Morador mais velho de Fernandópolis completa 105 anos

CADERNO VIVA - 17:55:45
Morador mais velho de Fernandópolis completa 105 anos

Vila Pereira ia completar um ano quando Joaquim Cardoso Sobrinho pisou pela primeira vez nas terras que mais tarde se transformaram em Fernandópolis. No dia 21, véspera da data em que comemoramos o 80º aniversário da cidade, ele completou 105 anos dos quais 79 foram por aqui. 

Para celebrar a data a família Cardoso se reuniu na casa em que seu patriarca construiu na década de 50, com muito sacrifício, e que é um dos símbolos do homem honesto e trabalhador que ele é. 
A história desse centenário fernandopolense já foi contada em nossas páginas, mas como não é todo dia que se celebra 105 anos, trazemos ela novamente para que seja sempre lembrada, não apenas pela família, mas também como parte da história de nossa cidade. 
HISTÓRIA 
No final de 1939, já casado com Zulmira Ribeiro Cardoso, Joaquim decidiu leva-la e aos filhos já nascidos – Antonio, Odelice e Maria Julia – para viver num novo lugar onde pudessem trabalhar e progredir.  Naqueles tempos ouvira falar de uma região nova, de boas terras e onde o progresso estava fluindo com muita rapidez. Tratava-se da “Vila Pereira”. 
Joaquim juntou tudo o que foi possível e, sobre um carroção de bois, pegou a estrada em direção a tal vila. Chagando aqui foram morar provisoriamente na pensão de Jerosino Pereira. Posteriormente se mudaram para a chácara do agricultor Balieiro. 
Em 1943, os Cardoso se mudaram para um sítio que Joaquim havia comprado enquanto morava no Balieiro. Esse sítio era encravado na fazenda Santa Rita e tinha como confrontantes Joaquim Antonio Pereira, Avelino Moreira (Dico Moreira) e Antonio Roberto. 
O baiano deu duro – força de vontade não lhe faltava para vencer na vida. Enfrentou a  formação de uma pequena propriedade, pois as terras que adquiriu tinham mais matas do que áreas limpas. Com machados e foices derrubou a mata, formou plantações e fez sua casa. Finalmente os Cardoso viviam em terras suas, adquiridas à custa de muito trabalho e sofrimento. 
Quis o destino que naquela pequena propriedade viesse a nascer seu filho Adivo em janeiro de 1944. Naquele mesmo ano, porém, falecia sua mulher. Viúvo e com crianças pequenas – o menor com cinco meses de vida -, foi morar em pensões na cidade e trabalhar na prefeitura, onde ajudou a fazer as ruas do centro (Brasil, São Paulo e Rio Grande do Sul), tirando os tocos. Ajudou também a abrir a estrada que ligava Vila Pereira à Pedranópolis, trabalhando ainda em muitas outras obras. 
A pedido de Joaquim Antonio Pereira, que por sua vez atendia ao pedido dos filhos, fez um pequeno campo de futebol onde hoje é a praça central. Esse campinho ficava bem no centro da praça. Foi o primeiro campo de futebol dessa comunidade.
Sem condições de continuar vivendo em seu sítio por causa das crianças, Joaquim não teve alternativa a não ser vender as terras para comprar uma data no bairro Aparecida e, em parte dela, construiu sua casa, localizada na atual Avenida Francisco Costa, 761, local onde vive até hoje. 
Em agosto de 1946 se casou em segunda núpcias, com dona Maria Vieira Cardoso (in memorian), então viúva e com um filho, neto do saudoso Américo Messias dos Santos. 
Vivendo em Fernandópolis com a mulher e filhos, trabalhou nas “Casas Benfatti” (armazém de secos e molhados) que ficava na esquina da São Paulo com a Amadeu Bizeli, isso em 1948. 
Em 1949 foi trabalhar nas “Casas Pires”, na Brasil, esquina com a Milton Terra Verdi, onde permaneceu até 1961.  Posteriormente trabalhou na “Anderson Clayton e Cia ltda”, compradora de algodão, na empresa “Arakaki & Filhos” e por último na “Feraup –Fernandópolis Auto Peças”, de propriedade do saudoso empresário Claudio Maia. 
De seu casamento com Maria, falecida em 2003, nasceram os filhos Eunice, Wilson, Aparecida, Jurandy, Edmilson, Wilson Carlos, Paulo Roberto, Maria Lucia (in memorian) e Elizabete. 
Ao todo são 14 filhos que seu Joaquim sempre fez questão que se tratassem como irmãos, independente de serem de um casamento ou de outro, assim como dona Maria nunca foi tratada como madrasta, mas sim como mãe de todos. 
Sob a batuta do patriarca a família Cardoso cresceu. Além dos 14 filhos soma-se 26 netos, 25 bisnetos e mais seis tataranetos, todos literalmente fãs do homem honrado e honesto que deu origem a essa grande família. 

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