Vereadores entendem o recado das ruas e cortam recesso de julho

ARTIGOS - 19:10:28

Antes que alguém solte rojões, um esclarecimento: a notícia vem de São José do Rio Preto. Os vereadores de lá começaram a entender que a população, que paga a conta, não aceita mais a manutenção de privilégios “incabíveis” para os tempos atuais. 

Nesta semana, eles aprovaram em 1º turno e devem confirmar na segunda votação, emenda à Lei Orgânica que acaba com o famigerado recesso de julho. E olha que em Rio Preto o recesso de inverno durava apenas 20 dias.
Enquanto isso, aqui em Fernandópolis, a Câmara continua dando de ombros para o clamor das ruas quando se trata de cortar privilégios. 
Todos sabem que na Câmara de Fernandópolis, o regimento estabelece apenas três sessões por mês e dois recessos: o de inverno, em julho (30 dias) e o verão, entre dezembro e janeiro (45 dias). No caso do recesso de julho, o intervalo entre a última sessão de junho e a primeira de agosto chega a ser de 40 dias. Tecnicamente, os vereadores de Fernandópolis curtem “férias” anuais que podem chegar a 85 dias.
A tentativa de pôr fim a esse escárnio contra o contribuinte de Fernandópolis fracassou logo no início dessa gestão. O projeto do vereador João Pedro Siqueira teve até assinatura para ser apresentado em plenário, mas foi sepultado pela maioria dos vereadores em apenas sete dias. O projeto teve apoio de apenas 3 vereadores: João Pedro, Zarola e Salvador. 
Quem votou contra o fim do recesso de julho chegou a taxar o projeto de populista e que a Câmara, sempre que precisa, se reúne extraordinariamente sem receber a mais por isso. 
Mas, como no ano que vem tem eleições e a população está de olho nos atuais vereadores, é bem possível que eles decidam tirar esse “bode” da sala para melhorar a imagem. A conferir...

Bate pronto

  NA CONTA DA PGM – A decisão do prefeito André Pessuto de suspender a licitação para contratação de jornal impresso para publicação de atos oficiais do município, repercutiu na última sessão da Câmara.  O vereador Murilo Jacob disse que a PGM – Procuradoria Geral do Município – “mandou” o prefeito cancelar a licitação sob pena dele ser alvo de Ação Civil Pública. Como a PGM é independente (formada por procuradores concursados) e tem a missão de zelar pelos interesses do município e não do prefeito, Pessuto disse em entrevista à Rádio Difusora esta semana, que não teve outra saída para não incorrer em improbidade administrativa. A PGM entende que todos os atos oficiais devem ser publicados no site e no Diário Oficial Eletrônico. Há quem entenda que, em alguns casos, há necessidade de publicação em jornal impresso.

  RECADO DE DÓRIA - O Governador João Doria começou a liberar os certificados de Município de Interesse Turístico (MITs), processo que estava suspenso desde a posse em janeiro. Na primeira leva, 43 cidades receberam o selo. Mas, mandou um recado: “Os 43 municípios que hoje estão recebendo essa qualificação sabem a responsabilidade que possuem à frente dessa atividade, a partir deste momento. Devem destinar o recurso para potencializar o turismo, que é aumentar o fluxo de pessoas na cidade para permitir a geração de empregos e de renda”. Para um bom entendedor, Dória não quer saber de obra inútil apenas para o prefeito pendurar placa. Ele quer uma política de resultados.

  SUSPENSE POLÍTICO - A cidade de Meridiano, que pertence à Comarca de Fernandópolis, permanece em suspense político há 40 dias. Foi no dia 12 de fevereiro, a decisão do TSE – Tribunal Superior Eleitoral – cassando o mandato do prefeito Orivaldo Rizatto (PSDB) e a vice, Márcia Adriano (PTN). Tanto tempo depois, ambos continuam no cargo. A notificação da decisão da mais alta Corte da Justiça Eleitoral ainda não ocorreu. Assim, a Câmara não pode dar posse ao presidente Maicon Fabiano de Oliveira (Podemos) como prefeito interino até a realização de nova eleição. Nesta semana, o TSE passou mais um mandato na lâmina. Desta vez, perderam os cargos o prefeito reeleito de Floreal (SP), João Manoel de Castilho, do PSDB, e de seu vice, Gilberto de Grande (DEM). Distribuíram próteses dentárias durante a campanha à reeleição.

  DE VOLTA ÀS URNAS - Enquanto em Meridiano, e agora Floreal, os eleitores aguardam marcação de nova eleição, no final de semana, os eleitores de Macaubal, elegeram o novo prefeito da cidade, Wanderlei Melhado Guizzi (PSDB). A nova disputa foi determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), com base em decisão que cassou o então prefeito João Florêncio Neto (PSDB), eleito em 2016. Neto foi cassado pela Câmara no ano passado acusado de cometer ato de improbidade administrativa. O vice assumiu e renunciou.

  DANÇA DAS CADEIRAS - Outras duas cidades da região, já trocaram de prefeitos neste mandato. Turmalina foi a primeira cidade da região a realizar nova eleição para escolher novamente prefeito e vice, por conta da cassação do mandato da prefeita eleita em 2016, Fernanda Massoni acusada de compra de voto. Em junho de 2018, os eleitores voltaram as urnas para eleger Alexandro Ribeiro Pereira (MDB) com 838 votos, 40 mais que o concorrente. Em Estrela d´Oeste, a troca de prefeito foi por outro motivo: Antonio Valter dos Santos, o Antonio Escrivão (PHS) renunciou ao cargo no dia 19 de janeiro após um ano de mandato. Assumiu o vice, Marco Antonio Saes Lopes, o Barão.

Claudemir Cabreira

Claudemir Cabreira

Jornalista. 

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