“É hora da contrapartida de tudo que recebemos”

OBSERVATÓRIO - 19:59:00
“É hora da contrapartida de tudo que recebemos”

O agrônomo Humberto Cáfaro Filho assumiu recentemente a Secretaria de Esportes. A princípio, um menos avisado poderia imaginar que seria um “estranho no ninho”. Ao contrário, Humberto é a essência do esporte. Vive e respira esporte. Ao lado da esposa Fátima, tem superado marcas e se tornado “figurinha carimbada” em maratonas e provas. “O esporte é o amor da família, tanto eu como a Fátima, gostamos demais, o círculo de amizades é do esporte”, costuma dizer. Desde os seis anos de idade, já praticava judô e ao longo da vida experimentou várias modalidades. Hoje aos 57 anos, se dedica a corrida, ciclismo e até triátlon.  Era também presidente da Afercan – Associação Fernandopolense de Ciclismo, Atletismo e Natação (cargo que transferiu esta semana para a vice-presidente Iramaia Cristiane Lopes). A Afercan é uma associação sem fins lucrativos e que potencializou modalidades esportivas como ciclismo e atletismo (trabalha agora na natação) e inseriu Fernandópolis no cenário de eventos nacionais. Todo o trabalho realizado na Afercan é resultado de parcerias, receita que pretende levar para a Secretaria de Esportes.  “A gente espera contribuir com a nossa comunidade, como contrapartida de tudo o que recebemos, que é trabalhar em prol do esporte”, afirma nesta entrevista:

O que o levou a aceitar o convite para ocupar o cargo de secretário de Esportes?
Na verdade, estava como presidente da Afercan que é uma associação sem fins lucrativos, que trabalha com o esporte. Estou fora da universidade de três para quatro anos, tem as coisas da família que trabalho junto com meu irmão (Zeca Cáfaro), então não teria problema de tempo. Eu e minha esposa (Fátima), a gente tem-se dedicado ao esporte, tem trabalhado com essa associação e foi me feito esse convite, com a saída do Dunga. Eu nunca tinha me envolvido com algum tipo de trabalho público a não ser quando fui presidente da Expo há muitos anos, mas ainda assim foi por conta de uma parceria que a Universidade tinha com a prefeitura naquela época. Achei que era o momento, eu gosto de me dedicar em tempo integral, fazer a coisa bem feita, agora tenho essa oportunidade. Assumi porque é uma área que gosto muito. Com um pouco da experiência que tenho, acho que posso ajudar, até porque a equipe que tem no Esporte é muito boa, pessoas qualificadas, com muito conhecimento e, estão chegando projetos muito importantes para a cidade, a gente tem que abraçar e não perder essa oportunidade, porque Fernandópolis é famosa por perder oportunidades. É fácil jogar a culpa no prefeito, no vereador. Quando fui convidado para o cargo eu lembrei que este ano a Campanha da Fraternidade propôs o tema Políticas Públicas. Então, a comunidade tem que estar envolvida com as políticas públicas. Eu, como católico praticante que sou, abracei essa causa. No próprio condomínio em que moro, fizemos reuniões com nosso grupo de oração com esse propósito, contribuir com a cidade. É obrigação cristã. Como membro da comunidade de Fernandópolis, não posso só criticar, tenho que participar até para ter direito de cobrar. Porque é muito fácil cobrar e não dar o seu quinhão. Foi isso que me levou a assumir o posto.
 A gente nota que a Afercan surgiu, graças ao interesse de um grupo de pessoas que se mobilizou por um projeto de esportes. Como a entidade, sem fins lucrativos, sem receber recursos públicos, conseguiu potencializar modalidades que estavam relegadas? A partir desse exemplo pode-se dizer que é possível a Secretaria de Esportes, ainda que seja uma pasta com poucos recursos, também potencializar o esporte no todo em Fernandópolis?
Eu acredito que sim, porque foi assim que trabalhamos. A Afercan nunca recebeu verba de nenhuma entidade, pelo contrário, nós fizemos parcerias para oferecer o nosso trabalho para eventos, somar forças. É esse tipo de metodologia que trago na minha bagagem que espero implementar ao que já existe. Existem muitos projetos em andamento, que eu mesmo, envolvido com o esporte, não sabia. Agora que estou assumindo o cargo, é que estou tomando conhecimento. Essa maneira de gestão vem para aprimorar e apoiar principalmente o que está dando certo. Por exemplo, não fazia ideia que Fernandópolis tem o maior número de escolinhas de formação no esporte de base. São escolinhas em várias modalidades, só para citar alguns exemplos, futebol, natação, voleibol, natação, atletismo, handebol, basquetebol, judô, karatê, e tantas outras. Nenhuma outra cidade tem a quantidade de escolinhas que temos. É um diferencial de Fernandópolis. E por que na Afercan deu tão certo? Não fizemos milagre, não inventamos a roda. Foi uma questão de transparência, credibilidade e parceria. Um exemplo disso é o paratleta Rogério dos Santos, ele era assistido pelo Lucy Montoro e depois pela Afercan, percebeu-se o potencial dele e hoje ele é o quarto no ranking nacional de atletismo paralimpico, tendo conquistado na última semana 3 medalhas de ouro em São Paulo no campeonato brasileiro universitário. Ele tem potencial e da forma como a coisa está indo ele pode integrar a equipe brasileira paralímpica, talvez não dê tempo para os Jogos do Japão no ano que vem, mas para a próxima Paralímpiadas.
 A gente costuma dizer que a Secretaria de Esporte, junto com a Cultura, são as primas pobres da administração, contam moedas. Como fazer para multiplicar essas moedas?
É como na parábola dos talentos, o senhor deu uma quantidade de moedas para três servos e eles teriam de multiplicar. Então é isso que temos que fazer. O exemplo desse resultado que o Rogério teve foi exatamente através de parceria com a FAEC do nosso amigo Eduardo que confiou no trabalho e viu o resultado. Em outros momentos que ele precisou, nós buscamos parceiros para garantir que ele pudesse participar de eventos que projetaram o nome de Fernandópolis. E temos muitos outros exemplos de atletas em Fernandópolis nessa condição, que precisam apenas de apoio para defender a cidade em competições até internacionais, como é o caso também do Renan Moreno e tantos outros.
 Fernandópolis hoje é uma cidade com uma estrutura deficiente para o Esporte. O que tem aí foi feito para os Jogos Regionais na década de 90 e sofre com o problema de conservação. O que podemos fazer nessa área?
O Beira Rio foi construído para os Jogos Regionais em 1990, ano que me casei. Eu participei de competições. Essa situação é uma sinuca de bico. É uma preocupação que vem de longe. Mas, são investimentos caros. Na Afercan a gente ouvia o pessoal perguntar quanto custaria para colocar uma pista de tartan (produto que reveste a pista para torna-la impermeável), ou para colocar carvão na pista de atletismo. São algumas coisas muito além do que a gente tem de orçamento para o ano inteiro na pasta. Na época chegamos a fazer um orçamento para uma pista de tartan, só a pista, sem cobertura, eram R$ 3 milhões. Para colocar carvão, arrumar a drenagem é R$ 1 milhão. São coisas que extrapolam a nossa realidade, mas a gente pode tomar algumas medidas que amenizam o problema. E uma delas, eu tive a grata satisfação de ter resolvido que era o problema do morador para cuidar do complexo do Beira Rio. Essas pequenas coisas, de cuidado, de ter olhos no local, até para evitar vandalismo, isso vai ajudar a reduzir custos de manutenção. A gente está estudando parcerias, mas ainda está em gestação.
 Muito do que se propõe para o esporte passa por parcerias...
Os resultados que temos conseguido na Afercan são frutos de parcerias. Então, o caminho é esse, buscar parcerias para projetos da secretaria de Esportes. Temos que abraçar esses projetos que tem muito potencial de desenvolver, que exige cuidado, atenção, e que são de certa forma uma parceria, mas no caso, com o governo Federal, que são os PELCs (Projeto de Esporte e Lazer da Cidade). Veja quantos empregos esse projeto gerou na cidade? Quantos jovens, estavam em dificuldade de conseguir um trabalho em razão da crise que o país enfrenta e que foram absorvidos neste projeto? Os benefícios muitas vezes extrapolam o limite da prática esportiva e tem o caráter social, de inserir jovens no mercado de trabalho através do esporte. Não podemos perder esse projeto, ao contrário, temos que fazê-lo crescer.
 Neste momento, as pessoas é que são a prioridade no Esporte?
Sim, é o nosso material humano, nossa maior riqueza e temos que valorizar. Não adianta pensar em obras e esquecer o ser humano. Ainda somos movidos a exemplos. O que precisamos é envolver a nossa comunidade com o esporte. Com mais gente praticando esporte, haverá menos fila nos postos de Saúde. O que estiver ao nosso alcance, nós queremos fazer. Porque essa é a nossa comunidade, que a gente ama.

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