No dia do Teatro Municipal, conheça a história do Centro Cultural “Merciol Viscardi”

CADERNO VIVA - 18:09:44
No dia do Teatro Municipal, conheça a história do Centro Cultural “Merciol Viscardi”

Bem mais que um conjunto de paredes, bancos e um palco, o Teatro Municipal é um monumento em celebração ao conhecimento e aos sentimentos. Dos risos às lágrimas, o Teatro mostra o mundo de um novo ponto de vista, podendo até mesmo mudar suas ideias e ideais após uma apresentação e é por isso que se celebra na próxima sexta-feira, 11, o Dia do Teatro Municipal. 
Fernandópolis possui o seu desde 1999, quando o então prefeito, Armando José Farinazzo, concluiu a obra iniciada por seu antecessor, Luiz Vilar de Siqueira. Trata-se do Centro Cultural “Merciol Viscardi” que ocupa uma área de 1.326,30 metros quadrados bem no coração da cidade. 
“A administração do Armando Farinazzo teve muitos problemas por conta dos precatórios. A gente não dispunha de um único centavo para realizar o que quer que fosse. Foi um período muito difícil, e o teatro estava sendo construído. Quando terminou, precisávamos equipar o teatro, não tínhamos funcionários, nem verba. Fizemos projetos para captar dinheiro para montar o teatro, colocar as poltronas, etc. Nesse período acabei aprendendo muita coisa, obrigada pela necessidade. Consegui usar o Fundo Nacional de Cultura, a Lei Rouanet, foram quatro anos muito produtivos nesse sentido. E conseguimos concluir o teatro”, contou a secretária de Cultura Iraci Pinoti, que era diretora da pasta à época.       
Hoje, além do palco que já foi elogiado por atores de todo país, o teatro possui um auditório confortável com capacidade para 317 pessoas, conta também com um saguão de espera, ambos climatizados.
PATRONO 
Merciol Viscardi, mais conhecido como “Lolão”, que empresta seu nome ao “Centro Cultural e Teatro” de nossa cidade, nasceu em Fernandópolis em 8 de julho de 1953. Filho caçula do casal Dionízio Viscardi e Natividade Canhada Viscardi. De tradicional família fernandopolense, Merciol sempre foi o “xodó” dos irmãos Euvidio Viscardi, Paulo Viscardi Neto e Alexandrina Viscardi da Silva. Do convívio com a assistente social Lucinéia Oliveira Figueiredo, nasceu a filha Júlia Figueiredo Viscardi, em 26 de julho de 1989. 
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo no ano de 1980, Merciol iniciou seus estudos no Grupo Escolar Afonso Cáfaro de Fernandópolis em 1960, concluindo a 8ª série do curso ginasial no Instituto de Educação Estadual em 1968 e o curso colegial em 1971, no Colégio e Escola Normal São José, em Ribeirão Preto. 
Cronista, poeta e filósofo por excelência, Lolão foi um investigador nato do comportamento humano e suas nuances, visto, sempre, pelo foco do Racionalismo Cristão, doutrina espiritualista praticada há muitas décadas por sua família. Paralelo ao desenvolvimento dessa vertente, Merciol Viscardi embrenhou-se também pelo caminho do conhecimento “prático”, atitude refletida nas inúmeras participações em cursos, concursos, seminários, congressos, programas sócio educacionais. 
Ligado a vários movimentos culturais, em que disseminava e debatia a “interiorização da cultura e apoio aos valores locais e regionais”, Merciol participou de diversos concursos em âmbito nacional, entre os quais se destacam: II Concurso Freitas Bastos de Poesia (1986), II Concurso de Contos e Poesia de Itanhaém (1986), I Concurso Nacional de Poesia de Campos do Jordão (1986), IV Concurso de Poesia de São Luiz de Paraitinga (1984), 1º Concurso de Contos e Poesia de Votuporanga (1984), 1º Concurso Paulista de Textos Populares (1986 e 1987), entre outros. 
Segundo o jornalista Vic Renesto, amigo pessoal de Lolão e coautor de suas investidas culturais, “a grande fase da vida de Merciol Viscardi se situa entre 1973 e 1976, quando participou da diretoria da Associação Fernandópolis Acadêmica (AFA), entidade que realizava a Semana Universitária de Fernandópolis. Fundada por abnegados universitários, entre eles Luiz Alberto Scalloppe, Darci Araújo, Luis Carlos Martins, Milton Zambon, a AFA realizava, no mês de julho, uma série de shows, palestras, apresentações teatrais e musicais, além de seminários que marcaram época.
A entidade trouxe gente do calibre de João Bosco, Plínio Marcos, Grupo Tarancón, Tom Zé, 528 Conjunto Atlântico, Teatro de Cordel de Vic Militello. Na época, Lolão era o Diretor de Divulgação da AFA. Na verdade era “pau pra toda obra”. Importunava o Prefeito Antenor Ferrari. 
Morando São Paulo, quando o Prefeito chegava à cidade, dele exigia que o acompanhasse à Secretaria de Cultura do Estado, para reivindicar verbas para a Semana Universitária. Foi também um grande incentivador das artes locais e regionais. Organizou várias mostras dos pintores Bira Torricelli e Tito Montenegro e dos escultores João Lima, Onivaldo e Pedro Loverde, além de divulgar os lançamentos de livros de Wilson Granella, Bento Celso da Rocha e outros. 
Nos corredores da USP, nas antessalas dos consulados, nos gabinetes (com o Deputado Carolo), nas secretarias, Lolão garimpava cultura para enriquecer Fernandópolis. Tinha, na AFA, a ponte para essa transferência, ou mais, para a interferência de cultura para nossa gente. E muita gente entendeu, e se rendeu, e mudou seu comportamento. O sonho das artes na rua, da biblioteca popular, da população vendo, vendo-se, comovendo-se, movimentando-se, exalava pelos poros de Lolão. 
Em seu livro “Coletânea de Artigos”, publicado em 1985, pelo Mirante Arte Editorial, Merciol Viscardi prega a necessidade, na época, de uma transformação (ou revolução) da pequena burguesia, com a consequente interiorização, descentralização, democratização de capital, desenvolvimento do ensino, maior autonomia aos municípios e, acima de tudo, uma necessária e ampla modernização do pensamento político das pessoas. 
Concomitantemente às suas atividades socioculturais, Merciol iniciou sua carreira profissional em 1977, como colaborador do Jornal de Bela Vista, em São Paulo. De 1978 a 1979, trabalhou no Programa de Informação em Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciências e Tecnologia de São Paulo e, em 1980, no Serviço Social da Indústria. Em 1981, esteve em Paranaíba (MS), onde trabalhou como editor do jornal Correio do Bolsão e, em 1983, foi Assessor Parlamentar na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, servindo no gabinete do Deputado Daladier Agi. 
Escreveu, ainda, para diversos jornais de Fernandópolis e região, além dos jornais “A Razão” do Rio de Janeiro e “O Patologista”, de São José do Rio Preto (SP). Na década de 90, retornou a São Paulo, onde chegou a disputar uma eleição para vereador pelo Partido Humanista (PH). 
Em 14 de abril de 1997, Lolão decidiu sua sentença. Era dono de sua própria cabeça. Para ele, a vida era o saber, mas o saber pensado e vivido, aplicado e repartido. Sobre o fato, disse Vic Renesto: “sua morte, aos 43 anos, chocou seus contemporâneos, especialmente pelo ato em si – o suicídio – já que Merciol ‘Lolão’ Viscardi sempre foi a antítese de qualquer manifestação de violência”. Disse Merciol Viscardi: “Só quem luta por uma causa nobre e digna sabe o quanto difícil é realizá-la”.

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