“A FEF voltou nos trilhos”

OBSERVATÓRIO - 18:44:07
“A FEF voltou nos trilhos”

A semana representou um divisor de águas na história da FEF – Fundação Educacional de Fernandópolis. Após cinco anos de administração judicial, a primeira instituição de ensino superior de Fernandópolis voltou para a administração civil, como registrou a manchete do jornal CIDADÃO na edição passada. “A FEF voltou nos trilhos, mas ainda tem um longo caminho a percorrer”, disse Ocimar Antonio Castro, presidente desde terça-feira, 1º, indicado pelo corpo docente e colaboradores e eleito pelo Conselho Curador. É o primeiro servidor de carreira a assumir o comando da instituição, após a crise de 2014 que gerou intervenção judicial. Ocimar é graduado em Farmácia pela Universidade Metodista de Piracicaba e está na Fundação desde 1996, quando começou como professor, foi coordenador e diretor acadêmico e agora presidente. É mestre em Biofísica de Macromoléculas pela Unesp - Universidade Estadual Paulista. Aos 47 anos, Ocimar assume o desafio e diz que não faltará garra no comando da FEF: “O que a população pode contar nesta minha gestão, que os professores e colaboradores já contam, é dedicação extrema e responsabilidade para que nossa Fundação volte a ser referência. Queremos que ela volte a ocupar o noticiário como destaque nacional. O nosso foco é esse. Vamos trabalhar para que ela volte a ter os destaques positivos” destacou nesta entrevista ao CIDADÃO e Rádio Difusora. Veja:
 
É um grande desafio assumir a FEF após todos os problemas que a instituição passou e que culminou com cinco anos de administração judicial?
Realmente. Nós passamos por um problema muito sério, nunca poderíamos imaginar a situação que veio à tona anos atrás. Aconteceu, não adianta ficar olhando para o passado para não comprometer o futuro. Estamos assumindo essa nova fase da FEF iniciada em 1º de outubro e tenho a grata honra de representar os docentes e os colaboradores. Recebemos entre os docentes e na eleição do Conselho Curador mais de 70% de apoio, de pessoas acreditando que poderia fazer um bom trabalho à frente da instituição. Toda essa história envolvendo a FEF começou em 2014, quando uma operação para investigar supostas “bolsas fantasmas” acabou descobrindo uma imensidão de problemas administrativos das gestões anteriores. A administração judicial que foi determinada pelo juiz Dr. Evandro Pelarin, à época, pelo Ministério Público com o Dr. Marcelo Frascischetti, foi fundamental. Nestes cinco anos, não se conseguiu equacionar os problemas da Fundação, mas conseguiram organizar de forma adequada o setor administrativo com mecanismos de controle para que isso nunca mais aconteça, estabelecendo um Conselho Curador com muito mais característica de fiscalização. E é isso que queremos, que tudo seja fiscalizado, porque a minha gestão também vai passar, o que nós queremos é que, quem entrar aqui o faça com responsabilidade, pensando na Instituição que tem mais de 40 anos e que a sua gestão deve contribuir para que ela continue por muitos outros 40 anos. O que a população pode contar nesta minha gestão, que os professores e colaboradores já contam, é dedicação extrema e responsabilidade para que nossa Fundação volte a ser referência. Queremos que ela volte a ocupar o noticiário como destaque nacional. O nosso foco é esse. Vamos trabalhar para que ela volte a ter os destaques positivos.
Neste período, houve mudanças no mercado educacional. O que se pergunta é o que será da FEF daqui para frente?
A FEF é de Fernandópolis e precisamos que a sociedade olhe para ela como aquele sonho de 40 anos atrás de termos uma instituição de ensino superior totalmente vinculada ao município. Qualquer outra instituição particular no Brasil pode ir embora. A Fundação não é particular, ela é de Fernandópolis. O mercado mudou e não está fácil. Nós tivemos nos últimos cinco anos, no período mais difícil da FEF, um agravamento da situação com restrições quanto a FIES, Prouni e isso, nós teremos que aprender a lidar. Os desafios chegam para serem superados. Não podemos fazer a gestão pensando que nós teríamos FIES ilimitado. Temos que pensar em articulação e ter boas parcerias. A crise hoje afeta todo mundo e em situação de crise precisamos nos unir, de forma que todos possam ter acesso ao ensino superior em busca do seu diploma reconhecido nacionalmente e que abra as portas do mercado de trabalho. E nós, da Fundação temos que estar preparados para prestar o melhor serviço. Temos que arregaçar as mangas e enfrentar a crise com muita sabedoria, dedicação, com honestidade e seriedade.  
Hoje temos a outra Universidade da cidade, a Universidade Brasil, também envolvida em uma operação da Polícia Federal, como ocorreu com a FEF. E a gente percebe que há entre as lideranças uma preocupação em preservar as instituições, lembrando a importância delas para a economia, sem contar o trabalho social. A ideia é buscar essa união para que a FEF volte a ser a referência que era antes dessa crise?
Exatamente isso. O que precisamos é buscar essa união. Vamos visitar todas as entidades, os poderes constituídos, nos colocar à disposição para formalizar bons acordos que possam se reverter em benefícios para a instituição e para a sociedade. A gente precisa enfrentar esse momento de crise, com bastante garra, força de vontade, com o apoio da sociedade, dos poderes constituídos, dos nossos colaboradores e professores, para fazer algo melhor para a fundação. Esse é o caminho e a meta da nossa gestão. 
O senhor foi professor, coordenador, diretor acadêmico e agora presidente. O que isso representa no ânimo de professores e colaboradores que enfrentaram maus bocados nos últimos anos?
É um prazer muito grande andar pelos corredores e ver a alegria de todos. Tenho certeza que cada professor, cada colaborador, está se sentindo um pouquinho presidente com o fato de alguém que surgiu aqui e com muita humildade cresceu. Graças a Deus tenho livre trânsito em todos os departamentos da fundação. Eles (colaboradores e professores) são fundamentais. A instituição está de pé porque teve pessoas que deram mais que o sangue, se dedicaram e fizeram tudo o que podiam para manter essa instituição funcionando. Por mais problemas que tivemos no passado, essa instituição não fechou nem um dia, não tivemos uma aula que não tenha sido ministrada com toda garra e vontade. Todos decidiram se unir por uma causa. É impossível não se emocionar com esse grupo que temos aqui e que forma uma verdadeira família. Sofremos juntos e juntos vamos batalhar para termos muitas alegrias daqui para frente.
Após esse período de gestão judicial, a Fundação tem capacidade de seguir agora com suas próprias pernas?
Sim, temos condições. A FEF precisava entrar no trilho. Ainda não resolveu o problema, a viagem nesse trilho ainda é longa para se conseguir resolver os problemas. Mas, posso dizer que ela voltou no trilho. A administração judicial foi fundamental para dar um norte, com honestidade e seriedade, sobre como deve ser a gestão administrativa em uma empresa como essa. O que temos que fazer é colocar essa engrenagem toda para funcionar. Na pior fase da crise, a FEF se segurou e agora é hora de deslanchar. Hoje a Fundação se mantém, o que tem de recurso é o que precisa hoje. Ela paga seus tributos, os salários, os fornecedores. O que precisa agora é juntar forças, formar boas parcerias, buscar mais alunos, voltar a ter visibilidade e iniciar um ciclo virtuoso. 
Sobre a dívida do passado, existe algum plano de recuperação, mesmo que a longo prazo?
Não tem opção, não existe possibilidade de se ter resolvido esse problema de uma hora para outra. Não existe varinha de condão que faça esse problema ser resolvido. Nós vamos batalhar para que tudo isso seja equacionado. Repito: a FEF está equilibrada, mas está longe de ter os problemas resolvidos. Por isso é preciso pensar em crescimento da instituição para que se possa resolver o que ficou no passado. A herança que ficou desse passado é algo que vamos precisar de muito tempo para colocar isso em ordem. Talvez não na velocidade que todos querem, mas na velocidade que ela pode. Estamos de portas abertas para receber todos que estejam dispostos a contribuir para recolocar a FEF no seu devido lugar na história da cidade. 

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