14. O limite para deflagrar estado de epidemia era 197 casos positivos. Essa marca já foi superada. São 210 casos positivos e existem outros 411 casos aguardando resultado (números de quinta-feira). Esses números se alteram em progressão geométrica, mudam a todo instante, fato que levou a Secretaria Municipal de Saúde a pedir ajuda à Sucen - Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo. A dengue, além do problema de saúde pública, também gera prejuízos econômicos para a cidade, já que afasta muita gente do trabalho, desfalca empresas e compromete a produção. A enfermeira Aline Furlan, da Vigilância Epidemiológica, em entrevista ao CIDADÃO e Rádio Difusora trouxe outra notícia preocupante: a cidade já tem confirmado a circulação do Subtipo 2 da dengue em Fernandópolis, que é de maior gravidade.  Veja a entrevista:
Fernandópolis já está em estado de epidemia?
Sim, estamos com 210 casos confirmados de dengue neste ano. Só que é bom lembrar que o ano epidemiológico é contado de julho de um ano, a junho do ano seguinte. Assim, os casos de julho a dezembro do ano passado somam com os deste ano. Quando atingimos 197 já entramos em quadro de epidemia. Já temos 210 positivos e mais 411 casos suspeitos aguardando resultado. Números que mudam a todo instante.

Com o estado de epidemia, como a questão está sendo tratada no âmbito da vigilância epidemiológica?
Com o aumento das notificações, estamos intensificando as ações casa a casa, tanto com os agentes de vetores, quanto com os agentes comunitários de saúde, mobilizando a população para que ela nos ajude. Senão houver essa ajuda, principalmente cuidando de focos dentro das residências, eliminar os criadouros, a gente não vai conseguir reduzir o número de casos. 

Quais são as regiões mais preocupantes da cidade?
Os casos de dengue neste ano começaram pelos bairros Pôr do Sol, Independente e foi se disseminando pela cidade. Já temos casos nos extremos, como Brasilândia, no Paraíso. Já temos casos de dengue em todos os bairros. 

A partir de que momento, a Vigilância passa a contabilizar casos suspeitos como positivos para dengue?
A partir do momento que a cidade entra em estado de epidemia, que já é o nosso caso, se o Estado cortar os exames, os casos passam ser fechados pela clínica, ou seja, tem clínica de dengue (sintomas), já conta como positivo. Deixa-se de fazer a sorologia.

Quando se fala em nebulização com apoio da Sucen, o objetivo é reduzir o número de mosquitos aedes aegypti voando?
A principal ação da Vigilância Epidemiológica é não deixar o mosquito nascer, é eliminá-lo na condição de larva. Depois que ele voa, a gente perde o controle. O trabalho que oferece melhor resultado é a eliminação do criadouro. Mas quando chegamos em um número muito alto de casos positivos, começa a se fazer essa ação de aplicar o inseticida para pegar os mosquitos alados (que estão voando). 

Existe possibilidade de realizar pulverização ambiental como no passado?
Aquele fumacê não existe mais. O Ministério da Saúde proibiu essa ação. O fumacê era utilizado para outro tipo de mosquito (o cúlex, pernilongo de hábito noturno), não para o aedes. Como foi utilizado indiscriminadamente o aedes começou a ganhar resistência, Hoje é utilizado para fazer essa nebulização veicular o mesmo inseticida que é usado para fazer casa a casa. Só que para isso acontecer, precisa da análise e da liberação da Sucen. E eles nos auxiliam na aplicação do inseticida. 

Nas últimas semanas, foram noticiados três casos de morte por dengue ou por suspeita de dengue na região. Por que esses casos de morte?
A dengue sempre matou. Como é uma doença que todo mundo conhece muito, vamos relaxando e achando que ela não mata, porque um monte de gente já teve a doença. Só que ela é muito grave e precisa ter o acompanhamento adequado, os cuidados na recuperação, tomar bastante líquido, fazer repouso para que isso não agrave. A chance dela se agravar é maior se for um idoso, uma criança, gestante, pessoas com alguma doença de base. 

A notícia era que já tinha sido confirmado na região o subtipo 2 da dengue, o mais grave. Esse subtipo já chegou em Fernandópolis?
Já, conseguimos identificar dois casos de dengue subtipo 2. Esse subtipo tem uma chance de gravidade maior do que o subtipo 1, que era o que estava circulando anos atrás. Como o tipo 2 não circulava há muito tempo na região, por isso nós tivemos esse aumento no número de casos. No ano passado, a gente tinha muito mosquito, mas tinha poucos casos de dengue, porque para aquele vírus que estava circulando a população tinha imunidade. Agora, com a introdução desse novo subtipo, o 2, as pessoas não têm imunidade e por isso o aumento de casos.

Qual a situação das pessoas que estão chegando na rede de saúde com suspeita de dengue?
Muita vermelhidão no corpo, muita coceira, mal estar, febre, dor de cabeça, dor no corpo, são os principais sintomas dessa dengue. O que chama a atenção é essa vermelhidão e coceira que são muito intensas. O tratamento para dengue é repouso, muito líquido e tratar os sintomas (coceira, dor de cabeça, febre, mal estar). Não existe remédio especifico para dengue. Em média o quadro da dengue dura sete dias, mas depende de cada pessoa. 

Onde estão os focos criadouros do mosquito aedes aegypti, nos terrenos baldios ou dentro das nossas casas?
Os terrenos baldios só com o mato não são problema para dengue. O problema para dengue é o lixo. Se a população jogar lixo, entulho, sacos plásticos, vasilhas que acumulam água, ai o terreno se torna um problema. Mas, temos também criadouros dentro das residências. Veja, nós levantamos o índice de Breteau, através de visitas em imóveis e lá encontramos recipientes com larvas (criadouro do mosquito). Fizemos esse levantamento em janeiro, quando foram avaliados 1.461 imóveis e o índice de Breteau foi de 3,7. O índice aceitável é de até 0,9. Então, estamos com o número de larvas muito além do que seria desejável e que, se a gente não eliminar, vão virar mosquito em poucos dias. 

Com o quadro de epidemia instalado em Fernandópolis, o que diria à população?
Cuide de sua residência, elimine os criadouros, cuidado com os bebedouros dos animais, com calhas que podem acumular água de chuva. Temos que ter atenção máxima com nossa casa. E, caso apresente sintomas de dengue, busque o atendimento médico nas Unidades de Saúde para fazer o acompanhamento e evitar riscos de agravamento, para que não tenhamos óbito por dengue em Fernandópolis. Se a pessoa tiver sintoma de dengue, algum tipo de sangramento, dor abdominal muito forte, vômito, queda de pressão, ela tem que procurar atendimento médico imediatamente, não importa a hora, o dia, na UPA, na Santa Casa. Não podemos achar que, porque é dengue, não precisa de atendimento médico. Tem que procurar assistência. 

Estamos falando da dengue porque estamos já com quadro de epidemia. Mas, o aedes também transmite zika e chikungunya. Como estão essas doenças?
Temos notificações para zika e chikungunya, mas ainda não temos nenhum caso positivo. São suspeitas que aguardam resultado. O que estamos tendo no município é dengue. 

Após a última grande epidemia em Fernandópolis tivemos três anos de poucos casos de dengue. Isso provoca um certo relaxamento?
Nós tivemos a última grande epidemia em 2015, com 1.468 notificações e 1.154 casos positivos. 2016, 2017 e 2018, foram anos mais tranquilos. E isso leva as pessoas a relaxarem na atenção aos criadouros e tem também a circulação de vírus que vão mudando e como a população não está imune, mais gente vai ficando doente.

Qual é o grau de preocupação na Vigilância Epidemiológica? 
Estamos muitos preocupados, desenvolvendo ações para evitar um quadro de prejuízo para a população. Estamos mobilizando os alunos da rede municipal para que levem informação para casa. Todo mundo tem que se empenhar para ajudar no combate à dengue. Fazendo isso, estaremos cuidando da nossa família e de nós mesmos, para que a gente não adoeça. Sem a ajuda da população o combate ao aedes aegypti vira operação enxuga gelo. 

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