16 anos levando palavras de esperança e fé aos doentes

OBSERVATÓRIO - 18:56:01
16 anos levando palavras de esperança e fé aos doentes

Criada há 16 anos, a Pastoral da Visita, ligada aos movimentos católicos da Paróquia Santa Rita de Cássia de Fernandópolis, cumpre com o objetivo de fortalecer o enfermo por meio da fé e oração, através das visitas diárias aos pacientes internados na Santa Casa. O grupo também realiza campanhas e ações, além de coordenar as Missas realizadas aos sábados no Espaço Ecumênico do Hospital.A entrevista de hoje, neste espaço, é com a professora Maria Luiza Sabion Giacheto que está na coordenação da pastoral desde sua criação. “Queríamos ser o instrumento, o elo entre a igreja e o doente, num trabalho ecumênico diante de um pluralismo religioso e sem preconceitos, portanto, delicado e desafiador”, conta. O grupo, com 40 visitadores, desenvolve trabalho que vai além das visitas. Recentemente entregou a Santa Casa, 490 metros de tecido para confecção de lençóis e garante aos pacientes SUS, o café de todas as tardes. Um trabalho humano que leva palavras de esperança e fé aos doentes. Veja a entrevista:

A senhora coordena a Pastoral da Visita da Igreja Católica desde a criação há 16 anos. Conte um pouco dessa história...
O nosso trabalho junto aos irmãos internados na Santa Casa de Misericórdia de Fernandópolis teve início com a motivação da Campanha da Fraternidade de 2003 que questionava a situação vivida pelos idosos e doentes. Padre Carlos era o nosso pároco e, junto ao grupo de ministros instituídos da Paróquia Santa Rita, percebeu a ausência da igreja no ambiente hospitalar que deixava os enfermos internados desprovidos da palavra de Deus e muitas vezes do Sacramento. Foi então que surgiu o chamado para formar uma equipe com a missão específica de visitar os enfermos internados no hospital. Queríamos ser o instrumento, o elo entre a igreja e o doente, num trabalho ecumênico diante de um pluralismo religioso e sem preconceitos, portanto, delicado e desafiador. Confesso que não foi fácil entrar pela primeira vez num quarto e deparar com o sofrimento humano. Lembro-me do primeiro dia. O que dizer? Os dez degraus que dão acesso àquela casa, pareciam ser uma escadaria imensa de difícil acesso. Mas, o Espirito Santo nos dava força e que guardava no meu coração, a alegria e a gratidão de meu pai, Irineu Sabion, que estando acamado recebia a visita de um amigo ou de alguém que lhe trazia palavras de conforto. Tomei coragem e juntei-me ao grupo. Eu me questionava: Quantos doentes não recebem sequer uma visita? Assim nasceu a nossa pastoral que já enfrentava desafios, mas que contou sempre com incentivo e testemunho de espiritualidade de nossos jovens seminaristas e hoje presbíteros, padre Valdair e padre Rodolfo. Eles foram de fundamental importância para que nossa pastoral tivesse perseverança e caminhasse. Foram pilares, exemplo de dedicação, paciência com os enfermos, profundo amor ao próximo. Aprendemos muito com eles. Desde o início e até hoje a nossa pastoral recebe a formação espiritual do padre Rodolfo, nosso atual coordenador, e do padre Natalino da nossa Paróquia Santa Rita. Também recebemos formação técnico-cientifica com especialista da saúde para atuar de forma correta, eficaz. Com o passar do tempo, nosso grupo foi se fortalecendo e conquistando a confiança dos funcionários e diretores da Santa Casa, a quem agradecemos por permitir que realizemos nosso trabalho pastoral. Temos que ressaltar a dedicação da Assistente Social, Maria Papa, que viabiliza, valoriza e tem enorme carinho com nosso trabalho.
Nesses 16 anos, o que mais marcou o grupo dessa Pastoral?
O sentimento é de gratidão. Nós somos aproximadamente 40 visitadores. Por isso nossa gratidão a Deus, por nos chamar para uma missão que entendo ser de relevante importância porque estamos levando palavras de esperança, de fé, e a nossa pastoral se fundamenta em uma passagem do apostolo João que diz: Vim para que todos tenham vida e a vida em abundância. A nossa missão é evangelizar através da presença, da oração. Nós somos convidados a encontrar Cristo no irmão que sofre. Estive doente e fostes me visitar. 
Na Santa Casa, encontramos diferentes perfis de pacientes, do mais rico ao mais pobre. Como essas pessoas reagem à visita?
Olha, não temos nenhum cunho político, econômico, nenhum preconceito de raça, religião. Então, somos bem acolhidos. Nossa proposta é ouvir aquele paciente nas suas necessidades, as vezes no seu desespero, na sua desesperança. O que nós queremos é levar uma mensagem de fé. Jesus Cristo sempre disse, foi tua fé que te salvou. Então, procuramos transmitir ao paciente que tenha fé, confiança, esperança na equipe médica, porque Deus sempre abre caminhos, sempre coloca as pessoas certas na nossa vida. 
Além desse trabalho espiritual, a gente viu que a Pastoral também atua no sentido de mobilizar a comunidade para atender necessidades do hospital, como a entrega recente de tecidos para confecção de lençóis para a Santa Casa. Em que momento o grupo percebeu que também precisava atuar neste sentido?
Todos nós sabemos que a política de saúde em nosso país é deficitária. Não atende, não prioriza as necessidades da população. Os recursos são insuficientes e a Santa Casa enfrenta desafios, como assistimos com frequência, para atender os doentes em todas as suas necessidades e dimensões. Frente a essa realidade, a Pastoral tem se mobilizado e realizado campanhas todos os anos. Já fizemos campanha de lençóis, de travesseiros, leite, mantas, cobertores e este ano, percebemos que a Santa Casa estava desprovida de lençóis e lançamos essa campanha. E nossa comunidade, muito generosa, atendeu a nossa proposta. Queremos agradecer as pastorais, os movimento, que aderiram a nossa campanha e conseguimos arrecadar 490 metros de tecidos para a confecção de 310 lençóis. Fizemos a entrega no dia 11 de maio, próximo ao Dia do Enfermeiro, quando foi celebrada Missa em Ação de Graças pelo trabalho realizado pelos enfermeiros e servido um café oferecido pela nossa Pastoral, seguindo-se a entrega do tecido doado pela comunidade. 
Desde que iniciou esse trabalho, que a senhora coordena há 16 anos, o que mudou em sua vida?
Olha, a Pastoral é como minha filha. Não dá mais para deixar, porque nós, além de atendermos o lado espiritual, desde quando iniciamos, sentimos a necessidade dos pacientes e seus acompanhantes. Naquela época, a Santa Casa estava muito lotada e passava por dificuldades econômicas e aos pacientes eram oferecidos café da manhã, o almoço e depois a sopa no jantar. Nesse intervalo entre o almoço e a janta não era servido nada. Então, nos sensibilizamos e fizemos uma campanha e conseguimos há 11 anos entregar diariamente o pão que é servido aos pacientes do SUS e seus acompanhantes. São doados diariamente 100 pães e manteiga, 100 copos e 100 guardanapos. E parece que o Espirito Santo sempre está presente. Já houve ocasião que não tínhamos recurso para levar o pão naquele dia e, não sei como, a ação do Espirito Santo aparece. Um dia não tinha nada, não tinha verba, alguém deixou na minha caixa de correspondência o dinheiro do pão daquele dia. No Natal, Ano Novo, na Pascoa, a gente sempre oferece um lanche especial. Teve uma vez que encomendei os panetones sem ter verba. Um estudante de Medicina, terminando a missa de formatura, me entregou um envelope. Deu para pagar os panetones, o lanche do Ano Novo. Então, nunca nos faltou nada. Deus sempre nos ajuda. Ele está sempre à nossa frente. 
Nas visitas, você atendem pessoas de todas as idades, de crianças a idosos. Quem é mais receptivo?
Difícil dizer. Acho que aquele que está mais desprovido de Deus. Tem jovens completamente desligados de qualquer denominação religiosa, achando que são donos de seu próprio corpo, donos de sua vida. E quando enfrentam situações adversas, principalmente na saúde, percebem como somos vulneráveis e como a nossa vida é passageira. Então, quando a gente fala de Deus, que a nossa vida é importante, que alguém nos ama, que alguém está esperando o nosso retorno, que somos queridos, alguns choram. Tem jovem que acha que não, que ele se basta. Mas, não é assim. A vida tem mostrado que não. Então, muitas vezes percebemos jovens chorando, pessoas que choram ao rezar. O que senti e me doeu muito, são idosos doentes, desamparados, e a família reclamando porque está cuidando dele. E então dizemos, que bom que você pode cuidar. Você está sendo escolhido para se santificar, porque o doente nos santifica. E todo o dia a gente encontra uma situação diferente. E cada vez que a gente sai de lá, o nosso sentimento é de agradecimento a Deus pela vida e pela oportunidade e de ajudar o doente a crer que existe um pai, que existe um Deus e que o médico dos médicos está lá em cima e ele provê. 
Qual o perfil para ser um agente da pastoral?
Pode ser você que sente a presença de Deus em sua vida. Pode ser você que não perde a fé mesmo nas tribulações do dia a dia ou do sofrimento. Você que enxerga no irmão doente a carne do Cristo Sofredor. Pode ser você que se sente disponível, que tem controle emocional, que tem fé e esperança fundamentadas em Jesus. E você pode estar se perguntando. O que posso dizer ao doente? Fique tranquilo, não é necessário perguntar, nem falar, mas escutar. Você também é chamado a demonstrar seu afeto e sua generosidade, enxergando no irmão que sofre, o sofrimento do próprio Cristo. A escuta abre as portas do coração. Não é o amor de Deus que precisa dar mais provas, mas o seu. E isso não se prova apenas com palavras, muitas vezes o único Cristo que o doente conhece é o que levamos a ele. Por isso, o convite: venha participar da Pastoral de Visitas. 
E sua mensagem final?
Quero ressaltar que, além do pão nosso de cada dia que nós oferecemos através da comunidade, porque a Pastoral de Visitas não faz nada sozinha, nós também levamos a sagrada comunhão aos pacientes. Então, todos os sábados é celebrada uma missa pelos doentes, pelos funcionários da Santa Casa e após a missa é levada a Eucaristia aos pacientes que queiram receber. Também colaboramos com a missão dos padres de ministrar a unção aos enfermos nos casos de maior gravidade. Nas datas especiais como Páscoa, Dia dos Médicos, do Enfermeiro, Natal, Ano Novo, são celebradas missas especificas. Lembramos que o padroeiro desse trabalho é São Camilo, o Santo que doou toda sua vida em favor dos doentes.

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