Sensei é convocado para o Mundial de Karatê

OBSERVATÓRIO - 19:17:40
Sensei é convocado para o Mundial de Karatê

Já algum tempo, o karatê vem colocando Fernandópolis em destaque nas competições estaduais e nacionais. A maior conquista, no entanto, chegou esta semana com a convocação do sensei Adauto Guarnieri para integrar a Seleção Brasileira que vai disputar o Campeonato Mundial de Karatê na Bélgica. O sensei fernandopolense garantiu sua classificação no Katá após obter bons resultados no Campeonato Brasileiro, sendo medalhista por dois anos consecutivos e pontuando como o melhor do Estado de São Paulo. A maior luta de Guarnieri nos próximos dias será buscar apoio e patrocínio para viabilizar a viagem para a competição mundial e realizar antigo sonho que acalenta desde a década de 90 quando começou no esporte. Aos 43 anos, Guarnieri já pensou em parar de lutar, mas decidiu não marcar data para não ser cobrado. Primeiro quer disputar o Mundial na Bélgica. Nesta entrevista ao CIDADÃO, antes de receber a notícia da convocação para o Mundial, Adauto Guarnieri conta um pouco da história da Associação de Karatê Dojokan. Ele é mais um dos fernandopolenses que tem no esporte a missão de conduzir jovens, quebrar preconceitos e formar cidadãos. Veja a entrevista:

Está no karatê há quanto tempo?
Eu comecei com 15 anos, em 1990, fui aluno do professor José Carlos Moreno por quem tenho o maior respeito. Treinei com ele até a faixa preta. Posteriormente me filiei a Federação e fundamos a Dojokan em maio de 2005. 
Como está a trajetória do karatê em Fernandópolis?
Para o karatê chegar no nível que está hoje, a gente vem lutando, um prefeito ajuda aqui, outro ajuda ali. Hoje estamos no auge, sendo reconhecido, a população conhece o nosso trabalho. Toda a semana, a gente recebe novos alunos que ficaram sabendo do trabalho através da divulgação boca a boca. Hoje temos o projeto com o programa Bom de Escola – Bom de Esporte em parceria com a Secretaria de Esportes. Isso ajuda muito. Na nossa época não tinha isso, ou você pagava mensalidade ou não treinava.
A partir de que idade você recebe crianças no karatê?
A partir de seis anos. As vezes chega uma criança com cinco, o pai quer que ele treine, então a gente faz um teste para receber a criança. 
Hoje você trabalha com quantos atletas, entre iniciantes e mais avançados?
Estamos com cerca de 150 alunos. Já chegamos a ter mais de 200 atletas.
As mulheres enfrentam algum tabu no karatê?
O número de mulheres vem aumentando. Até pouco tempo atrás havia um tabuzinho, mas com a tempo a gente vai superando. Hoje trabalho com mais meninas. A competição é aberta para masculino e feminino. Fernandópolis só não tem mais medalhas porque temos ainda um número pequeno de mulheres disputando. Hoje a gente percebe como as mulheres são guerreiras e elas conquistaram espaço em todos os esportes antes restritos a homens. Na nossa equipe temos a Maria Fernanda que foi campeã brasileira e ela tem 12 anos. A Larissa, que foi medalha de prata no brasileiro tem 9 anos. A Betina e tantas outras que estão treinando com muita garra. Não temos atletas adultas e olha que Fernandópolis tem muitas mulheres malhando e que tem perfil para o karatê, para ser campeã. 
Uma pessoa de qualquer faixa etária pode iniciar no karatê?
Sim, o karatê serve inclusive como terapia e já temos um projeto para incluir pessoas de mais idade. Não tem idade, é uma oportunidade de sentir novas sensações, um desafio para aqueles que querem ter uma vida saudável. No karatê a gente costuma dizer que a medalha com o tempo enferruja. O seu conhecimento e bem estar é para todos os dias, para uma vida inteira. No karatê nós trabalhamos mente e corpo.
Como arte marcial, o karatê também foca muito em disciplina e isso contribui na formação dos jovens, não?
Sim, a batalha hoje é entre a tecnologia e a disciplina. É onde a arte marcial entra com o foco e a concentração. Cada técnica que vamos praticar tem que ser perfeita, não tem mais ou menos. Então o jovem tem hoje na tecnologia um instrumento que dispersa sua atenção. A nossa luta é para que, na pratica do karatê, o jovem tenha atenção plena, concentração. A tecnologia tem o seu momento e esta percepção ajuda em outras atividades, como na escola, por exemplo. A gente tem que ter controle, limite. O jovem precisa de uma vida organizada, sadia, a cabeça precisa estar bem. Karatê-Do, o que significa isso: o Do é caminho, o Kara são as mãos, o Te é vazio, ou seja, o caminho das mãos vazias. Essas mãos vazias, na verdade, tem o significado de mentes limpas, preparadas para receber boas lições. O que estamos vendo hoje são crianças e adolescentes fazendo escolhas, quando essas escolhas ainda deveriam ser dos pais. E muitas dessas escolhas são erradas, por que não são escolhas maduras, não foram compartilhadas com a família, com os pais. 
Qual a diferença entre o judô e o karatê?
O judô tem técnicas de agarramento, de imobilização. O karatê tem ataques e defesas com pernas e braços. A gente trabalha muito em função de competição, mas a essência do karatê não é competição, foi criado para defesa. Surgiu no Japão como luta de defesa do território, ou seja, a legítima defesa.
Hoje a Dojokan tem um local adequado para treinamentos...
Sim. Quando comecei, a associação funcionava ali onde hoje é a Unidade de Saúde do Paulista. Ali tinha o Centro Comunitário do Paulista. Tudo começou ali, onde dei aula gratuitamente por 10 anos, enquanto trabalhava no Frigorifico. Fui reivindicando apoio e hoje temos o espaço junto a Secretaria de Esportes, no antigo Clube da Cesp.
Numa competição, controlar a ansiedade é o maior desafio?
Sim. A gente trabalha muito essa questão da ansiedade. O autocontrole é regra. Ali não é UFC que você finaliza seu oponente. Você tem que mostrar sua técnica para que o adversário não consiga defender. É uma competição esportiva onde você é avaliado pela sua técnica. 
No campeonato Brasileiro você conquistou duas medalhas?
A medalha de prata conquistei no Katá. Venci atleta de Brasília, um de São Paulo e perdi a final para o atleta do Rio Grande do Norte, Célio Bandeira.  A medalha de bronze conquistei na luta. Na luta final empatei a disputa e perdi porque meu oponente havia feito o primeiro ponto. Ele foi para a final e eu fui disputar o 3º lugar e venci a luta. 
A equipe de Fernandópolis também conquistou muitas medalhas...
O número de atletas classificados para esse campeonato Brasileiro disputado em Araraquara foi um recorde nosso. Classificamos 19 atletas e levamos 17, só dois ficaram por questão financeira. Mas, tirando isso, foi muito bom, positivo demais para Fernandópolis. A participação nestes campeonatos só faz melhorar o desenvolvimento técnico dos nossos atletas. Hoje somos destaque dentro da nossa Federação.  O Rafael Melo de Pádua tem 12 anos, faixa marrom, começou comigo com cinco anos de idade. Ele foi campeão brasileiro no ano passado, campeão de tudo este ano no Estado de São Paulo nas categorias dele. Ele não foi campeão brasileiro esse ano por uma falha técnica, contra um adversário que não conseguiria vencê-lo. Ele recebeu muito apoio e voltou gigante dessa competição, Foi um crescimento muito grande para ele. O esporte dá essa condição. Ele não perdeu, ele cresceu, vai mais forte para o outro campeonato. 
Quais são os horários de atividades na Dojokan?
Segunda, quarta e sexta-feira, tem o projeto Bom de Escola – Bom de Esporte, na faixa etária de 6 a 17 anos, em dois horários, de manhã (das 9 às 10h30) e à tarde (das 14 às 15h30 e das 15h30 às 17 horas). Tem ainda o horário das 18 às 19h30 e das 19h30 às 21 horas que é fora do projeto onde é cobrada uma mensalidade de 50 reais. 
Hoje existem várias Federações. Por que?
Infelizmente para o Karatê temos mais de uma Federação no Estado (FPK – Federação Paulista de Karatê; FKP – Federação de Karatê Paulista; e FPKI – Federação Paulista de Karatê Interestilos). Todas funcionam com as mesmas regras. A diferença é política. As Federações são particulares e tem um custo para filiação. Tem os campeonatos organizados pelas Federações e tem os campeonatos fora das Federações (Jogos Regionais, Jogos Abertos, Panamericanos, Olimpiada). Todas essas Federações de São Paulo são regularizadas. 

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