“Demolidor” se prepara em Fernandópolis para estrear no UFC

OBSERVATÓRIO - 19:14:07
“Demolidor” se prepara em Fernandópolis para estrear no UFC

Ele já é um fenômeno na internet, considerado um showman na lutas de MMA - Artes Marciais Mistas. O nome dele: Michel Fagner Pereira Lima, 25 anos. Mas, no octógono é conhecido como Michel "Demolidor". Esse paraense de Tucumã é um daqueles brasileiros que perseguem um sonho e para isso não medem sacrifícios. Ele chegou a Fernandópolis há mais de 3 anos. No ano passado saiu daqui para o Japão e consolidou carreira internacional. Ganhou cinturão na Sérvia, mas foi na Coréia do Sul que chamou a atenção do mundo do MMA. Suficiente para garantir contrato com o UFC - Ultimate Fighting Championship – com estreia marcada para 8 de junho em Chicago – Estados Unidos. A preparação para a estreia no UFC está sendo em Fernandópolis numa rotina de treinos que inclui três períodos. Entre uma atividade e outra nesta semana, Michel concedeu entrevista ao CIDADÃO, onde fez um relato de sua trajetória neste esporte, contou de sua relação com Fernandópolis, dos amigos que o estão ajudando na preparação. É bem provável que o leitor já tenha cruzado com ele pelas ruas da cidade. Antes da luta de estreia no UFC, o sonho do Demolidor é ser chamado para o octógono por Bruce Buffer, locutor norte-americano conhecido por anunciar eventos do UFC. Veja a entrevista:

Você assinou contrato com o UFC. Como essa conquista?
Eu comecei no karatê com 11 anos de idade e o sonho de toda pessoa que faz artes marciais, que quer seguir uma carreira de atleta, é chegar no UFC. Então, venho trabalhando e recentemente fiz uma luta na Coreia do Sul e fiz alguns golpes que ninguém tinha visto e isso repercutiu mundialmente, despertou interesse do UFC e do Bellator, considerado o segundo maior evento de MMA (Artes Marciais Mistas) da atualidade. Optei pelo UFC que era o meu sonho.
Esse tipo de luta você pratica há quanto tempo?
São várias modalidades. Eu comecei no Karatê e depois fui para Jiu-Jitso, fui treinar Muay Thai, Kickboxer. Então são várias modalidades. O MMA é misto, agrega várias modalidades e obriga a treinar um pouco de cada para que, na hora da luta, o desempenho possa ser mais completo. 
A estreia já está programada no UFC?
Eles já me ofereceram uma luta, mas estava muito em cima e não aceitei por causa da falta de tempo para uma melhor preparação. Eu quero fazer uma boa estreia no UFC. Então eles programaram a luta de estreia para 8 de junho em Chicago – Estados Unidos. Só estou aguardando a confirmação da data e a definição do adversário.
No MMA você já tem currículo de muitas lutas?
Eu tenho em torno de 40 lutas no MMA e pela minha idade, isso já é considerado um cartel grande de lutas que me possibilitou, com 25 anos, entrar no maior evento do mundo. A minha expectativa é a melhor, de dar um show, fazer o que venho fazendo que é fazer da luta um show. Estou treinando muito me preparando para a estreia. A equipe que me dá suporte nos treinos aqui em Fernandópolis é muito boa. 
Em que momento ganhou o apelido de Demolidor?
O Demolidor surgiu na cidade de Tucumã no Pará quando fui fazer a primeira luta profissional. Era só conhecido por Michel e ai um radialista da cidade que estava fazendo o evento disse que precisava arrumar um apelido. Foi onde surgiu Demolidor e pegou.
Você é de Tucumã (Pará) e como surgiu esse vínculo com a cidade de Fernandópolis?
Eu vim para Fernandópolis porque minha ex-namorada era daqui. Vim pra treinar e por causa dela. Conheci Fernandópolis e aqui ganhei muitos amigos. Os treinadores que tenho aqui são os melhores. Planejei treinar com eles porque sei da capacidade, o potencial que tem e confio na preparação. 
Qual é a rotina de treinamento aqui em Fernandópolis?
Hoje faço três sessões de treino por dia, de segunda a sábado. No sábado, faço apenas uma sessão de treino de manhã e deixo o sábado à tarde e domingo para descansar. Na segunda, quarta e sexta faço de manhã treino de Boxe com o Som, a tarde fisioterapia com o Lucas, a noite Crossfit com o Everton. Na terça e quinta faço Jiu Jitso com o Andrezão e toda uma galera que me ajuda. A tarde faço natação e a noite treinamento físico com o Moranga. Então tem toda uma equipe trabalhando para me deixar na melhor forma possível para a estreia no UFC. 
Como avalia sua carreira internacional e o que vem por ai com o UFC?
Já lutei em várias partes do mundo, China, Japão, Coreia do Sul, Rússia, Sérvia. Então já tenho uma boa experiência internacional, onde fiz grandes lutas. O UFC é onde sonhei chegar, batalhei por isso. 
Para chegar até aqui, passou por dificuldades?
Como todo atleta, passei por dificuldades. Fui criado por tio e nesse mundo do esporte falta apoio. Por ter um estilo diferenciado, costumo dizer que sempre remei contra a maré. Sou criticado por isso, tem gente que em vez de ajudar, quer me por prá baixo, mas já superei. Graças a Deus cheguei onde sonhei chegar com esse meu estilo que muitos não acreditaram, não gostam, mas foi esse estilo que me levou para o UFC e que me tornei conhecido mundialmente. Hoje mesmo recebi um vídeo de um garoto no Jiu Jitso tirando um salto igual o meu. Então, o que venho criando no MMA já está expandindo para o mundo. As pessoas estão copiando o que faço.
Que lição você tira de tudo que passou e o que diria para a garotada que já busca te imitar?
Primeiro colocar Deus à frente de tudo, porque não é fácil. Vai ter gente próxima a você que vai falar para desistir, pra sair dessa vida, procurar trabalho. Eu nunca abandonei o meu sonho que era chegar no UFC. Falo para meus amigos e pessoas próximas que realizei todos os meus sonhos. O que faltava era entrar no UFC e poder ouvir o Bruce Buffer (locutor norte-americano conhecido por anunciar eventos do UFC) anunciar meu nome e entrar naquele corredor. Então, o que digo é que sonho foi feito para ser realizado. Pessoal que tá começando agora saiba que não é fácil, vai passar por dificuldades, fome, vai dormir mal. Esse mundo do MMA você passa por coisas que nem acredita. Mas, sempre tive Deus no coração, muita fé, e sempre acreditei no meu potencial, no dom, no talento que Deus me deu. Veja que, em um ano que sai de Fernandópolis (27 de março de 2018) e fui para o Japão consegui realizar todos os meus sonhos. Você tem um sonho, um objetivo, não desiste, vai atrás, faça o que tiver que fazer, segue o caminho correto, que um dia chega lá.
Quando entra no octógono, o que passa em sua mente?
Aquele é meu momento. Eu gosto de entrar com música evangélica, mais calma, música que mexe comigo ou que me marcou em algum momento da minha vida. Muitos perguntam porque não entro com uma música mais agitada, mais animada. Mas, aquele é o meu momento, onde penso em tudo que passei, tudo que vivi. Passa um filme na minha cabeça. 
Você considera esse esporte violento?
É um esporte violento como qualquer outro. Até no balé tem lesões. A gente aprende muito com o MMA. Como o meu empresário fala, a luta te ensina a enfrentar as pancadas da vida. Eu que fui muito humilhado na vida, com a luta aprendi a nunca baixar a guarda, enfrentar os obstáculos e correr atrás dos objetivos. A luta ensina muito para nossa vida pessoal. 
Dia 8 de junho está chegando. Até lá é controlar a ansiedade?
Como tenho uma carreira bem sólida no mundo do MMA, não tenho muita ansiedade. Sou bem tranquilo, calmo. Sei que em tudo temos que dar tempo ao tempo. Tudo tem o tempo certo, o tempo de Deus. Então sou bem tranquilo, sei que tenho que treinar, me alimentar bem, fazer tudo muito correto, porque vai chegar o dia e tenho que estar preparado para representar meus amigos, meus treinadores, minha família e todos que me ajudam. Tenho o pé no chão, porque sei que esse dia vai chegar e então, é só demonstrar o trabalho que estou fazendo aqui em Fernandópolis com essa equipe e brilhar. 

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